Apresentação de Cerveró detalha negociação por Pasadena

 Ex-diretor da Petrobras refez, cronologicamente, processo decisório que antecedeu a compra da refinaria

:: Da redação26 de maio de 2014 19:51

Apresentação de Cerveró detalha negociação por Pasadena

:: Da redação26 de maio de 2014

O uso de um arquivo com gráficos e textos, na manhã desta quinta-feira (22), contribuiu para o ex-diretor da área internacional da Petrobras, Nestor Cerveró, esclarecer as circunstâncias da compra da Refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, pela empresa. Durante o depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras, o ex-executivo, que teve participação ativa na concretização do negócio, usou números oficiais, públicos e disponíveis nos balanços anuais da Petrobras, para provar que a transação, foi, isto sim, um acerto coletivo – veja documento no final do texto.

Como a Petrobras, maior empresa brasileira, tem seu capital aberto, com ações negociadas em bolsas de valores de todo o mundo, Cerveró apenas distribui didática e organizadamente, em uma sucessão de 50 lâminas, informações que estão ao alcance de qualquer pessoa, inclusive do exterior, e sem a necessidade de qualquer requerimento. O ex-diretor, funcionário da empresa desde 1974, orientou a exposição dos dados de forma cronológica, contextualizando, etapa a etapa, como foi o processo decisório que resultou na compra da refinaria.

Cerveró dá início à apresentação para esclarecer o porquê de a Petrobras comprar uma refinaria no exterior. Em seguida, se dedica a justificar a escolha de uma planta localizada nos Estados Unidos. “Conclusão: em 2005, comprar uma refinaria nos EUA e adaptá-la para processar petróleo brasileiro pesado, além de ser uma ação alinhada ao planejamento estratégico da Petrobras, era uma boa oportunidade de negócio”, escreveu o ex-diretor para concluir a primeira etapa do seu depoimento.

O sequência do documento, a partir da lâmina 15 do arquivo, fica reservada ao detalhamento da negociação para aquisição de metade da refinaria. Por meio de datas, numa sucessão que faz lembrar um diário, o ex-diretor usa 12 páginas para descrever detalhada e pacientemente os eventos que, em setembro de 2006, levaram à conclusão da aquisição pela Petrobras de 50% da Refinaria de Pasadena. A etapa seguinte tem a ver com o projeto de ampliação da planta industrial, processo que resultou, um ano depois, na dissolução da sociedade com a companhia Astra Oil.

A pendenga que levou fim à parceria teve fim em fevereiro de 2008, com a aquisição de metade das ações remanescentes da Refinaria de Pasadena. A lâmina 39 abre espaço para explicações sobre o contexto internacional para os negócios com petróleo entre 1991 e 2013 – neste período, conforme os dados apresentados por Cerveró, o mercado brasileiro de combustíveis cresceu 133%. Em seguida, o documento faz referência à descoberta das reservas do pré-sal, detalha as parcelas para composição do real preço de Pasadena para a Petrobras – US$ 1,233 bilhão – e revela o valor que a Astra Oil pagou pela refinaria: US$ 360,5 milhões. No encerramento, o ex-diretor explica as cláusulas put option e Marlim. Ou seja, nada a esconder.

Confira a apresentação de Cerveró

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