CPMI do esquema Cachoeira aprova a convocação de 51 pessoas

A CPI quebrou sigilo da Delta Centro-Oeste, do ex-diretor, Cláudio Abreu, e de Dadá, ex-sargento da Aeronáutica preso.

CPMI do esquema Cachoeira aprova a convocação de 51 pessoas

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que investiga as relações do contraventor Carlinhos Cachoeira com políticos e empresários aprovou nesta quinta-feira (17/05) uma longa série de requerimentos: 51 pessoas foram convocadas para depor sobre suas relações com o contraventor e 36 quebras de sigilo foram aprovados. Alvo de polêmica e muita discussão, a quebra de sigilo da empresa Delta foi aprovada. Mas só no que se refere às subsidiárias da empresa e suas operações na Região Centro-Oeste e Tocantins.

 

Entre os alvos das 36 quebras de sigilo estão o ex-diretor da Delta Construções, Cláudio Abreu; e Idalberto Matias de Araújo, o Dadá, ex-sargento da Aeronáutica preso pela operação Monte Carlo da Polícia Federal, sob acusação de ser informante e braço direito de Cachoeira. A CPI também quer ter acesso a informações bancárias, telefônicas e fiscais de Geovani Pereira da Silva, suposto contador responsável pela movimentação de todo o dinheiro da organização chefiada por Cachoeira.

 

Foram chamados para depor a ex-mulher do contraventor, Andréa Aprígio, e o ex-cunhado, Adriano Aprígio. Também foram chamados o pai de Cachoeira Sebastião de Almeida Ramos, e o irmão, Marcos Antonio de Almeida Ramos. Outros membros do grupo de Cachoeira foram chamados para depor. Os delegados da Polícia Federal, Fernando Byron e Deuselino Valadares dos Santos, também foram chamados.

Entre os requerimentos aprovados também estão os que pedem a presença do irmão do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO), o procurador Benedito Torres.

A CPI também chamou o chefe de gabinete do governador Agnelo Queiróz do Distrito Federal, Claudio Monteiro.

Quebras de sigilo
A quebra do sigilo bancário, fiscal e telefônico de diversas empresas vinculadas ao esquema do contraventor também foi aprovada nesta sessão. Os parlamentares também vão requisitar informações ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) da movimentação de várias empresas e pessoas.

A Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga o contraventor Carlos Augusto também pede aos Ministérios da Justiça e das Relações Exteriores sobre todas as viagens internacionais feitas pelo contraventor e pelo senador Demóstenes Torres nos últimos dez anos. O requerimento foi apresentado pelo deputado Miro Teixeira (PDT-RJ). Outro pedido aprovado foi o sequestro de todos os bens móveis e imóveis de Cachoeira, ainda que em poder de terceiros, citados nas Operações Vegas.

A próxima reunião da CPMI, marcada para terça-feira (22/05), a cúpula do esquema montado por Cachoeira. 

Lista

A relação completa de documentos da CPMI e dos requerimentos apresentados e já votados até agora está na página do Senado na internet, no link

Alguns dos pedidos de quebra de sigilo aprovados nesta quinta-feira:

* Ideal Segurança: empresa com sede em Goiás e usada para lavar dinheiro. Segundo a PF, pertence a Cahoeira e a um ex-delegado da Polícia Federal

* Brazilian Gaming, empresa de Cachoeira apontada como de fachada e proprietária de outra empresa, também de fachada, a Larami Diversões.

* Vitapan Farmacêutica: laboratório de Cachoeira com sede em Anápolis. Por causa dele, Cachoeira e integrantes de sua quadrilha teriam feito lobby junto à Anvisa para obtenção de licenças e renovações de medicamentos;

* Brava Construções e Terraplenagem: considerada pelas investigações uma empresa de fachada, criada exclusivamente para receber dinheiro sujo da Delta.

* Alberto e Pantoja: A exemplo da Brava, também seria de fachada. Segundo a PF, têm o mesmo endereço: um prédio numa cidade-satélite de Brasília onde existe uma oficina mecânica.

* Bet Capital: empresa da qual Cachoeira é sócio, com sede no exterior, usada também para movimentação financeira ilegal fora do Brasil.

Alguns dos pedidos de convocação aprovados nesta quinta-feira:

* Giovani Pereira da Silva, contador de Cachoeira;

* Gleyb Ferreira da Cruz, acusado de ser ajudante próximo de Cachoeira, principalmente em relação a assuntos financeiros da quadrilha;

* Idalberto Matias de Araújo, sargento da reserva da Aeronáutica, acusado de espionagem e de alertar sobre operações contra o jogo e de cooptação de policiais;

* Andréa Aprígio de Souza, ex-mulher de Cachoeira e acusada de ser laranja do contraventor, escondendo recursos e patrimônio obtidos com os crimes;

* Roberto Copolla: argentino sócio da Larami Diversões, considerado laranja usado para interferir em licitações no Paraná.

* Vladimir Garcez Henrique: ex-vererador e ex-presidente da Câmara Municipal de Goiânia, pego em escutas telefônicas e acusado de relações próximas com o contraventor;

* Rosalvo Cruz, outro suposto contador de Carlos Cachoeira.

 

Giselle Chassot com Agência Senado
 

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