Alessandro Dantas

Paulo Pimenta expõe esquema Bolsomaster
O deputado Paulo Pimenta (PT-RS) denunciou o que chamou de esquema criminoso “Bolsomaster”, apontando uma rede de conexões entre o Banco Master, a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro e governadores aliados. A manifestação ocorreu em meio à indignação do parlamentar pela ausência de Daniel Vorcaro, controlador do banco, que não compareceu para prestar depoimento após uma autorização judicial concedida pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Pimenta questionou a decisão do ministro, indicado ao STF por Bolsonaro, sugerindo um possível conflito de interesses. “Isso tem alguma coisa a ver com o fato de que o esquema criminoso do Vorcaro foi quem mais contribuiu para a campanha do Bolsonaro e do Tarcísio?”, indagou.
Segundo o parlamentar gaúcho, o Banco Master teria operado com facilidades concedidas pelo Banco Central sob a gestão de Roberto Campos Neto. Pimenta destacou que familiares de Vorcaro foram responsáveis pelas maiores doações individuais nas campanhas de Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas (governador de São Paulo).
A denúncia aponta ainda uma “porta giratória” entre o governo anterior e a instituição financeira. João Roma e Ronaldo Vieira Bento, ex-ministro de Bolsonaro, ocupam cargos de diretoria no Banco Master. Outro detalhe: um dos diretores do banco é casado com Flávia Peres, ex-Secretária-Geral da Presidência de Bolsonaro.
Um dos pontos mais graves levantados por Paulo Pimenta refere-se à aplicação de recursos previdenciários de servidores públicos estaduais e distritais no esquema. O deputado cobrou explicações sobre as razões que levaram os governadores Ibaneis Rocha (DF) e Cláudio Castro (RJ), ambos bolsonaristas, a destinarem bilhões de reais dos regimes de previdência para títulos podres de uma instituição financeira em claras dificuldades.
O esquema da Conafer
A CPMI do INSS ouviu nesta segunda-feira (23) Ingrid Pikinskeni Morais Santos, apontada como peça-chave na movimentação financeira da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer). Ingrid é sócia de empresas que, segundo as investigações da Operação “Sem Desconto”, receberam repasses milionários da entidade. A Conafer é acusada de liderar um esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões, lesando milhares de beneficiários do INSS para financiar uma rede de fraudes e influência política.
Durante o depoimento, os parlamentares confrontaram Ingrid sobre a desproporção entre sua renda declarada de R$ 2.900 e o volume de recursos transacionados por suas empresas, que possuem ligações diretas com Cícero Marcelino de Souza Santos, seu marido e operador financeiro da Conafer. A oitiva reforça a tese de que a entidade funcionava como um braço arrecadador para o esquema criminoso, utilizando o patrimônio de idosos e pessoas vulneráveis para abastecer empresas de fachada e sustentar a estrutura denunciada por Paulo Pimenta.



