Educação

Corte no Ciência Sem Fronteiras representa visão míope de Temer

Para especialista, o Brasil não pode continuar com um pensamento restrito de que ciência se faz apenas na universidade
Corte no Ciência Sem Fronteiras representa visão míope de Temer

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

“O Brasil precisa acabar com a cultura de que a ciência se faz só na última etapa”, afirma o coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Cara, em relação à manutenção das bolsas do programa Ciência Sem Fronteira (CSF) apenas para pós-graduação, cortando o financiamento para intercâmbio da graduação.

Segundo Cara, que também é doutorando na Faculdade de Educação da USP, “o aluno de graduação que faz intercâmbio é muito mais preparado a fazer boa pesquisa de pós do que o que nunca viajou”. Para ele, o Brasil não pode continuar tendo um pensamento restrito de que ciência se faz apenas na universidade. “Ciência começa no Ensino Básico”, afirma.

“Eu estudei o Ciência Sem Fronteiras e militei em defesa do programa na perspectiva de que precisava sofrer alterações”, conta Daniel. Para ele, o CSF poderia promover um intercâmbio entre diferentes regiões do Brasil e se estender a mais áreas do conhecimento, mas precisava também de maior controle e visão estratégica. “A ideia do Ciência Sem Fronteiras é preciosa, o Brasil não alcançará a autonomia cientifica sem um programa como esse”, defendeu Cara.

A deputada federal Margarida Salomão (PT-MG), ressaltou que “outros países, entre os quais aqueles que os conservadores tanto admiram, os países asiáticos, os tigres, todos eles têm programas que enviam seus jovens graduandos para potências científicas”.

Segundo Salomão, “esse processo de imersão é qualificante, é um processo que diferencia”. Ela ainda ressalta que o programa não é invenção brasileira, visto que há sistemas análogos em países como Coréia e Japão.

A deputada mineira ainda ressalta que “o corte nesse programa mais uma vez representa a mediocridade de quem hoje está à frente do Ministério da Educação”.

Para Daniel Cara, “o problema do governo Temer é ser incapaz de corrigir o que estava dando errado. É um governo ilegítimo que só tem uma pauta, a destruição. Por isso é preciso alcançar logo eleições diretas ou ter a sorte de atravessar os dias até 2018 para ter um governo legítimo”.

Outros cortes

No final de 2016, o governo golpista de Temer cortou em 50% as verbas para as olimpíadas escolares de conhecimento – de Matemática, Astronomia e História, entre outras. Maior competição do gênero no País, a Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep) é financiada pelo Instituto Nacional de Matemática Aplicada (Impa) e custa cerca de R$ 50 milhões. Além da competição, a Obmep também tem cursos de formação e capacitação para professores de Matemática, que também sofreram com a redução de custos.

Neste semestre, o Programa de Financiamento Estudantil (Fies), sofreu corte em 29% das bolsas concedidas. Também foi reduzido o limite de financiamento por curso, de R$ 42 mil para R$ 30 mil a cada semestre, dificultando a vida de quem busca o financiamento para cursos mais caros como os de Medicina e Odontologia.

A presidenta da UNE, Carina Vitral, comentou que quem mais precisa do programa será a maior vítima. “O impacto maior será na vida dos mais pobres, sem o financiamento não há possibilidade desse jovem acessar o Ensino Superior”, alerta.

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