Retrospectiva

Bolsonaro tentou enganar o Brasil com conto da Cloroquina

A bancada do PT no Senado se posicionou diversas vezes, ao longo do ano, sobre a insistência de Bolsonaro em defender o medicamento como a “salvação de todos os males”.
:: Da redação17 de dezembro de 2020 18:32

Bolsonaro tentou enganar o Brasil com conto da Cloroquina

:: Da redação17 de dezembro de 2020

Desde o início da pandemia, em março de 2020, o presidente Jair Bolsonaro tomou uma série de medidas políticas, administrativas e de comunicação para tentar convencer a população brasileira de que a cloroquina era a droga da cura para a Covid-19.

Mesmo sem qualquer comprovação científica dos efeitos da cloroquina e da hidroxicloroquina no combate à doença, Bolsonaro afastou dois ministros – médicos por formação – do Ministério da Saúde, na queda de braço para garantir a utilização da medicação pelo Sistema Único de Saúde.

No dia 16 de abril, Luiz Henrique Mandetta foi demitido da pasta pelo presidente, depois das divergências públicas entre os dois sobre a importância do isolamento social, e a negativa do ministro em autorizar o uso da cloroquina.

A nomeação de Nelson Teich para o cargo foi oficializada no mesmo dia. Mas Teich ficou menos de um mês à frente do Ministério, saindo no dia 15 de maio. Ele e o presidente discordaram sobre os mesmos temas: uso da cloroquina e medidas de isolamento.

As mudanças ministeriais aconteceram em plena pandemia, e outras medidas foram tomadas na tentativa de indicar o tratamento à base da cloroquina.

General do Exército, Eduardo Pazuello assumiu interinamente o Ministério da Saúde em maio, e somente em setembro se efetivou no cargo, após 122 dias sem titular à frente do combate ao coronavírus. A posse de Pazuello foi marcada pela defesa da cloroquina e crítica ao isolamento social.

Outro ministério foi envolvido na defesa do uso da cloroquina. O Laboratório Químico e Farmacêutico do Exército brasileiro produziu, até final do mês de julho, 3 milhões de comprimidos de cloroquina 150 mg, de acordo com informações do Ministério da Defesa.

Com tamanha produção estocada, o ministério da Saúde tentou, no final de setembro, realizar uma espécie de “Dia D” de enfrentamento à Covid-19. O evento, a princípio marcado para um sábado, 3 de outubro, consistiria na abertura de Unidades Básicas de Saúde (UBS) para passar orientações sobre o “tratamento precoce” e medicar pacientes com a cloroquina. Depois de muitas manifestações públicas contrárias, a ação foi cancelada.

Ao longo do ano, a bancada do PT no Senado se posicionou diversas vezes sobre a insistência de Bolsonaro em defender o medicamento como a “salvação de todos os males”.

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https://ptnosenado.org.br/discurso-da-cloroquina-cria-falsa-esperanca-contra-o-coronavirus/

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