Daniel Gomes

O senador Rogério Carvalho (PT-SE) fez um discurso contundente, nesta quarta-feira (8/4), em defesa da vacinação e da imunização da população brasileira durante reunião da Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado Federal. Na ocasião, ele defendeu a criminalização da disseminação de informações falsas que colocam em risco a saúde coletiva.
Ao longo de sua fala, Rogério destacou o papel histórico das vacinas no aumento da expectativa de vida e no controle de doenças graves, além de alertar para o impacto negativo da desinformação na sociedade contemporânea. “Se nós conseguimos, ao longo do século XX, aumentar a expectativa de vida da população, é porque introduzimos mecanismos de prevenção. E uma das formas mais eficazes é a vacinação, a imunização em massa”, afirmou.
“A minha geração sabe o que é conviver com colegas vítimas de paralisia infantil. As novas gerações não sabem o que é isso. Sabe por quê? Porque tivemos vacinação em massa contra a poliomielite”, acrescentou.
Experiência e defesa da ciência como base das políticas públicas
Em outro momento, o senador ressaltou sua trajetória na área da saúde pública para reforçar a credibilidade de sua defesa da vacinação. “Eu fiz formação na Universidade Federal de Sergipe, residência em Medicina Preventiva e Social na Unicamp, mestrado e doutorado. Fui secretário municipal, estadual e do Ministério da Saúde, além de atuar em diversas pesquisas”, destacou.
Com isso, Carvalho criticou o que classificou como distorção do debate público sobre imunização. Segundo ele, há uma tendência perigosa de transformar exceções em regra. “Estamos pegando uma particularidade, como efeitos colaterais, que são previsíveis em qualquer estratégia de prevenção ou tratamento, e generalizando isso, o que compromete o entendimento da população”, alertou.
Redução de mortes e avanço da ciência
Além disso, o parlamentar reiterou que a ciência trabalha com base no benefício coletivo e que nenhuma vacina possui eficácia absoluta, mas ainda assim representa um instrumento fundamental de proteção. “Determinadas vacinas alcançam 80%, 90%, 95% de eficácia. Isso reduz a mortalidade, reduz sequelas e representa proteção à vida do ponto de vista da saúde pública”, explicou, assegurando como a vacinação contribuiu para reduzir drasticamente mortes por diversas doenças. “Com a vacinação de idosos, conseguimos reduzir bastante as internações e a mortalidade, aumentando a qualidade e a expectativa de vida da população”, pontuou.
“Hoje conseguimos produzir anticorpos em laboratório para combater doenças. Imagine a riqueza que é estimular o próprio corpo a produzir esses anticorpos”, acrescentou.
Lições da história e alerta contra o retrocesso
Em tom de alerta, o senador relembrou episódios históricos para demonstrar os riscos da desinformação. “No começo do século XX, tivemos a Revolta da Vacina. Houve resistência à vacinação e milhares de pessoas morreram. Estamos voltando a um debate de cem anos atrás, já superado. Isso é atraso e retrocesso”, pontuou.
“Isso é jogar no lixo a história de sanitaristas como Carlos Chagas e Adolfo Lutz, que ajudaram a salvar milhões de vidas”, disse.
Combate às fake news e responsabilidade social
Um dos pontos centrais do discurso foi a crítica à disseminação de informações falsas sobre vacinas, especialmente no ambiente digital. Para o senador, a ausência de regulação adequada pode colocar vidas em risco. “Se continuarmos defendendo a proteção irrestrita desse ambiente digital, colocaremos esse espaço acima da vida das pessoas. Isso abre margem para uma liberdade criminosa, que gera morte, violência e obscurantismo”, criticou.
“Quem não se vacina e ainda incentiva outros a não se vacinarem contribui para um risco coletivo. Podemos voltar a viver epidemias por conta de informações irresponsáveis”, completou.
Defesa do SUS e da vacinação em massa
Em outro momento, o senador fez uma defesa enfática do Sistema Único de Saúde (SUS) como pilar da proteção sanitária no Brasil. De acordo com ele, sem adesão à vacinação, o sistema pode entrar em colapso. “Se o SUS não tiver adesão à vacinação, nós não vamos aguentar. Quando tivermos vacina contra a dengue em larga escala, muitas vidas serão salvas. Muito sofrimento será evitado, especialmente entre idosos afetados por doenças como a chikungunya”, corroborou.
Por fim, Rogério Carvalho reforçou a necessidade de qualificar o debate público sobre vacinação, com base em evidências científicas e responsabilidade social. “Não se trata apenas de punição, mas de colocar esse tema em discussão com a profundidade e a seriedade que ele exige”, concluiu.



