Promiscuidade judicial

Conversas apontam que conluio da Lava Jato envolvia o TRF-4

A troca de informações sigilosas entre Dallagnol e Gebran é indício de “conduta criminosa no degrau de cima”, define o senador Humberto Costa
:: Cyntia Campos12 de julho de 2019 17:47

Conversas apontam que conluio da Lava Jato envolvia o TRF-4

:: Cyntia Campos12 de julho de 2019

Novas revelações dos diálogos de integrantes da Operação Lava Jato apontam que a conduta criminosa dessas autoridades também acontecia no “degrau de cima”.

Conversas inéditas divulgadas nesta sexta-feira (12) pela Revista Veja, em parceria com The Intercept Brasil indicam que o procurador Deltan Dallagnol também combinava o jogo com o desembargador João Pedro Gebran Neto, do Tribunal Federal da 4ª Região (TRF-4), corte onde correm em segunda instância os processos decorrentes da Lava Jato.

Promiscuidade
“Os diálogos agora revelados mostram que a promiscuidade entre as autoridades da Lava Jato também alcança o TRF4, onde Lula teve sentença aumentada”, avalia o líder do PT no senado, Humberto Costa (PE). A troca de informações sigilosas entre Dallagnol e Gebran é indício de “conduta criminosa no degrau de cima”, define o senador.

Quando foi julgado pela turma de desembargadores do TRF-4 integrada por Gebran, Lula teve a pena aumentada no caso do triplex do Guarujá.

“Provas fracas”
Os trechos de conversas divulgados nesta sexta-feira tratam de Adir Assad, condenado por Sergio Moro a nove anos e dez meses de prisão por atuar como operador de propinas da Petrobras e de governos estaduais.

Cinco meses antes do julgamento do caso de Assad em segunda instância no TRF4 Deltan Dallagnol disse aos colegas, no grupo privado da Lava Jato no aplicativo de mensagens Telegram: “O Gebran tá fazendo o voto e acha provas de autoria fracas em relação ao Assad”.

Dias depois, em conversa com o procurador Carlos Augusto da Silva Cazarré, da força-tarefa da Procuradoria Regional da República da 4ª Região, Dallagnol reitera sua preocupação com a a possibilidade de Gebran absolver o condenado, com quem a força tarefa da Lava Jato negociava um acordo de delação.

“Sondar absolvição”
Pelo aplicativo de mensagens, Dallagnol pede ao procurador da 4ª Região: “Cazarré, tem como sondar se absolverão assad? (…) se for esse o caso, talvez fosse melhor pedir pra adiar agilizar o acordo ao máximo para garantir a manutenção da condenação…”, escreveu Dallagnol.

Cazarré responde: “Olha Quando falei com ele, há uns 2 meses, não achei q fisse (sic) absolver… Acho difícil adiar”, responde Cazarré.

“Evitar ruído”
Na sequência, Dallagnol volta a citar Gebran: “Falei com ele umas duas vezes, em encontros fortuitos, e ele mostrou preocupação em relação à prova de autoria sobre Assad…”. Dallagnol termina pedindo ao colega que não comente com Gebran o episódio do encontro fortuito “para evitar ruído”.

Desde o dia 9 de junho, o site de notícias The Intercept Brasil vem divulgando conversas entre integrantes do Ministério Público Federal, Polícia Federal e o ex-juiz Sergio Moro que caracterizam um conluio entre autoridades responsáveis pela investigação e acusação, no âmbito da Lava Jato, e o então juiz Sergio Moro, responsável pelo julgamento das ações decorrentes dessa operação.

Combinações entre julgador e acusação são estritamente proibidas pela lei brasileira.

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