Brasil pode ser oportunidade para crescimento da Europa, diz Dilma

"Consideramos que o equilíbrio fiscal e a distribuição de renda são compatíveis e não são antagônicos", disse.

Em entrevista coletiva realizada na manhã desta segunda-feira (19/11), no Palácio da Moncloa, em Madri, na Espanha, a presidente Dilma Rousseff defendeu mais uma vez que o melhor caminho para sair da crise é a austeridade somada ao incentivo para o crescimento econômico.

Dilma voltou a fazer críticas ao excesso de austeridade praticado pela União Europeia e aos países ricos na ação contra a crise econômica mundial, que considera ser recessiva e com excesso de rigor fiscal. Segundo a presidenta, o crescimento é fundamental para que o bloco supere a crise. “O Brasil pode e deve contribuir para que haja mais crescimento econômico, mais possibilidades de solução para a crise, porque ela necessariamente passa pelo crescimento”, disse ao colocar à disposição do colega espanhol. “O Brasil se põe à disposição da Espanha, de Portugal e de todos os países europeus”, disse Dilma.

“Eu considero que a combinação de austeridade e crescimento é a melhor forma de superar os desafios de uma crise”, disse. “Até porque nós, no Brasil, temos uma experiência de que o baixo crescimento, ao invés de reduzir, o que faz é aumentar a dívida e o déficit”, completou.

Dilma tem defendido a necessidade de investimentos e estímulos ao crescimento como resposta à crise, “fundamental” para evitar o aumento da desigualdade e o desemprego no bloco, atualmente em níveis elevados.

Ao argumentar que seu governo direciona esforços para o crescimento sem esquecer da responsabilidade econômica, Dilma rebateu indiretamente as críticas de que seu governo ignora aspectos como o controle do gasto e da inflação. “Consideramos que o equilíbrio fiscal e a distribuição de renda são compatíveis e não são antagônicos”, disse. “Nós tivemos durante duas décadas apenas a perspectiva do ajuste fiscal e só conseguimos sair da crise quando fizemos controle de gasto e de inflação com a distribuição de renda, com crescimento”, resumiu a presidente.

Encontro

No encontro com o premiê espanhol, foram debatidos investimentos em infraestrutura no Brasil e a ampliação das parcerias em áreas estratégicas, como o avanço da integração na América do Sul e a importância da relação entre o Mercosul e a União Europeia para um aumento no comércio entre as duas regiões. A presidenta ainda citou o fato de a Espanha ser o 4º principal destino do programa Ciência Sem Fronteiras.

“Decidimos também aproveitar melhor o potencial de cooperação em ciência, tecnologia e inovação em domínios que abrangem a gestão de recursos hídricos, a cooperação industrial para a defesa, a indústria naval, a construção de rodovias, ferrovias, portos e aeroportos, a nanotecnologia e a área de petróleo e gás”, detalhou.

Mariano Rajoy afirmou que o Brasil é “uma potência do presente” e que está no centro das atenções do mundo, com a realização de grandes eventos como a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016. Assim como Dilma, Rajoy disse que os dois países têm uma relação estratégica e que as empresas espanholas estão muito interessadas em trabalhar no país em obras de infraestrutura.

Ciência sem Fronteiras

Mais cedo, Dilma visitou um grupo de estudantes brasileiros beneficiários do programa Ciência sem Fronteiras na Casa do Brasil de Madri. No país ibérico, o programa atende a 1.487 alunos em 41 escolas, segundo o Ministério da Ciência e da Tecnologia. A intenção do governo é ampliar o grupo de estudantes para 2.000 em junho do ano que vem.

Na gravação do programa “Café com a Presidenta”, Dilma afirmou também que, a partir desta terça-feira (20/11), serão abertas 18 mil vagas para cursos que começam em setembro de 2013. “Esses jovens vão ajudar o Brasil a dar um salto em ciência, tecnologia e inovação, e a transformar nosso país em uma potência também na economia do conhecimento.”

Para ela, a meta do governo de levar 101 mil estudantes brasileiros ao exterior até 2014 será alcançada.

Com agências onlines

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