Alessandro Dantas

Projeto relatado pelo senador Beto Faro segue para análise da Comissão de Assuntos Econômicos
Sabemos que um país ou região com economia baseada de forma significativa no comércio exterior cujas exportações apresentem elevada participação de commodities findam com perdas socioeconômicas subjacentes que emperram o seu desenvolvimento.
O Brasil enfrenta esse dilema que é crônico, e coloca a economia do país sob forte vulnerabilidade às flutuações dos preços internacionais com os seus reflexos no câmbio e assim prejudicando os manufaturados. As perdas de emprego, renda, aviltamento dos salários e aumento das desigualdades sociais com a falta, ou baixo nível de industrialização dos produtos exportados, são óbvias para uma economia muito ancorada em commodities. Outro efeito limitativo de economias com esse perfil decorre dos prejuízos pelo desincentivo à inovação; o desenvolvimento científico e tecnológico.
Especificamente a economia do Pará é ainda mais intensiva em commodities do que no agregado da economia brasileira. O governo Lula vem tentando alterar esse quadro com medidas como o programa Nova Indústria Brasil em conformidade com as estratégias para a transição energética. Porém, não será tarefa trivial romper com esse anacronismo da economia brasileira que constitui pesada herança histórica de opções equivocadas, duvidosas, e pervertidas das elites dirigentes desde o período colonial. Reverter esse quando, no presente, entre outros desafios poderosos, enfrenta as tentações do mercado chinês e outros mercados vigorosos de commodities alimentares e minerais.
Nesse contexto, em 2025 as exportações do estado do Pará totalizaram 24.2 bilhões de dólares, o que representou um aumento de 5.4% sobre os valores de 2024.
O desempenho de 2025, de certa forma surpreendente em razão do tarifaço do presidente Trump iniciado em 1º de agosto de 2024, colocou o Pará como o quinto estado no ranking nacional participando com 7% das exportações totais do Brasil.
Excluindo o valor importado de 2.7 bilhões de dólares, o Pará gerou saldo comercial de 21.5 bilhões de dólares. Ou seja, o Pará foi responsável por 31.5% do superávit comercial obtido pelo Brasil em 2025.
Esses resultados quantitativamente importantes do comércio exterior do nosso estado poderiam repercutir num outro patamar qualitativo para a população paraense na hipótese de maior agregação de valor dos produtos exportados. A indústria extrativa, mais a agropecuária, responderam por 76% das exportações do Pará em 2025, lideradas pelos minérios de ferro e cobre. Se somarmos as exportações de carne bovina resfriada que curiosamente é classificada como item da indústria de transformação, as exportações de produtos primários participaram com 82% do total.
Acredito que o Pará, em particular, a depender das estratégias adotadas pelo setor público e classe empresarial, tem a grande oportunidade de começar a alterar o perfil das exportações do estado com a “exploração” inteligente do Acordo Mercosul/União Europeia.
As exportações do Pará para a Europa não deixam de ser relevantes, já que em 2025 envolveram 6.1 bilhões de dólares, mas com participação razoável de produtos da indústria de transformação a exemplo da alumina calcinada (US$ 1 bi). No entanto, as commodities também se mantêm com participação expressiva. Impressiona a participação das vendas de soja que totalizaram 450 milhões de dólares. A propósito, até para não perderam as oportunidades do mercado da UE, ao invés de manterem o chororô antiambiental costumeiro, os grandes produtores deveriam buscar imediatamente a conformidade com a Lei anti-desmate da UE que entra em vigor neste ano. Em resumo, os capítulos sobre investimentos e transferência de tecnologias, entre outros, somam-se às oportunidades de acesso a mercado, para transformar o Acordo Mercosul/UE como janela histórica para um impulso rumo a outro padrão para a economia paraense. O governo do estado tem uma enorme responsabilidade nesse processo.



