Aumento da violência revela o modo de governar dos tucanos

José Dirceu disse PSDB não tem propostas ou iniciativas para enfrentar o problema.

 

:: Da redação26 de julho de 2012 16:45

Aumento da violência revela o modo de governar dos tucanos

:: Da redação26 de julho de 2012

Aumento da violência revela o modo burocrático, elitista e alienado de governar dos tucanos – Por José Dirceu

Devemos olhar com atenção o que ocorre com a questão da violência em São Paulo. O balanço da Secretaria de Segurança Pública divulgado ontem registrou o 4º aumento seguido nas estatísticas de homicídios na cidade de São Paulo. O semestre terminou com uma alta de 21,8% em relação ao mesmo período do ano passado. Só em junho foram 134 vítimas de homicídios dolosos. Um morticínio.

A questão da violência revela o modo burocrático, elitista e alienado de governar dos tucanos. Não há nenhuma proposta ou iniciativa de enfrentar o problema com a participação da sociedade e nem iniciativas que envolvam os poderes públicos, muito menos o país como um todo. O PSDB, seus deputados, senadores, lideranças, prefeitos e mesmo acadêmicos e intelectuais evitam a questão. Ou a encobrem com o silêncio.

Ao que tudo indica, o governador e o alto comando das polícias liberaram geral. O resultado é que a polícia se igualou ao crime organizado, matando indiscriminadamente como represália à morte de policiais e aos ataques as instalações públicas e meios de transporte. Enquanto escrevemos as notas para este blog, novos assassinatos são divulgados, numa hemorragia que o governo do Estado não consegue estancar.

Como tem denunciado as entidades de direitos humanos o governo perdeu o controle da tropa. Mais do que isso, estimulou a resposta de sempre: esquadrões da morte executando ‘criminosos’, ou seja suspeitos, muitas vezes informantes e ou cúmplices de esquemas criminosos que sobrevivem no aparato policial.

Num quadro tão desolador, é absolutamente necessário que a sociedade e as instâncias de outras esferas de governo relacionadas com o problema tomem iniciativas para levar adiante o debate sobre a questão, forçando o governo a prestar satisfação e, mais do que isso, cumprir com sua obrigação que é dar solução aos problemas. É para isso que foi eleito.

Diante dessa constatação, reforço o convite que já publicamos ontem neste blog para que as entidades de direitos humanos, familiares de pessoas inocentes que foram mortas e os cidadãos que pensam os problemas da sua região e do país compareçam hoje (5ª, 26/7), às 15 horas, ao auditório do Ministério Público Federal em São Paulo (Av. Brigadeiro Luiz Antônio, 2.020), em audiência pública convocada pelo MP e entidades de direitos humanos, para que o Governo do Estado preste satisfação sobre o que está acontecendo.

Os números do morticínio

Considerando o mês de junho e comparando-o com o mesmo mês do ano passado, houve uma elevação no nº de casos de homicídios dolosos (com intenção de matar) de 47%. Já o nº de vítimas cresceu 49% – 134 morreram assassinadas em 2012, contra 90 em junho do ano passado (há mais vítimas do que o número de casos registrados por causa dos assassinatos múltiplos, como nos casos de chacinas, por exemplo). Junho foi o mês mais violento na capital paulista nos últimos dois anos. Só perde para março de 2010, quando foram registrados 125 casos de homicídio. 

As estatísticas confirmam a “escalada da violência” que ocorre na Grande SP, reconhecida há dois dias pelo secretário de segurança pública, Antônio Ferreira Pinto. E marcada, principalmente, por ataques a policiais e a bases da PM, incêndios em ônibus e mortes de suspeitos em supostos confrontos com a polícia. No semestre, foram 586 homicídios dolosos de janeiro a junho, contra 482 no mesmo período de 2011. O nº de vítimas chegou a 622 (aumento de 21,2%).

Governador: tapando o sol com a peneira

Ao comentar essas estatísticas da violência, o governador Alckmin disse: “Não tenho a menor dúvida de que os indicadores vão cair. Tem que preservar esse trabalho. Nós vamos investir fortemente em policiamento, treinamento, tecnologia, eficiência policial, e vai passar. Agora, nós não podemos ter medo de reação de criminoso. Então se a polícia não tivesse sido dura e firme contra o tráfico de drogas, inclusive na ponta, não teria tido a reação que tivemos dos criminosos nos últimos 15, 20 dias”. 

Sobre essa fala do governador, trata-se de um autêntico “tapar o sul com a peneira”. É uma repetição do que já ouvimos em outras ocasiões. Sobre essa falta de políticas e a repetição do descaminho, leiam a análise do especialista em segurança pública Guaracy Mingardi, publicada aqui mesmo no blog:

Governo de SP deveria ter dado resposta rápida aos arrastões”.

Artigo publicado no Blog do Zé