ARTIGO

Beto Faro: de novo, o Oriente Médio

Conflito eleva tensões globais, encarece combustíveis e projeta incertezas sobre o cenário econômico

Alessandro Dantas

Beto Faro: de novo, o Oriente Médio

Apesar de focado, no momento, na desafiadora tarefa de relatar a Medida Provisória nº 1.323 de 2025, que trata do seguro defeso para os pescadores artesanais, até para dar um respiro, optei neste artigo, por voltar a abordar os acontecimentos que ocorrem no oriente médio. É óbvio que há uma perigosa escalada do conflito que já afeta muito significativamente a economia global e, claro, a economia brasileira.

Gente graduada não descartam que o prosseguimento da escalada e eventual ampliação do conflito possa, no limite, resultar em consequências desastrosas para a humanidade na esfera militar. A armadilha do status de existencial ardilosamente usado por Israel para atacar de forma impiedosa o Irã, em conjunto com os EUA, poderá, isto sim, constituir ameaça existencial real para o mundo.

Na opinião de especialistas americanos graduados da área de segurança, que já exerceram funções estratégicas na estrutura de poder daquele país, a decisão insensata de agredir o Irã, além de descolada dos interesses dos EUA constituiu ato de rendição ao lobby neocon-sionista liderado pelo primeiro-ministro de Israel que conta com amplo apoio nas instituições americanas.

Fato é que a agressão iniciou com os ataques matando cerca de 200 meninas de uma escola de Teerã e, desde então, produziram chuvas de milhares de bombas supostamente sobre alvos militares e de infraestrutura crítica.

Pela propaganda do ocidente a capacidade militar do Irã já teria sido dizimada. Contudo, tanto o regime iraniano se mantém intacto, como o seu poder militar parece até crescente, conforme os atos recentes dos iranianos com a destruição de muitos alvos em países do golfo e Israel.

Os mesmos especialistas advertem que o Irã sequer utilizou os seus fantásticos mísseis balísticos, de alta precisão, impossíveis de serem derrubados por voarem à velocidade MACH 3 ou 4.

Enquanto isso, de novo, em contraste com os discursos do presidente Trump, os EUA estariam com muitas dificuldades para a reposição dos seus insumos de guerra. Isso poderia levar alguns anos.

Com a resiliência do Irã e do seu regime, e não sabendo mais onde bombardear alvos militares, EUA e Israel limitam-se, tragicamente, a ações de assassinatos de lideranças iranianas, destruição de infraestrutura civil e bombardeio da população.

Em resumo, a crise no setor de energia se propaga mundo afora com regiões como a Europa com a segurança energética ameaçada ao ponto de, no desespero, os governos europeus estarem cogitando articulação com Moscou para o reatamento do abastecimento do gás russo. Quem diria!!!

O gás já dobrou de preço e no fechamento deste artigo o petróleo já custava 112 dólares/barril.

Aqui no nosso país, o governo do presidente Lula vem adotando medidas diversas no esforço hercúleo de tentar minimizar os impactos da crise no país. Zerou PIS/COFINS sobre importações e taxou as exportações de óleo. Mas os movimentos especulativos nesse setor, provavelmente estimulados pela expectativa de desgastes ao Lula oportunizam o ano eleitoral para “atearem fogo” nos preços do diesel e da gasolina. Nessa toada, a maioria dos governadores sequer aceita discutir a redução do ICMS sobre os combustíveis exceto com o repasse dos custos da desoneração para o governo federal.

Enfim, tem gente por aqui que de forma irresponsável aposta no quanto pior melhor com a guerra no oriente médio. Para quem duvida, basta lembrar que há pouco tempo o filho zero qualquer coisa e alguns dos seus “parças” mudaram para os EUA com o propósito exclusivo de articular tarifaços e outras punições ao Brasil pelo governo dos EUA. O Brasil e o seu governo obviamente não estarão blindados dos piores efeitos do conflito. Mas, aqueles que apostam em tirar proveito político disso esquecem que, em contrapartida, os desgastes e outras consequências para Trump nos EUA pela aloprada decisão de atacar o Irã sem alcançar os seus propósitos certamente terá repercussões no nosso país que não contribuirão em nada com os sonhos da extrema direita.

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