Ricardo Stuckert

Uso da tecnologia nos hospitais inteligentes deve reduzir em até cinco vezes o tempo de espera por atendimento em situações de emergência
A tecnologia de última geração, antes restrita aos grandes hospitais particulares de elite, agora chega ao povo brasileiro que utiliza o Sistema Único de Saúde (SUS). Com investimentos de R$ 4,8 bilhões, o governo Lula implementa a Rede Nacional Agora Tem Especialistas de Hospitais e Serviços Inteligentes de medicina de alta precisão. O objetivo é garantir acesso ágil e especializado no Sistema Único de Saúde (SUS), com uso de Inteligência Artificial, telemedicina e conectividade.
“Precisamos garantir que o povo mais humilde não seja invisível”, defendeu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante a cerimônia de anúncio da rede, nesta quarta-feira, 7. Segundo ele, a tecnologia precisa estar à serviço da população mais humilde que utiliza o SUS.
Ao lado do vice-presidente Geraldo Alckimin, da ex-presidenta Dilma Rousseff, do ministro da Saúde, Alexandre Padilha e do ministro da Casa Civil Rui Costa, Lula lançou a Rede de Hospitais Inteligentes do SUS.
Dilma Rousseff, atualmente presidenta do NDB, o Banco dos Brics, aprovou um financiamento de R$ 1,7 bilhão para a implantação do Instituto Tecnológico de Medicina Inteligente (ITMI-Brasil), que vai funcionar no Hospital das Clínicas, em São Paulo. “Há um grande esforço de modernização tecnológico do SUS para ofertar para a população brasileira de graça o mesmo que os principais hospitais de excelência privados do país. Hoje estamos em outra fronteira. Esse contrato vai trazer um salto além, que é trazer para o Brasil aquilo que nem os maiores hospitais privados brasileiros oferecem ainda”, disse o ministro da Saúde.
A iniciativa que é integrada ao programa Agora Tem Especialistas vai utilizar inteligência artificial e big data para transformar o atendimento no sistema. Na prática, a tecnologia pode reduzir o tempo de espera nas emergências em 80% (cinco vezes menos tempo), garantindo diagnósticos mais rápidos e assertivos para a população.
“Nós vamos constituir uma rede de serviços de hospitais, de UTIs conectadas em todo o país, que vai trazer o que tem de mais moderno hoje em relação à medicina de alta precisão, de alta tecnologia, do uso da inteligência artificial, que o SUS vai ajudar a liderar esse processo de incorporação tecnológica no Brasil. Inclusive atraindo o setor privado, os hospitais privados vão poder participar desse esforço de transferência tecnológica”, disse o ministro Padilha.
Padilha explicou a lógica dos chamados ‘hospitais inteligentes’: “Não significa que os outros não são inteligentes. São hospitais que utilizam da mais alta tecnologia de informação e da inteligência artificial, da conexão dos seus equipamentos, utilizando uma rede que se sustenta, internet que consegue garantir essa conexão, que permite você fazer atendimento à distância, monitoramento à distância, o uso da inteligência artificial para acelerar os diagnósticos”, explicou.
O presidente Lula pediu celeridade para as 14 UTI’s do país, bem como na construção do Instituto Tecnológico de Emergência do Hospital das Clínicas da USP, em São Paulo, que será o primeiro hospital inteligente do Brasil. Mais oito unidades hospitalares serão modernizadas com envolvimento de universidades e secretarias de saúde.
O que é um Hospital Inteligente?
Diferente de uma unidade hospitalar comum, o hospital inteligente utiliza a transformação digital para salvar vidas e otimizar recursos. Imagine um sistema onde a burocracia diminui e o tempo de resposta aumenta.
Os principais pilares dessa nova rede incluem:
- UTIs Automatizadas: Monitoramento em tempo real com sensores que antecipam crises. Se um paciente apresenta uma alteração mínima nos sinais vitais, o sistema alerta a equipe médica antes mesmo de a intercorrência se tornar grave.
- Gestão por Inteligência Artificial: Algoritmos que ajudam na triagem e no diagnóstico, garantindo que o tratamento certo chegue mais rápido a quem mais precisa.
- Prontuário Único e Conectado: O histórico do paciente viaja com ele. Se você for atendido em Manaus ou em Porto Alegre, os médicos terão acesso imediato aos seus exames e alergias, evitando repetição de testes e desperdício de dinheiro público.
- Eficiência Energética e Logística: Robôs e sistemas inteligentes controlam desde o estoque de medicamentos (evitando vencimentos) até o consumo de energia da unidade.
Tecnologia para melhorar o Brasil
O projeto inicial já nasce com 14 UTIs automatizadas espalhadas pelas cinco regiões do país (nas cidades de Manaus (AM), Dourados (MS), Belém (PA), Teresina (PI), Fortaleza (CE), Recife (PE), Salvador (BA), Belo Horizonte (MG), Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP), Curitiba (PR), Porto Alegre (RS) e Brasília (DF)), consolidando o SUS como o maior patrimônio do povo brasileiro.
A expectativa é dessa rede beneficiar cerca de 20 mil pacientes por ano. O hospital terá 800 leitos, sendo 250 de emergência, 350 de UTIs e 200 de enfermaria, além de 25 salas cirúrgicas. O início das operações está previsto para 2029, com a instalação de equipamentos, implantação dos sistemas digitais e treinamento das equipes.
Segundo o presidente Lula esse hospital inteligente e a recuperação da imagem que o SUS conquistou no Brasil depois da apoteótica participação do SUS para salvar o povo brasileiro com relação a covid-19. “Porque a verdade nua e crua é que nós precisamos garantir que o povo mais humilde não pode ser invisível. Ele tem que ser olhado. É para eles que a gente governa. É em função deles que nós temos que melhorar a coisa”, afirmou o Lula.



