CPI: em dia de ausências, parlamentares fazem reunião administrativa

:: Da redação3 de julho de 2012 15:33

CPI: em dia de ausências, parlamentares fazem reunião administrativa

:: Da redação3 de julho de 2012

Nenhum dos depoentes convocados para depor nesta terça-feira (03/07) à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Cachoeira compareceu à reunião. Um apresentou atestado médico, outros dois não foram localizados e uma simplesmente não apareceu para depor, embora não tivesse qualquer justificativa ou instrumento legal para protegê-la.

A “gazeteira” é Ana Cardoso de Lorenzo, sócia da empresa Serpes Pesquisas de Opinião e Mercado. Contratada pela campanha de Marconi Perillo ao governo de Goiás, a empresa teria recebido o pagamento em cheques da empresa Alberto & Pantoja Construções e Transportes, apontada como uma das empresas do grupo de Cachoeira. 

 

O presidente da CPMI, deputado Vital do Rêgo (PMDB-PB) relatou que o advogado de Ana Lorenzo apresentou uma petição à Comissão nessa segunda-feira (02/07) solicitando seu não-comparecimento. “Eu indeferi, porque não havia qualquer motivo ou instrumento jurídico que justificasse a ausência”, disse. Ainda assim, a convocada não compareceu e deve ser reconvocada e até, trazida à força.

 

Joaquim Gomes Thomé Neto, que seria um dos “arapongas” do grupo do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, apresentou um atestado médico, explicando que foi submetido a um procedimento cirúrgico para corrigir um entupimento de coronárias e colocação de um stent. A cirurgia teria ocorrido no dia 26 de junho e, portanto, o depoente não poderia comparecer.

 

Outros convocados, o ex-presidente do Detran de Goiás, Edivaldo Cardoso de Paula, que aparece em ligações interceptadas pela Polícia Federal em conversas com integrantes do grupo e teria sido indicado para o cargo pelo próprio Cachoeira, está em viagem e não foi notificado.

 

Finalmente,  Rosely Pantoja da Silva, sócia da Alberto & Pantoja também não pôde ser notificada. De acordo com o relato do presidente da CPMI, nem mesmo seus familiares sabem onde ela se encontra. Ele disse que pedirá à Polícia Federal que localize a convocada e ainda assegurou que todos os quatro serão novamente chamados a depor.

 

Mudança de rito 

Antes de encerrar a sessão desta terça-feira, Vital do Rêgo convocou os parlamentares que integram a CPMI – um de cada partido – para uma reunião administrativa em sua sala. No encontro, devem ser debatidas alternativas para modificar o procedimento a ser adotado quando os depoentes, embora presentes, se recusam a falar.

 

A questão já foi debatida em duas reuniões anteriores e deve ser submetida à votação no plenário da Comissão na próxima quinta-feira.

 

Alguns parlamentares defendem a tese de que o silêncio não deve significar a imediata dispensa das testemunhas, como tem ocorrido até agora.

Esse grupo acredita que as perguntas elaboradas pelos deputados e senadores devem ser todas feitas, independentemente de a testemunha ter habeas corpus ou qualquer outra decisão judicial ou orientação que lhe permita ficar em silêncio.

 

Outro tema em debate nesta terça-feira foram as novas convocações, que também devem ser definidas na reunião da próxima quinta-feira (05/07). Boa parte dos presentes voltou a insistir na imediata convocação do

ex-presidente da empreiteira Delta, Fernando Cavendish e do ex-diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) Luiz Antônio Pagot. A convocação já foi adiada pelos parlamentares no último dia 14.

 

O ex-presidente da Delta, uma das principais empreiteiras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) teria afirmado nas gravações interceptadas pela polícia que é possível comprar políticos. Há indícios de que a empreiteira atuava em parceria com o grupo de Cachoeira. Já o ex-diretor do Dnit, Luiz Antonio Pagot, tem se colocado à disposição da CPI para falar sobre a atuação da Delta e as relações da empresa com agentes públicos.

Também foi debatida a possibilidade de reconvocação do próprio Cachoeira e também do prefeito de Palmas, Raul Filho, que apareceu em um vídeo, divulgado neste fim de semana, em conversa com Cachoeira. As imagens, feitas em 2004, durante a campanha que elegeu o petista ao cargo, foram encontradas na casa do ex-cunhado do bicheiro. Na gravação, os dois estão acompanhados por assessores e o então candidato diz a Cachoeira que tem um “projeto de poder no Tocantins”. “Palmas é um estágio”, diz, ao que o bicheiro demonstra interesse.

Em entrevista coletiva na segunda-feira, o prefeito reconheceu que Cachoeira teria financiado um show durante a sua campanha. Porém, disse não ver “imoralidade” em receber a ajuda, já que conversou com o bicheiro enquanto estava na função de candidato.

 

O prefeito disse, ainda, que viu Cachoeira apenas uma vez, no encontro em Anápolis (GO), após ser apresentado ao bicheiro pelo seu amigo, Silvio Roberto. “Ele falou que iria ajudar com o show. O show era bastante? Sim. Agora, daí pra cá, eu não tive mais contato com ele”, disse o prefeito. O requerimento para chamar Raul Filho para depor também deve ser votado nesta quinta-feira.

 

Alguns parlamentares defenderam a realização de uma sessão nesta quarta-feira (04/07) para definir as novas convocações, mas Vital do Rego explicou que, a pedido do presidente da Casa, os parlamentares devem se concentrar na votação do parecer do relator do caso Demóstenes na Comissão de Constituição e Justiça. A previsão é de que o debate tome todo o dia.

 

Giselle Chassot

 

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