Maioridade penal

Debate sobre maioridade penal está contaminado por quem perdeu as eleições, afirma Teresa Leitão

Senadores petistas confrontaram bancada da extrema direita, que tentou aprovar redução da maioridade na marra, sem o debate sobre os seus efeitos

Alessandro Dantas

Debate sobre maioridade penal está contaminado por quem perdeu as eleições, afirma Teresa Leitão

Teresa: oposição quer contaminar debate sobre maioridade penal

Os senadores do PT foram à tribuna nesta quarta-feira (04/11) para desmontar a narrativa da oposição bolsonarista que busca tumultuar o calendário de votações no Senado nos últimos meses do ano. Senadores da extrema direita quiseram incluir a votação de projeto de redução da maioridade penal na sessão de ontem, quando foi aprovada – por unanimidade – a proposta de emenda à Constituição que reorganiza o sistema de segurança pública, com integração entre União, estados, Distrito Federal e municípios. A manobra foi rejeitada pelo voto dos senadores em Plenário.

“Esse debate da maioridade penal está sendo absolutamente contaminado, não por posições sobre o tema propriamente dito, mas por posições vinculadas ao processo eleitoral”, denunciou a líder do Governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE).

Como a Câmara dos Deputados avalia proposta sobre a redução da maioridade penal, a decisão legítima do Senado foi aguardar a deliberação da outra Casa do Congresso, sem prejuízo do compromisso assumido pelo presidente Lula em campanha, de que o país estava maduro para avaliar a flexibilização da idade de 18 anos para a punição penal no caso de crimes hediondos (extremamente graves).

“O presidente Lula disse o quê? ‘Eu defendo que a PEC da segurança pública seja aprovada separadamente sem emendas, e o debate da redução da maioridade penal seja feito à parte’. Ele não disse, nem ninguém da base dele disse, que a redução da maioridade penal precisava ser aprovada no dia 4 de novembro de 2026 – porque é isso que está sendo dito aqui, como se isso fosse rasgar um programa de governo”, acrescentou a líder.

Teresa lembrou que há muitas questões envolvendo a redução da maioridade, que justificam uma avaliação cuidadosa da matéria. “Cabe a nós avaliar, analisar se mantemos ou alteramos essas leis em outras circunstâncias que a dinâmica social nos leve a fazer, mas não podemos fazê-lo com autoritarismo, não podemos fazê-lo com imposições, não podemos fazê-lo com ameaças”.

Enquanto isso, acrescentou a senadora, a oposição se furta a debater temas fundamentais para o país, como a destinação dos recursos públicos, a implementação do Plano Nacional de Educação, a ampliação do SUS, entre outros. “Nós não somos autoritários; nós temos a autoridade do voto, a autoridade do povo. E é dessa maneira que nós vamos debater a redução da maioridade penal, considerando o debate que está sendo feito na Câmara. Se for bom, a maioria aprova; se não for, a maioria rejeita”, resumiu Teresa Leitão.

No mesmo debate, o senador Jaques Wagner (PT-BA) ressaltou a complexidade do tema, sobre o qual há muitas opiniões entre juristas e especialistas em segurança e em questões da infância e adolescência. “O Congresso Nacional, dialogando com o Poder Executivo e com a sociedade, está caminhando para uma mudança na questão da maioridade penal, apesar de alguns constitucionalistas entenderem que é direito individual e, portanto, cláusula pétrea, que só poderia ser modificada por uma nova Constituição. Mesmo os que defendem a redução da maioridade sabem que ela não é a solução definitiva para tudo. Ela pode contribuir, mas a solução é usar a articulação federal, estadual, municipal e internacional no combate ao crime organizado e às facções. Isso é o que vai resolver definitivamente”, argumentou.

O senador Randolfe Rodrigues (PT-AP) reforçou o entendimento de que deve ser respeitada a tramitação do tema na Câmara dos Deputados, “até o dia 1º de dezembro”. “Parece-me que há uma angústia para fazer oposição, mesmo uma semana depois dos resultados. Parece-me que há um aperreio para se contraditar com o Governo, para atacar e para ofender o Governo, mesmo tendo passado menos de uma semana do resultado das eleições”, apontou Randolfe Rodrigues.

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