O que Será?, por Beto Faro

No dia de hoje a essência da democracia se manifesta no Brasil com a soberania popular definindo o presidente da República para o período de 2027 a 2030.

É um dia de festa, pela graça de mantermos o regime democrático no Brasil, em que pese a tentativa de golpe pela extrema direita em janeiro de 2023. Os mesmos ‘indigentes políticos’ que hoje buscam retornar ao poder justamente pelas possibilidades permitidas pela democracia.

Mas, também, será um dia de muita tensão pela própria possibilidade dessa volta da extrema direita ao governo do Brasil -o que esperamos, não ocorra-, com as consequências funestas que isso representaria para a sociedade brasileira, em todas as esferas.

De fato, é uma tensão muito impactante para as brasileiras e os brasileiros conscientes e comprometidos com o futuro da democracia no nosso país.

Nesse contexto, em poucas horas a maioria do povo brasileiro decidirá entre duas alternativas. De um lado temos um candidato considerado a maior liderança popular da nossa história; com biografia reconhecida interna e externamente por seu comprometimento com as lutas pela democracia, contra as desigualdades e por um futuro de prosperidade para o Brasil.

De outra parte, temos um candidato sem história dignificante, que nunca trabalhou, conhecido apenas por ser filho de Jair Bolsonaro, pelas pregações das ideias e posturas mais nefastas da extrema direita, pelas  ligações com a milícia, e pelo empilhamento de denúncias de corrupção e outros delitos.

No plano mais imediato, está em jogo a efetividade da jornada 6×1; a valorização das liberdades individuais e de imprensa; da livre manifestação; da soberania nacional; o aumento real do salário mínimo; a continuidade do combate à pobreza, dos programas sociais, do desenvolvimento econômico, e da credibilidade internacional do Brasil. Será que optaremos pelo prometido ‘tesouraço’ que atingiria em cheio as conquistas antes colocadas? Chancelaremos o suprassumo do absurdo que seria uma Nação estrangeira na equipe de transição de governo? Libertaremos todos os golpistas incluindo o pai do presidente? Voltaremos a ser quintal dos EUA como desde sempre defenderam de modo explícito os membros da família Bolsonaro? Introduziremos a milícia na máquina pública? Deixaremos de lado todos os crimes de corrupção que são atribuídos a Flávio Bolsonaro? Enfim, não creio que optaremos pelo retorno do caos e dos retrocessos observados no Brasil de 2019 a 2022, e por replicar no nosso país a desconstrução de uma Nação como o faz o tal Milei na Argentina.

Porém, seja qual for a decisão hoje, esta deve ser respeitada, pois o povo é soberano. E reitero que se essa tragédia vier a ocorrer, seria uma tremenda estupidez a responsabilização do povo. Por mais humildes que sejam, as pessoas têm sensibilidade, consciência e inteligência. Ocorre que por conta das desigualdades no nosso país, milhões de cidadãos e cidadãs ainda de mantêm reféns dos crimes de manipulações nas redes sociais cometidos à exaustão pelo “exército da milícia” e por muitos veículos da mídia empresarial.

Temendo esse risco, multidões de brasileiros passaram a tomar as ruas em todos os cantos deste país, seguindo as mobilizações espontâneas da nossa juventude. Ao mesmo tempo, artistas e intelectuais de todas as áreas, lideranças empresarias, religiosas e públicas de um modo geral, tanto da direita como da esquerda, mas tendo em comum o apego à democracia, também passaram a inundar as redes sociais buscando alertar a população sobre as ameaças da volta da extrema direita. Rezo para que não ocorra. Porém, em caso desse infortúnio, as forças populares e democráticas não hesitarão em empregar toda a sua energia nas instituições e nas lutas sociais, fazendo uso das armas oferecidas pela democracia para impedir que o fascismo prospere e destrua o Brasil.

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