Mulheres na política

Augusta Brito lança “Guia da Candidata”, roteiro prático para mulheres que pretendem ingressar na política

Procuradora da Mulher no Senado e líder do PT, a senadora disse que objetivo é combater desigualdades estruturais

Alessandro Dantas

Augusta Brito lança “Guia da Candidata”, roteiro prático para mulheres que pretendem ingressar na política

À frente da Procuradoria da Mulher, Augusta Brito lançou Guia da Candidata

Em sessão especial no Senado Federal, a líder do PT e Procuradora Especial da Mulher, senadora Augusta Brito (PT-CE), lançou oficialmente o Guia da Candidata. A publicação foi concebida como um roteiro prático para mulheres que pretendem disputar cargos eletivos ou que desejam compreender os bastidores do poder, oferecendo ferramentas para enfrentar barreiras históricas de gênero, raça e classe. O material abrange desde orientações jurídicas e prestação de contas até estratégias de comunicação, informações de logística e de proteção política.

Durante seu pronunciamento, a senadora enfatizou que a política ainda não é um ambiente neutro e que o guia busca equilibrar o jogo democrático através do acesso à informação qualificada.

Augusta Brito destacou que a publicação oferece um caminho seguro para que as mulheres não enfrentem o processo eleitoral de forma isolada. “O Guia da Candidata foi elaborado para que nenhuma mulher entre nesse processo sozinha. A informação reduz riscos, amplia a autonomia e fortalece a capacidade de mulheres transformarem a política e ocuparem os espaços que, historicamente, lhes foram negados”, afirmou.

A parlamentar também rebateu questionamentos sobre a necessidade de um material segmentado, lembrando que mulheres enfrentam dificuldades maiores de acesso a financiamento e visibilidade, além de serem alvos frequentes de violência política. Ela reforçou que o guia é um instrumento de combate a essas desigualdades estruturais.

“A existência de um guia específico para mulheres se justifica porque a política não é neutra. Ela ainda é atravessada por desigualdades de gêneros, raça e classe, que impõem obstáculos concretos à participação feminina.”

A Procuradoria Especial da Mulher lançou em outubro passado o Zap Delas, canal de denúncias via WhatsApp (61 98309-0025) que já realizou mais de 300 atendimentos. A senadora vinculou o lançamento do guia ao fortalecimento das instituições e da própria democracia brasileira, defendendo que a presença feminina é a chave para decisões mais justas e representativas no país. “Reafirmo o compromisso de incentivar, proteger e dar visibilidade às candidaturas femininas, porque a democracia brasileira se fortalece quando mais mulheres participam ativamente das decisões do país”, disse.

O Guia da Candidata, que contou com o apoio da Liderança do PT, está disponível para consulta por temas, permitindo que a leitora se aprofunde em pontos como financiamento, segurança digital e redes de apoio psicológico, servindo como uma base sólida para as candidaturas competitivas que o partido e a Procuradoria pretendem fomentar nas próximas eleições.

A deputada Jack Rocha (PT-ES), coordenadora dos Direitos da Mulher, da Câmara Federal, disse que as mulheres têm participação ativa na elaboração de políticas públicas de defesa da infância e da adolescência, da saúde, e do trabalho decente, a despeito da desproporção entre homens e mulheres nos espaços políticos.

“Estamos com uma exposição na Câmara falando sobre os 200 anos do Parlamento. Nesses 200 anos de Parlamento, nós temos 13.421 representações dos homens, e nós temos 499 mulheres, ao longo dos 200 anos da existência do Parlamento brasileiro. Em 2026, dentro dos nossos dados estatísticos, nós mulheres, que somos 91 de 513, somos responsáveis por cerca de 44% da produção legislativa de toda a Casa”, exemplificou.

A ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, disse que o Guia é sobretudo um instrumento de convocação para que as mulheres ocupem os espaços cada vez mais de poder e de decisão. “Durante muito tempo, disseram que a política não é lugar para mulheres. E, quando as mulheres ousaram entrar na política, foram recebidas com muitas barreiras, com muitas desigualdades, constrangimentos e violência. E, ainda hoje, essas barreiras seguem de pé”, afirmou.

A ministra também destacou a abordagem diversa do Guia da candidata. “As mulheres não vivem os desafios da mesma maneira. Ele reconhece a pluralidade das experiências femininas no Brasil e fala também para mulheres indígenas, negras, quilombolas, periféricas, trans, do campo, das águas e de povos e comunidades tradicionais. Isso é essencial. A democracia só será verdadeira quando acolher de fato a diversidade das mulheres brasileiras”, sintetizou.

Sessão Solene Especial de Lançamento do Guia da Candidata, em alusão ao Mês da Mulher, com foco na prevenção e no enfrentamento à violência política de gênero.
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