Alessandro Dantas

Senador Beto Faro analisa cenário político da formação atual do Congresso Nacional
No dia 21 de dezembro passado publicamos artigo neste espaço de O LIBARAL no qual anunciamos, com as devidas contextualização e propósito políticos, que protocolaríamos no Senado um projeto de Lei instituindo o “mapa do caminho da transição justa para a economia de baixo carbono e o desmatamento zero”. Para lembrar: em que pese a relevância para as estratégias de contenção da crise climática, e a adesão por mais de 80 países, a matéria foi excluída do texto final da COP 30 pelas resistências, em especial, dos países grandes produtores de petróleo.
Após debates sobre o tema com a consultoria do Senado, várias instituições, organizações não governamentais, e especialistas, o texto do projeto foi consolidado e protocolado (PL nº 6.616, de 2025). A propósito, aproveito para expressar os nossos agradecimentos a essas organizações e técnicos pelas valorosas contribuições a essa iniciativa do mandato.
Além da forte sinalização de compromisso do Brasil com a descarbonização e a sustentabilidade, a eventual Lei brasileira sobre o “Mapa do Caminho” poderá servir de referência aos estados membros da ONU e assim se converter em passo importante para o mundo evitar o colapso do clima. Não à toa, na sua viagem ao Panamá para participar do Fórum Econômico Internacional da América Latina e Caribe, o presidente Lula deixou claro que o Brasil lançará, em breve, o ‘Mapa do Caminho’. Coincidiu com a fala do Lula, as declarações da presidência brasileira da COP assegurando que o Brasil insistirá, até o final do seu mandato, na prioridade ao tema na expectativa de adesões voluntárias pelos países.
Porém, não bastasse a COP 30 (como as demais) não ter entregue o que se esperava, os debates sobre a crise climática praticamente submergiram no mundo após a COP. Isto, pela desordem global propagada pelo atual governo dos EUA que obrigou os países de todos os continentes a priorizar medidas e articulações protetivas às violações permanentes dos valores e princípios que desde o pós-guerra regiam as relações internacionais.
Na realidade, assistimos ao desespero de um império em declínio que através do uso (ou ameaça) da força econômica e militar que lhe resta, busca, inutilmente, preservar sua condição de hegemon global.
Esse quadro de conturbação generalizada promovido pelos EUA, ademais de sugerir a provável ruptura da ordem mundial, conforme opinou o primeiro ministro do Canadá, desvia a atenção dos países do seu desafio vital comum. Em outros termos, mesmo na condição de maior emissor histórico, os EUA romperam compromissos e vínculo com os acordos multilaterais sobre o clima, provocam o perigoso rebaixamento da prioridade para o tema da sustentabilidade na agenda política global.
Coexistindo nesse ambiente político global conturbado, no “mundo corporativo” parece estar em curso fenômeno, em tese, contraditório e, portanto, voltado para a afirmação da sustentabilidade como valor supremo para enfrenar o desafio vital do planeta. Tem sido divulgado a progressiva adesão pelas grandes corporações aos padrões ESG 2.0 para orientar e avaliar a estrutura de sustentabilidade e prática ética das empresas. Os padrões originais ESG referem-se a fatores ambientais, sociais e de governança. Divulga-se que o ESG 2.0 significa uma evolução do original pela maior consistência e integração desses fatores nas estratégias de negócios.
Confesso a minha ignorância para avaliar esse suposto up grade de paradigma corporativo que ocorreria em descompasso com a paralisia dos governos provocada pelo caos disseminado pelo governo dos EUA. Afinal, o acrônimo ESG refere-se a meio ambiente, social e governança. O ESG 2.0 seria Economia, Segurança e Geopolítica. Mundo confuso!



