ARTIGO

Desinformação e eleição em 2026, por Beto Faro

Senador aponta que a melhora nos indicadores econômicos divide espaço com incertezas externas e dificuldades de percepção social dos avanços

Agência Senado

Desinformação e eleição em 2026, por Beto Faro

Consequência de posições políticas extremadas e de estratégias delituosas massivas de desinformação pelas redes sociais, já consagradas mundialmente pela extrema direita, brasileiras e brasileiros encontram dificuldades em “admitir ou sentir” os avanços socioeconômicos no Brasil desde 2023. Como exemplo recente do poder de falseamento de realidades mediante o uso criminoso das redes sociais, basta lembrar a ação de Nikolas Ferreira sobre a taxação do PIX.

Mas, são inegáveis as conquistas do povo brasileiro, no govLula3, após o período de ‘terra arrasada’ de Bolsonaro. Economia em crescimento, aumento real do salário mínimo, controle da inflação, saída do mapa da fome, pleno emprego, recuperação, diversificação e fortalecimento dos programas sociais, credibilidade internacional, etc.

Porém, devemos admitir que as manipulações políticas tendem a ser favorecidas pelo atual nível de endividamento das famílias, em que pese o programa Desenrola. O endividamento tem múltiplas causas, mas creio que as duas principais escapam dos controles do governo: as taxas de juros e o endividamento nas plataformas online de apostas esportivas e jogos de azar.

Outro risco importante para as pretensões dos setores progressistas em 2026 será a difícil administração/contenção dos efeitos internos do conflito no oriente médio. Tais repercussões serão observadas mesmo com o Brasil sendo um dos países mais bem posicionados para enfrentar os efeitos da guerra por sua condição de exportador líquido de petróleo.

De novo, assistiremos campanhas de desinformação com a extrema direita tentando colar no governo Lula indicadores que tiveram origem em ato de responsabilidade de Trump e Netanyahu. Quanto mais tempo durar o conflito, maiores os desafios para a administração desse duplo desafio.

Segundo estudo do Ministério da Fazenda, anterior ao conflito, a economia mundial em 2026 manteria o ritmo de 2025, impulsionado pela leve aceleração nas economias avançadas com a continuidade do processo de desinflação favorecida pelo dólar enfraquecido, pelo excesso de capacidade ociosa na China e pela expansão da oferta mundial de petróleo.

No mesmo estudo o MF previa para o Brasil expansão do PIB de 2,3%, e taxa de inflação de 3.6%, com expectativas de que em 2026 o ciclo Lula 3 lograria um percentual médio de despesa/PIB menor e um percentual médio de receita líquida/PIB maior do que os dois ciclos de Governo anteriores, produzindo o menor déficit primário médio. Em resumo, essas previsões prometiam bons resultados para a economia.

Com o conflito, que poderá gerar efeitos negativos na economia mundial e na do Brasil, os cenários poderão ser adversos e com previsibilidade limitada. Como dissemos, o Brasil está relativamente bem posicionado, podendo ter um bom superávit comercial em 2026 por conta do incremento nas exportações de petróleo. Mas, os nossos maiores temores residem nos preços do diesel, produto que importamos o equivalente a 30% do consumo e que tem poder de danos sistêmicos.

O governo vem atuando forte para mitigar esses efeitos. Outra fonte diferenciada de preocupação são os preços e as restrições na oferta de fertilizantes que, menos mal no caso brasileiro, poderão resultar em maiores efeitos no próximo ciclo agrícola. Em especial, com o diesel e fertilizantes poderemos ter impactos muito preocupantes na inflação dos alimentos, o que seria muito indigesto no plano eleitoral.

Portanto, esses cenários serão objeto das manipulações; no entanto, a maior parte da população saberá diferenciar os fatos, das armadilhas, e continuará apostando nas transformações virtuosas do Brasil lideradas pelo presidente Lula. Porém, é mandatório que superemos, de vez, as nossas permanentes limitações na comunicação. A ver.

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