BC diz que é preciso manter a inflação sobre severa vigilância

Ata do Copom lembra que o efeito das ações de política monetária não é imediato.

:: Da redação23 de janeiro de 2014 12:24

BC diz que é preciso manter a inflação sobre severa vigilância

:: Da redação23 de janeiro de 2014

Os efeitos da política monetária – que atua sobre os preços com o objetivo de manter a inflação sob controle não são imediatos. Por isso, o Comitê de Política Monetária (Copom) optou por elevar em meio ponto percentual a taxa básica de juros da economia – taxa Selic. Como a resistência da inflação “tem se mostrado ligeiramente acima daquela que se antecipava”, o Banco Central preferiu se manter vigilante. Esse foi o tom da ata divulgada nesta quinta-feira (23), referente ao encontro realizado na semana passada, que elevou a Selic para 10,5% ao ano.

Ou seja, o colegiado do Banco Central (BC) incorporou ao documento o comentário feito pelo presidente da instituição, Alexandre Tombini, sobre o resultado do IPCA em 2013, uma indicação de que a taxa básica de juros subiria na reunião de janeiro, como ocorreu. “Tendo em vista os danos que a persistência desse processo causaria à tomada de decisões sobre consumo e investimentos, na visão do Comitê, faz-se necessário que, com a devida tempestividade, o mesmo seja revertido. Dessa forma, o Copom entende ser apropriada a continuidade do ritmo de ajuste das condições monetárias ora em curso”, salientou no documento.

No ano passado, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e considerado a “inflação oficial” do país, somou 5,91%. Com isso, ficou acima do patamar registrado em 2012 (5,84%).

Pelo sistema que vigora atualmente no Brasil, o Banco Central precisa calibrar os juros para atingir as metas preestabelecidas, tendo por base o IPCA. Para 2014 e 2015, a meta central de inflação é de 4,5%, com um intervalo de tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. Desse modo, o índice pode ficar entre 2,5% e 6,5%, sem que a meta seja formalmente descumprida.

Juros
Desde abril do ano passado, o Banco Central vem promovendo o aumento gradual da taxa básica de juros (Selic) da economia brasileira, para tentar conter a inflação. Naquela época, a Selic estava em 7,25% ao ano, e acabou sofrendo sete elevações consecutivas, até chegar aos 10,5% ao ano em janeiro. Ao todo, a alta dos juros, desde abril do ano passado, somou 3,25 pontos percentuais.

O Banco Central também avaliou na ata do Copom, que a elevada variação do IPCA nos últimos 12 meses contribui para que a inflação ainda mostre certa resistência. O BC acrescentou, ainda, que o IPCA “tem se mostrado ligeiramente acima daquele que se antecipava”.

“Nesse contexto, inserem-se também os mecanismos formais e informais de indexação [sistema de reajuste de preços, como salários e aluguéis, de acordo com os índices oficiais de variação dos preços] e a percepção dos agentes econômicos sobre a dinâmica da inflação. Tendo em vista os danos que a persistência desse processo causaria à tomada de decisões sobre consumo e investimentos, na visão do comitê, faz-se necessário que, com a devida tempestividade, ele seja revertido. Dessa forma, o Copom entende ser apropriada a continuidade do ritmo de ajuste das condições monetárias ora em curso”, informou a ata da última reunião do BC.

Giselle Chassot, com Banco Central e agências de notícias

 

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