Segurança

CCJ aprova relatório de Rogério Carvalho para PEC da Segurança Pública

Proposta do governo Lula constitucionaliza o Sistema Único de Segurança Pública e está pronta para votação no Plenário

Alessandro Dantas

CCJ aprova relatório de Rogério Carvalho para PEC da Segurança Pública

Texto de Rogério cria condições para integração entre forças policiais dos estados e da União

A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado Federal aprovou o parecer favorável do relator, senador Rogério Carvalho (PT-SE), à Proposta de Emenda à Constituição 18, de 2025, conhecida como a PEC da Segurança Pública. Com a deliberação na comissão, a matéria segue agora para apreciação do Plenário do Senado Federal.

De iniciativa do Poder Executivo e já aprovada previamente com alterações pela Câmara dos Deputados, a proposta reformula a governança do setor, constitucionaliza o Sistema Único de Segurança Pública (SUSP) e o Sistema de Políticas Penais, amplia as atribuições da Polícia Rodoviária Federal (PRF), autoriza a criação de polícias municipais e endurece o regime penal contra o crime organizado.

Em seu relatório, o senador Rogério Carvalho ressaltou a urgência de uma mudança estrutural na arquitetura constitucional da segurança pública para combater a expansão do crime organizado.

“A segurança pública hoje enfrenta grave crise causada, sobretudo, pela expansão do domínio territorial, da violência, de mercados ilegais explorados por facções criminosas. O pacto federativo em matéria de segurança pública trazido pela Constituição de 1988 mostrou-se frágil: seu modelo altamente descentralizado, em que a política de segurança foi conduzida pelos governos estaduais sem qualquer tipo de governança ou diálogo interfederativo, teve o efeito de permitir que facções, gestadas inicialmente no interior dos presídios estaduais e enraizadas em territórios vulnerabilizados, tornassem-se problema até mesmo de política internacional”, analisou.

O senador pontuou ainda que a PEC responde à necessidade de articular as forças estatais em vez de dividi-las. “A PEC da Segurança Pública é resultado deste diagnóstico: é preciso colocar os entes federados e as forças de segurança pública para colaborarem entre si, não para competirem. Qualquer governança nesta matéria depende de ampla disposição para a cooperação entre os entes federados, suas forças e outros órgãos do sistema de justiça”, frisou. A PEC segue agora para votação em dois turnos no Plenário do Senado, onde precisará do apoio de pelo menos três quintos dos senadores (49 votos) para ser promulgada ou retornar à Câmara, caso haja alterações de mérito.

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