Investigação

Bancada petista conclui entrega de provas colhidas na CPMI do INSS

Parlamentares levaram ao minsitro do STF, André Mendonça, relatório da maioria que pede o indiciaamento de 130 pessoas

Thiago Coelho

Bancada petista conclui entrega de provas colhidas na CPMI do INSS

Parlamentares petistas entregam relatório da maioria ao ministro André Mendonça

Os parlamentares do PT que trabalharam na CPMI do INSS concluíram nesta quarta-feira (08/04) a entrega do relatório aprovado pela maioria da comissão aos órgãos responsáveis pela continuidade das investigações das fraudes contra aposentados e pensionistas. Os deputados e senadores levaram ao ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, a documentação, que detalha o esquema criminoso, pede o indiciamento de 130 pessoas e sugere mudanças legislativas para aumentar a fiscalização

“Ele recebeu a documentação e nos informou que ela será remetida a Polícia Federal e servirá como subsidio aos inquéritos já em curso. Ela vai ser incorporada ao trabalho que já esta sendo realizado e poderá chegar a resultados mais completos, especialmente em relação aos empréstimos consignados e à participação do Banco Master no esquema”, relatou o deputado Paulo Pimenta (PT-RS), coordenador da bancada na CPMI.

O relatório da maioria sistematiza meses de apuração, detalha a existência de um “ecossistema criminoso” que teria viabilizado o desvio de aproximadamente R$ 6 bilhões de aposentados e pensionistas. E demonstra que o esquema de descontos associativos indevidos e fraudes bancárias, como as relacionadas ao “Bolsomaster”, não decorreu de falhas isoladas, mas de uma consolidação estrutural iniciada entre 2016 e 2017 e intensificada a partir de 2021, a partir de mudanças normativas no INSS e nos Ministérios da Previdência e da Economia.

“Há um elo claro entre o esquema de fraudes com descontos associativos e a permissão de empréstimos consignados. A permissão para a atuação do Banco Master foi feita pelas mesmas pessoas que autorizaram as fraudes dos descontos”, disse o deputado Rogério Correia (PT-MG).

Conforme ficou demonstrado na CPMI, entidades fraudulentas firmaram convênios com o INSS entre os anos de 2017 e 2021, especialmente no governo Bolsonaro, com o objetivo de descontar valores de pensões e aposentadorias, sem a autorização expressa dos beneficiários. Isso foi possível porque autoridades nomeadas no governo passado baixaram normas permitindo a assinatura de acordos e dificultando a fiscalização pelos órgãos de controle.

Além disso, o governo Bolsonaro facilitou a celebração de convênios para concessão de empréstimos consignados, inclusive de pessoas que recebiam benefícios de prestação continuada.

O relatório da maioria é contundente ao listar provas de que mecanismos de fiscalização interna e protocolos de controle do INSS e da Dataprev foram deliberadamente fragilizados para permitir a atuação de associações e entidades financeiras. Com base nessas evidências, o documento solicita o indiciamento de 130 pessoas e defende o aprofundamento das investigações sobre outros 71 envolvidos, incluindo nomes do alto escalão da gestão anterior.

A iniciativa de levar o material diretamente à Polícia Federal, Controladoria-Geral da União, Procuradoria-Geral da República e ao Supremo Tribunal Federal visa superar obstáculos regimentais enfrentados na comissão, garantindo que as provas fundamentem novos inquéritos.

Foto – Thiago Coelho

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