ARTIGO

O Oriente Médio e as incertezas para a nossa Economia, por Beto Faro

Senador analisa como a escalada do conflito no Oriente Médio e as tensões comerciais globais podem afetar a economia mundial e trazer novos desafios ao Brasil

Alessandro Dantas

O Oriente Médio e as incertezas para a nossa Economia, por Beto Faro

Se o mundo estava uma bagunça com o tarifaço e ameaças generalizadas, neste momento, “evolui” da bagunça para uma quadra além do caos, com a dor, desestabilização e morticínio no Irã e entorno. Fato é que nesses tempos recentes o mundo passou a ser outro, ainda menos seguro, mais conflituoso, imprevisível, e hostil aos pobres; enfim, parece que corremos o risco do incêndio do planeta antes mesmo dos estágios extremos do aquecimento global.  Oscar Wilde disse que a vida imita a arte e parece que, na atualidade, tem quem busque inspiração no filme ‘planeta dos macacos’.

Não obstante os bombardeios diários intensivos sobre a população do Irã, os governos dos EUA e de Israel já tiveram frustrado nessa guerra assimétrica o seu intento principal que seria a derrubada imediata da República do Irã. Não deu certo. Na Venezuela provavelmente Maduro foi ‘entregue’; o Irã é outra realidade. 

Especificamente esse quadro tem fortes repercussões na economia global e, por suposto, na economia brasileira. Ousemos alguns pitacos sobre o assunto.

Os impactos econômicos terão escala e intensidade determinadas pela possibilidade realista da capacidade de resiliência do Irã por longo tempo. E, ainda, pelo cenário, também provável, de maior espraiamento do conflito pelo oriente médio.

Isso ocorrendo, não obstante os impactos econômicos sistêmicos na esfera global (reflexos do petróleo, dólar, inflação, commodities) a economia brasileira, no caso, será afetada pela provável redução ou encarecimento dos fluxos do comércio com todo o oriente médio. Importamos daquela região principalmente fertilizantes químicos, óleo diesel, óleo bruto de petróleo, querosene de aviação, etc. Em 2025 exportamos mais de 16 bilhões de dólares principalmente em milho, açúcar, carnes, minério de ferro, etc.

Dos itens importados vimos a elevada participação de insumos para setores estratégicos com destaque para o agronegócio brasileiro que seria também afetado com as possibilidades de redução das suas exportações.

Mal comemoramos a decisão da Suprema Corte dos EUA que amenizou parte do tarifaço, a eventual utilização, pelo Irã, em reação aos seus agressores, de dispositivos explosivos subaquáticos para o fechamento definitivo do estreito de Hormuz, restringirá o nosso comércio com aqueles países e encarecerá enormemente os valores dos fretes.

Vale enfatizar que em 2025, a economia mundial teve desempenho melhor do que o previsto em razão da antecipação de fluxos de comércio diante do tarifaço, da forte expansão dos investimentos associados à difusão da inteligência artificial e pela desaceleração da inflação. No conjunto, ocorreram ciclos iniciais de flexibilização monetária em algumas economias centrais.

No Brasil, o crescimento em 2025 voltou a surpreender os mercados com o PIB tendo crescido em torno de 2.4%. Não foi um crescimento exuberante, mas crescemos com inflação baixa, expansão do emprego e da massa salarial mesmo em meio a tarifaço, juros básicos nas alturas, sabotagens da extrema direita no Congresso, etc.

Antes do conflito, mas em meio às incertezas permanentes vindas do amigão do Norte, o Ministério da Fazenda estava prevendo para 2026 estabilidade no ritmo de crescimento e de continuidade da desinflação, facilitando, enfim, a redução nos juros básicos.

Nesses termos, as projeções do MF consideravam expansão de 2,3% para o PIB, refletindo desaceleração acentuada na atividade agropecuária após a safra recorde de 2025, compensada por maior expansão da indústria e dos serviços. Essas projeções já consideravam ambiente comercial global mais restritivo.

Com os efeitos globais da desestabilização do oriente médio, na economia e na geopolítica, a única certeza que podemos cravar é o ambiente de incertezas em todo o mundo. A economia brasileira tem demonstrado resiliência e capacidade de provocar surpresas. Que os Deuses nos protejam.

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