"Nova" política

Clã Bolsonaro inaugura a “paternocracia”

"O posto brasileiro mais importante no exterior será ocupado pelo filho do presidente, que comemorou 35 anos ontem. O que ele tem no currículo?", questionou o líder do PT no Senado, senador Humberto Costa (PE)
:: Fernando Rosa12 de julho de 2019 13:02

Clã Bolsonaro inaugura a “paternocracia”

:: Fernando Rosa12 de julho de 2019

A indicação para o posto de embaixador do Brasil nos Estados Unidos é um presente do chefe do clã, Jair Bolsonaro, ao filho que completou 35 anos ontem. Em troca, também noticiam os jornais, o presidente norte-americano, Donald Trump, “cogita nomear o filho Eric embaixador no Brasil”. No caso do Brasil, 35 anos é a idade mínima exigida para o exercício da função. A confirmação da indicação abre a porta para um nepotismo de “novo tipo” – a paternocracia.

“O posto brasileiro mais importante no exterior será ocupado pelo filho do presidente, que comemorou 35 anos ontem. O que ele tem no currículo?”, questionou o líder do PT no Senado, senador Humberto Costa (PE). “Colocou o boné de Donald Trump na cabeça e é fã do grande intelectual Olavo de Carvalho”, respondeu. E completou: “Eduardo Bolsonaro fura uma fila extensa de postulantes ao cargo e deixa o nepotismo no ar”.

O “indicado pelo papai”, no entanto, se considera capacitado para a função já exercida por importantes nomes da chancelaria brasileira. Segundo matéria da Folha de S. Paulo, Eduardo Bolsonaro argumentou que já fez intercâmbio nos Estados Unidos e também “fritou hambúrguer no frio do Maine”. O filho de Jair Bolsonaro disse que recebeu o apoio do ministro das Relações Exteriores, chanceler Ernesto Araújo.

 

 

“Já fiz intercâmbio, já fritei hambúrguer lá nos EUA, no frio do Maine, estado que faz divisa com o Canadá. No frio do Colorado, numa montanha lá, aprimorei meu inglês. Vi como é o trato receptivo do norte-americano para com os brasileiros. Então acho que é um trabalho que pode ser desenvolvido”, disse o candidato que precisa ser sabatinado e aprovado pela Comissão de Relações Exteriores e pelo plenário do Senado Federal.

Segundo a imprensa, o gesto do chefe do clã desgasta o discurso do governo sobre a “nova política”. Sem questionar o mérito da indicação, o ministro da Secretaria de Governo, general Luiz Eduardo Ramos, reconheceu que o anúncio de Eduardo Bolsonaro causou polêmica. “Poderia ter anunciado semana que vem? Talvez, durante o recesso parlamentar”, concordando com o novo constrangimento que a foram submetidas chancelaria e a cúpula militar.

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