Bancada do PT

Alegações da defesa são ‘pá de cal’ sobre acusações contra Lula

Senador@s reforçam provas que apartamento no Guarujá não é de Lula e reafirmam que ação judicial contra o ex-presidente é política
:: Carlos Mota21 de junho de 2017 18:50

Alegações da defesa são ‘pá de cal’ sobre acusações contra Lula

:: Carlos Mota21 de junho de 2017

A bancada de senadoras e senadores do PT foram à tribuna, nesta quarta-feira (21), reforçar as alegações finais apresentadas pela defesa de Lula no caso triplex do Guarujá. Ontem, advogados apresentaram provas comprovando que o imóvel jamais poderia ter sido do ex-presidente.

“O apartamento atribuído ao presidente, que teria sido repassado por uma empreiteira, jamais poderia ter sido dele. Isso porque, desde 2010, o imóvel tinha seus direitos econômicos vinculados a um fundo de investimentos controlado pela Caixa Econômica Federal”, explicou o líder da Oposição no Senado, Humberto Costa. Segundo ele, as alegações apresentadas pela defesa são uma “pá de cal” sobre o caso.

O tal apartamento fica no Edifício Solares, no município de Guarujá (SP). Segundo a defesa de Lula, o imóvel e outras unidades do prédio foram dadas pela OAS Empreendimentos em garantia de diversas operações financeiras. Entre elas, a cessão fiduciária, que tem como beneficiário o FGTS, administrado pela Caixa Econômica – algo confirmado, em nota, pela estatal.

A transferência de propriedade do imóvel, portanto, só poderia ser feito mediante a liberação de garantias. E, no caso da cessão fiduciária – uma transação firmada entre a OAS e a Caixa, a operação só seria concretizada com o depósito do valor do imóvel em conta específica indicada no contrato da empreiteira com o banco estatal, o que não aconteceu.

Para a senadora Fátima Bezerra (PT-RN), os integrantes da operação lava Jato “botaram na cabeça” que querem prender Lula a qualquer custo. “Querem, inclusive, passar por cima do Estado Democrático de Direito, na medida em que, para condenar alguém, tem que haver materialidade, tem que haver provas e não suposições, convicções, ilações como o promotor lá tem feito”, disse a presidenta da Comissão de Desenvolvimento Regional do Senado, se referindo ao promotor Deltan Dallagnol.

Perseguição política

A Bancada ainda reforçou a tese de que o caso triplex é uma perseguição política, que tem como objetivo impedir a candidatura de Lula à presidência da República em 2018.

O líder do PT no Senado, Lindbergh Farias, destacou que um pleito sem Lula, “sem o representante do campo popular”, não é uma eleição. “É uma fraude, uma farsa. Nós vamos denunciar isso internacionalmente. É um golpe continuado. Não pensem que, se fizerem essa loucura com o País, isso vai sair barato”.

Na mesma linha, o senador Jorge Viana (PT-AC) lembrou que o ex-presidente é lembrado com destaque em todas as pesquisas eleitorais. “E tomara que essa ação toda contra ele não seja apenas uma tentativa de impedir que o Lula siga ajudando o Brasil, eventualmente com uma candidatura”.

Medo de Lula

Também da tribuna do Senado, a presidenta do PT Nacional, Gleisi Hoffmann, criticou uma reportagem do jornal Valor Econômico sobre o medo de analistas de mercado de que as eleições de 2018 ameacem as reformas trabalhista e da Previdência.

Os tais analistas? Empresários e economistas que participaram de um evento promovido pelo Instituto Millenium. “O Instituto Millenium é da direita brasileira, Democratas, PSDB, desse pessoal que acha que o mercado decide tudo na vida das pessoas e que povo é um detalhe: está lá para cumprir estatística”, criticou Gleisi.

Uma das economistas entrevistadas pelo Valor, segundo a senadora, chegou a afirmar que a sociedade avalia que somente combater a corrupção é suficiente. “Existe o risco de que discursos populistas ganhem terreno, evitando o debate econômico. É exagero dizer que vamos repetir 2002, mas não consigo jurar de pé junto que não vamos. O grau de incerteza é muito grande, tem potencial de gente muito esquisita no ano que vem”, disse a economista. Em 2002, o presidente eleito foi Luiz Inácio Lula da Silva.

“É muito grave esse encontro do Instituto Millenium, dizer que o voto popular ameaça a estabilidade econômica e dizer que 2002 pode se repetir, quando eles colocaram um monte de mentiras – que o Lula seria incapaz de governar este País. Tanto foi capaz, que o PT ficou 13 anos no Poder. E, para tirar o PT, vocês tiveram que fazer um golpe de Estado, tiveram que fazer um golpe parlamentar, porque não ganharam nas urnas”, lembrou a presidenta do Partido dos Trabalhadores.

 

MULTIMÍDIA

A assessora legislativa da Liderança do PT no Senado, Tânia Oliveira, comenta as alegações finais apresentadas tanto pelo Ministério Público Federal quanto pela defesa de Lula no caso triplex:

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