Habitação

Com Minha Casa, Minha Vida, mercado imobiliário bate recordes de lançamentos e vendas em 2025

Pesquisa mostra crescimento de 18,6% no quarto trimestre de 2025, na comparação com o mesmo período de 2024, impulsionado pelo programa habitacional

Ricardo Stuckert

Com Minha Casa, Minha Vida, mercado imobiliário bate recordes de lançamentos e vendas em 2025

Impulsionado pelo Programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), o mercado imobiliário fechou 2025 com recordes no número de unidades lançadas e vendidas, o valor geral de lançamentos e a quantidade de novas unidades do programa. É o que aponta a pesquisa Indicadores Imobiliários Nacionais, da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC)

O levantamento foi elaborado pela Comissão da Indústria Imobiliária (CII/CBIC) em e o Sesi Nacional e parceria com a Brain Inteligência Estratégica. E acompanhou o desempenho em 221 municípios, em todos os estados brasileiros, incluindo as capitais e 21 regiões metropolitanas.

“O mercado imobiliário brasileiro mostrou toda a sua robustez em 2025. A demanda se sustentou no ano mesmo diante de um cenário de juros elevados, mostrando que o déficit habitacional ainda persiste, que o brasileiro está em busca constante pela realização do sonho de ter sua casa própria”, analisa o presidente-executivo da CBIC, Fernando Guedes Ferreira Filho.

Com o lançamento de 133.811 unidades, o Brasil teve crescimento de 18,6% do mercado no quarto trimestre em comparação ao trimestre anterior No acumulado de 12 meses, o aumento foi de 10,6%, registrando 453.005 unidades lançadas. Em 2025, o mercado imobiliário brasileiro registrou um valor geral de lançamento (VGL) de R$ 292,3 bilhões, montante 10,6% superior ao registrado em 2024. Tanto o dado trimestral quanto o anual de lançamentos representam recordes, assim como o VGL registrou o maior valor histórico.

Além do crescimento do número de lançamentos, houve aumento de 5,4% no volume de vendas e de 6,2% na oferta final de unidades. Também houve um aumento de 8% da oferta, fechando o ano passado com 347.013 unidades.

Minha Casa, Minha Vida

O Minha Casa, Minha Vida, registrou crescimento em todos os indicadores e períodos comparados. Os lançamentos, vendas e oferta final tiveram desempenho superior no quatro trimestre de 2025 quando comparados ao terceiro trimestre e ao mesmo período do ano anterior. O fechamento anual mostra crescimento de 13,5% nos lançamentos, 15,9% nas vendas e 17,6% na oferta.

Ao todo, o MCMV respondeu por mais da metade das unidades verticais lançadas no último trimestre do ano passado, com 69.188, maior marca para o programa no período. Outro recorde diz respeito às unidades vendidas, que atingiram a marca de 53.145 no período.

No balanço anual, o Minha Casa, Minha Vida atingiu a 224.842 unidades lançadas e 196.876 vendidas, com participação majoritária da região Sudeste, que concentra cerca de 42% da população brasileira, conforme dados do último censo do IBGE.

“O MCMV se consolidou como importante pilar do mercado. O programa ampliou participação nos principais mercados do país, chegando a responder por 52% dos lançamentos e 49% das vendas no quarto trimestre de 2025”, comenta o vice-presidente de Indústria Imobiliária a CBIC, Ely Wertheim.

O conselheiro da CBIC e diretor de economia do Secovi-SP, Celso Petrucci, reforça que as cidades objeto do levantamento respondem aproximadamente por 2/3 do mercado imobiliário brasileiro e que as entregas do último trimestre representaram 30% do ano. “Se fizermos a média diária, chegamos ao número de 1.215 unidades novas vendidas por dia, sendo 312 apenas em São Paulo”, pontua

A pesquisa também traz dados quanto à intenção de compra de imóvel nos próximos 24 meses. O cenário mostra 50% dos entrevistados inclinados à compra, sendo que 37% destes ainda não iniciaram a busca, 8% já iniciou buscas online e 5% já visita imóveis. O principal motivo da compra é sair do aluguel, seguido por mais espaço e por sair da casa dos pais.

Fernando Guedes Ferreira Filho avalia que a projeção da demanda potencial permanece elevada e cita fatores como o elevado grau de intenção de compra, a expectativa de queda na taxa básica de juros (Selic) e a melhora nas condições de crédito.

“Nesse contexto, a própria meta do governo de alcançar 3 milhões de unidades contratadas no MCMV até o final do ano sinaliza um ritmo forte de contratações e reforça a sustentação da demanda, especialmente com a garantia de orçamento do FGTS”, disse.

Números

O programa habitacional do Governo Federal alcançou resultados históricos em 2025. No ano, o programa contou com orçamento recorde de cerca de R$ 180 bilhões.

O programa já contratou mais de 1,9 milhão de unidades desde 2023, com investimento público superior a R$ 300 bilhões e atualmente a meta é chegar a 3 milhões de moradias contratadas no final de 2026, 50% a mais que meta original.

Na cidade de São Paulo, maior do País, o Minha Casa, Minha Vida respondeu por 62% dos lançamentos e 63% das vendas de janeiro a outubro de 2025, de acordo com o Secovi-SP, sindicato de empresas do setor de habitação em São Paulo. O setor de construção civil cresceu 2% no terceiro trimestre em comparação com o mesmo período de 2024, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A geração de empregos com carteira assinada na construção civil foi de 192.176 em 2025 até novembro, com aumento de 6,73% sobre o mesmo período de 2024, segundo dados do Novo Caged. No total, a quantidade de trabalhadores com carteira assinada no setor em novembro era de 3.049.483.

Famílias com renda até R$ 4,7 mil, das Faixas 1 e 2, foram priorizadas, com contratações e financiamentos de mais de 661 mil unidades habitacionais ao todo, até o início de dezembro de 2025. O programa destinou recursos recordes para reduzir o déficit habitacional, beneficiando grupos vulneráveis.

As contratações resultaram em um investimento superior a R$ 36,2 bilhões por meio do Orçamento Geral da União (OGU), enquanto os financiamentos somaram para R$ 57,2 bilhões, com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

Também foi criado, em 2025, a faixa 4 do Minha Casa, Minha Vida, para famílias com renda mensal acima de R$ 8.600 até R$ 12 mil, que estavam sem opção de financiamento. A nova faixa financia imóveis novos ou usados de até R$ 500 mil, com juros de 10% ao ano e prazo de 420 meses. Até o início de dezembro de 2025, haviam sido beneficiadas 25.191 famílias por meio desta novidade, representando um investimento de R$ 6,6 bilhões.

Para 2026, o orçamento recorde do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para habitação é de R$ 144,5 bilhões. Somado a demais fontes de recursos, será maior ainda. Além disso, o teto do subsídio por família no programa sobe para R$ 65 mil.

Em 2026, também passa a valer o novo conjunto de ajustes nos tetos dos valores dos imóveis financiáveis pelo Minha Casa, Minha Vida. A decisão atualiza os limites de valores dos imóveis nos municípios com população acima de 750 mil habitantes e aqueles entre 300 mil e 750 mil habitantes.

Nas capitais regionais com mais de 750 mil habitantes, o novo teto chega a R$ 260 mil, representando uma elevação de 4% em relação ao valor anterior. Enquanto nas metrópoles de mesma população, o aumento foi de 6%, representando R$ 270 mil. Nas metrópoles e capitais regionais com população entre 300 mil e 750 mil habitantes, o limite passa a ser de R$ 255 mil, um valor 4% maior.

Agência Gov

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