Ausente na CPI, oposição depende da imprensa

Nenhum parlamentar do DEM ou do PSDB está presente na sala da comissão durante depoimento do ex-presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli

:: Da redação20 de maio de 2014 14:00

Ausente na CPI, oposição depende da imprensa

:: Da redação20 de maio de 2014

CPI da Petrobras: transmissão ao vivo,
repórteres de jornais, tevês, rádios, sites,
repórters fotográficos, mas ninguém da
oposição

Apesar de ausente na sala onde o ex-presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, presta depoimento à CPI da Petrobras sobre a aquisição pela companhia da refinaria de Pasadena, no Texas (EUA), em 2006, a oposição pode acompanhar a relato do executivo pela ampla cobertura da imprensa.

A TV Senado transmite pelo canal interno e pela internet e a cobertura jornalística das demais tevês mobilizou mais de 25 jornalistas até o momento para acompanhar o primeiro depoimento de todos os previstos para a comissão. Nada menos do que dez redes de televisão estão presentes na comissão, assim como repórteres de jornais, tevês, rádios e sites, e ainda produtores, cinegrafistas e repórteres fotográficos.

Na última reunião da CPI da Petrobras, o senador Cyro Miranda (PSDB-GO) disse aos jornalistas, sem cerimônia, que seu partido iria apenas acompanhar os trabalhos da comissão. Esse senador ficaria na comissão e depois relataria o que viu para os membros do partido. “Queremos uma CPI mista”, repetiu diversas vezes.

O interessante é notar que o PSDB mudou seu discurso, porque a CPI em funcionamento atende ao requerimento tão defendido da oposição. Acontece que, ao recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que a CPI investigasse só Pasadena, a oposição foi atendida por meio de uma decisão monocrática da ministra Rosa Weber, que concordou com as argumentações de que a CPI – do Senado – deveria fazer uma investigação política apenas de quatro fatos determinados.

Esses fatos determinados dizem respeito à investigação de supostas irregularidades na compra da refinaria de Pasadena; ao lançamento ao mar de plataformas inacabadas; às denúncias de que funcionários da Petrobras teriam recebido propina da SBM Offshore – o que foi negado pela própria empresa –; e ao superfaturamento na construção de refinarias.

Não satisfeita com essa decisão, a oposição – PSDB e DEM – cobra uma CPI mista, com a presença de deputados e senadores, sob o pretexto de que todos merecem participar da investigação. O próprio líder do PSDB no Senado, Aloysio Nunes (PSDB-SP), em entrevista para os jornais, disse que o objetivo é fazer sangrar. Em outras palavras, traduzidas pelo líder do PT, senador Humberto Costa (PT-PE), isso quer dizer o seguinte: “a oposição quer fazer um palanque político. E quem defende uma CPI mista não quer investigar nada”, afirma.

Marcello Antunes

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