Brasil recebeu, na semana passada, forte fluxo de capitais

Esse foi um dos maiores dos últimos tempos e indica confiança dos investidores estrangeiros no País.

:: Da redação27 de janeiro de 2014 13:20

Brasil recebeu, na semana passada, forte fluxo de capitais

:: Da redação27 de janeiro de 2014

Uma boa notícia chegou à presidenta Dilma Rousseff em meio à sua participação no Fórum Econômico Mundial, em Davos: o Brasil recebeu na semana passada um forte fluxo de capitais, um dos maiores dos últimos tempos. No momento em que a Argentina enfrenta forte crise cambial e os indicadores econômicos na China são fracos, o Brasil recebeu um volume de recursos que há muito não entrava no País. O cenário levou investidores a fazer vendas maciças de ativos derrubando bolsas e moedas de economias emergentes.

Segundo reportagem publicada nessa segunda-feira (27) pelo jornal Valor Econômico, ainda é cedo para se apostar em entrada maciça de recursos ou fuga de recursos de países com problemas econômicos para o Brasil. Mas a avaliação é que o volume, a ser divulgado nos próximos dias, ilustra a diferenciação no grupo dos emergentes e provaria que o Brasil está bem em meio às turbulências atuais.

Essa visão é apoiada por relatório semanal do Instituto Internacional de Finanças (IIF), que representa os maiores bancos do mundo. O documento, lido com atenção por importantes personalidades da área financeira em Davos, avalia o cenário de forte aversão a risco que manteve pressão sobre moedas de emergentes e dólar mais valorizado (1,7% neste ano).

Elogios à política monetária
Para o IIF, fatores domésticos tiveram um papel central nos casos da Argentina e da Turquia, cujas moedas tiveram os declínios mais dramáticos nos últimos dias. O instituto avalia que o Brasil e a Indonésia foram capazes de responder às tensões atuais nas condições econômicas globais com elevação da taxa de juros – ou seja, com boa condução da política monetária e atravessam melhor a “segunda onda” do choque ligado à retirada gradual, pelos Estados Unidos, das políticas de estímulo monetário (quantitative easing) – o primeiro choque ocorreu em maio do ano passado, quando o Federal Reserve (Fed), o banco central dos EUA, sinalizou que começaria a retirar os estímulos.

A presidente Dilma recebeu outra cifra em Davos: o montante final do Investimento Direito Estrangeiro (IDE) no Brasil em 2013 alcançou US$ 64 bilhões, ou US$ 4,1 bilhões a menos que em 2012. O volume de investimento deve manter o país entre os que mais atraem esse tipo de capital no mundo.

Entre importantes personalidades, em Davos, o sentimento era de que não faz sentido juntar o Brasil com Turquia ou África do Sul entre os mais afetados pela crise na Argentina, como o jornal britânico “Financial Times” publicou em manchete no sábado.

O país vizinho está deslocado dos mercados. Do ponto de vista financeiro, sua crise cambial não deve causar problemas maiores para o Brasil. A avaliação, entre participantes do Fórum de Davos, é a de que só alguns incautos vão tentar ganhar dinheiro comparando os dois países.

Em contrapartida, a Argentina é um grande mercado para a indústria brasileira. Um ajuste no câmbio dificulta para os argentinos a compra de mais produtos brasileiros. Ao mesmo tempo, se o ajuste pode ajudar a equilibrar o comércio, eventualmente deve superar problemas que têm atrapalhado seriamente as relações bilaterais.

Enquanto o Brasil sinaliza que está mais confortável que outros emergentes, Turquia e Índia não escondem o temor de que a ação futura do Federal Reserve diminua bastante os fluxos de liquidez necessários para financiar déficits em conta corrente e dívidas de curto prazo.

Como insistiram vários executivos globais em Davos, o Brasil continuará a ser destino de capitais, até porque vai crescer mais que a média dos mercados industrializados.

Com informações do Valor Econômico

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