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Auxílio Brasil não paga nem cesta básica para milhões de famílias

Em 12 das 17 capitais pesquisadas pelo Dieese, já não é possível comprar o mínimo de alimentos
Auxílio Brasil não paga nem cesta básica para milhões de famílias

Foto: Roberto Parizotti/Agência PT

As críticas de lideranças do PT à inação do desgoverno Bolsonaro para cuidar das famílias mais pobres desde que a pandemia eclodiu, em 2020, se comprovam na prática. O Auxílio Brasil de R$ 600 pago por Jair Bolsonaro, que em julho equivalia a R$ 491,72, já não compra sequer uma cesta básica em 12 das 17 capitais pesquisadas periodicamente pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

A Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos do Dieese até registrou queda do valor do conjunto dos alimentos básicos em 16 das 17 capitais, entre julho e agosto. No entanto, no acumulado de 2022, o custo da cesta básica aumentou em todas as cidades, com destaque para Belém (14,00%), Aracaju (12,87%) e Recife (12,35%).

A comparação do valor da cesta entre agosto de 2021 e agosto de 2022 também mostra que todas as capitais apresentaram alta de preço. No período, as variações oscilaram entre 12,55%, (Porto Alegre) e 21,71% (Recife).

Nas 12 regiões metropolitanas onde o auxílio é insuficiente para comprar uma cesta básica, 2,4 milhões de famílias enfrentam esse problema. São Paulo, a cidade mais rica do país, também apresenta o maior contingente de famílias nessa situação (700 mil).

Famílias como a de Claudia di Silverio, moradora da favela de Paraisópolis, que passou a receber em julho o Auxílio Brasil de R$ 600. “Esse dinheiro de R$ 400 não dá o mês inteiro, e R$ 600 ajuda um pouco mais. Mas, como as coisas estão tão caras, vai ser bem difícil”, disse a mãe de duas crianças ao portal G1.

“Eu acho que R$ 800 daria pra amenizar um pouco mais, mas não ia ficar tranquilo”, ressalta ela. “Na verdade, é só para ter alimentação mesmo. Para poder comprar as coisas pras crianças, infelizmente não consegue fazer muita coisa, mas também não vai faltar”, comenta Claudia, que faz um “bico” cuidando de um idoso da região.

“Os R$ 600 (do Auxílio Brasil) não são suficientes para a pessoa que mora na região metropolitana de SP comer o suficiente e ter as calorias necessárias, por isso que tem a volta da fome”, analisa Naercio Menezes, coordenador da Cátedra Ruth Cardoso e professor do Insper, no G1. “Eu defendo os valores diferenciados porque o custo de vida é diferente”, conclui o pesquisador.

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