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A escolha, por Beto Faro

Senador questiona os riscos de subordinação do Brasil a interesses estrangeiros e destaca a importância de preservar a soberania nacional e as instituições democráticas

Alessandro Dantas

A escolha, por Beto Faro

Por mais que me esforce mesmo em alguns casos indigestos, não consigo ter raiva de ninguém. Como diria o saudoso e notável Tim Maia: eu não tenho raiva de ninguém; meu negócio é o amor! Mas tem fatos, situações ou processos na política que me dão medo; mais que isso, me apavoram.

O maior de todos, atualmente, seria a eventual eleição de Flávio Bolsonaro – que Deus livre o Brasil, as brasileiras e os brasileiros dessa hipótese! E não digo isso por ódio à pessoa do senador Flávio, mas por temer os efeitos para a gente brasileira da malevolência do projeto político que ele personifica e que já foi apresentado no governo do seu pai, com os resultados conhecidos.

Com toda a honestidade, esse sentimento não alcança os setores da direita democrática, ainda que obviamente me oponha com todas as energias aos pensamentos desse espectro ideológico. Tanto que respeito e mantenho diálogo com os liberais democráticos, o que sem dúvidas não é o caso da extrema direita brasileira e internacional.

Por exemplo, não estenderia as opiniões que aqui faço ao candidato Ronaldo Caiado do qual discordo por inteiro do projeto econômico e político que propõe para o Brasil, mas que jamais atacou as instituições democráticas.

Não adianta o candidato da extrema direita se colocar com pele de cordeiro nesse período de campanha eleitoral para ganhar votos, pois o Brasil já conhece o lobo por dentro.

Garanto que um governo bolsonarista, nesta quadra, iniciaria com a eclosão de uma crise institucional com consequências imprevisíveis. Alguém duvida que Flavio Bolsonaro, irmãos e entourage iriam buscar na marra o Bolsonaro, em prisão domiciliar, para a solenidade de posse do novo governo?

Creio que na eleição de presidente, neste ano, os eleitores brasileiros decidirão entre a manutenção de uma trilha para o desenvolvimento socioeconômico do Brasil, com soberania, democracia, sustentabilidade, justiça social, e dignidade internacional, e um projeto de rendição do país ao neocolonialismo da Doutrina Monroe na versão Trump. Neste caso, seriamos eternizados como quintal dos EUA conforme as pretensões de Marco Rubio; e assim relegados à exploração predatória dos nossos recursos naturais; e em permanentes tensões institucionais.

O Brasil todo sabe que isso não é especulação. Foi o próprio candidato, em gesto humilhante para o Brasil, quem ofereceu aos americanos assento na sua equipe de transição de governo.

Em 80 páginas entregues ao governo dos EUA, além de implorar para Trump adiar o tarifaço para depois das eleições por temer os efeitos eleitorais negativos da medida por conta do empenho da sua família pelo tarifaço, Flávio franqueou ao governo e aos capitas daquele país a exploração dos nossos minerais críticos e estratégicos entre outras promessas de submissão.

A propósito, em entrevista ao historiador Glenn Diesen, o coronel das Forças Armadas americanas, Laurence Wilkerson, ex-chefe de gabinete do Secretário de Defesa dos EUA fez um alerta ao presidente Lula sobre os riscos atuais para o Brasil impostos pelo governo dos EUA.

O coronel alertou que o Brasil é o único país que conta da América Latina, que enfrenta a estratégia de subordinação plena do hemisfério ocidental aos tentáculos do império.

O governo do presidente Lula tem reafirmado a profunda amizade que historicamente une o Brasil com os EUA, e que não abre mão da continuidade dessa relação amistosa. Mas, ao mesmo tempo, repudia o rebaixamento dessa relação para patamares que envolvem punições descabidas, falta de respeito, e ameaças às instituições e autoridades do país por parte de setores do governo dos EUA.

Enfim, vivenciamos momentos de grandes transformações e sensibilidade no Brasil e no mundo, e as escolhas de uma geração podem determinar os caminhos de muitas décadas. O Brasil está novamente diante de uma dessas escolhas neste ano de 2026.

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