Carnaval: mais que festa, um motor econômico com retorno superior ao da indústria tradicional

Humberto Costa e Teresa Leitão apoiam investimentos na indústria do carnaval. Ganhos vão além do turismo e dos dias de festa

Ivan Melo / PCR

Carnaval: mais que festa, um motor econômico com retorno superior ao da indústria tradicional

Símbolo do Carnaval Pernambucano, o Galo da Madrugada ajuda a girar a economia da folia

O Carnaval brasileiro consolidou-se não apenas como a maior manifestação cultural do país, mas como um dos pilares mais dinâmicos da economia nacional. Segundo a renomada economista ítalo-americana Mariana Mazzucato, o investimento público em artes e cultura gera um retorno para a sociedade superior ao de setores tradicionais da indústria manufatureira, como a automobilística.

Em entrevista à Agência Brasil, Mazzucato, que lidera uma pesquisa da University College London (UCL) em cooperação com a Unesco, destacou que para cada real investido no setor cultural no Brasil, o retorno por meio de empregos e renda pode chegar a R$ 7,59. Em comparação, o mesmo investimento na indústria de automóveis e caminhões gera um impacto multiplicador de R$ 3,76. “A evidência está aí. O investimento em cultura contribui muito mais para a economia do que grande parte da indústria tradicional”, afirmou a economista, que defende o Carnaval como o centro de uma plataforma para expandir a economia criativa no país.

A análise de Mazzucato vai além dos números de turismo, hotéis e consumo de bebidas. Ela enfatiza o impacto social e a coesão comunitária gerada pelas escolas de samba e blocos, que funcionam o ano todo como centros de formação de habilidades e redes de proteção social, ajudando inclusive na redução da criminalidade entre jovens.

Esse impacto é sentido com força em todo o território nacional. O senador Humberto Costa (PT-PE) corrobora a tese de Mazzucato, ressaltando a eficiência dos recursos aplicados na festa. “O Carnaval é mais um exemplo da potência da nossa cultura e da capacidade que ela tem de gerar emprego e renda. A relação é quase de R$ 1 investido para R$ 8 de retorno. Nosso governo tem investido vivamente para que seja uma enorme festa, mas também uma oportunidade de renda para muita gente”, destacou o senador.

Pernambuco é um dos estados onde essa engrenagem econômica gira com maior intensidade. A senadora Teresa Leitão (PT-PE), autora da lei que tornou o Carnaval pernambucano uma manifestação da cultura nacional, apresentou dados impressionantes sobre a última edição da festa. Segundo a parlamentar, em 2025, a folia atraiu mais de 2,3 milhões de turistas ao estado, gerando um impacto econômico de aproximadamente R$ 3,3 bilhões.

“O Carnaval pernambucano movimenta a economia do estado com um crescimento de 10% em relação ao ano anterior, especialmente concentrado na Região Metropolitana do Recife”, afirmou a senadora, reforçando que a festa é um ativo estratégico para o desenvolvimento regional.

O Papel do Estado Empreendedor

Para Mazzucato, o desafio atual não é se o Estado deve investir, mas como deve investir para evitar a concentração de renda e garantir que os patrocínios retornem para as comunidades que criam a festa. Ela alerta que, enquanto setores como a defesa e o agronegócio recebem vultosos subsídios sem questionamentos fiscais rígidos, a cultura ainda enfrenta a falsa narrativa de “falta de dinheiro”.

Com um impacto anual superior a US$ 2 bilhões em receita e a capacidade de transformar territórios vulneráveis, o Carnaval pode posicionar o Brasil como um líder global na economia do bem-viver e da criatividade.

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