Delcídio: Empresa de Logística pode resolver gargalos na infraestrutura no MS

:: Da redação19 de abril de 2013 16:50

Delcídio: Empresa de Logística pode resolver gargalos na infraestrutura no MS

:: Da redação19 de abril de 2013

 

Delcídio preocupa-se com a resolução das
malhas rodoviárias, ferroviárias e hidroviárias
do País para garantir o escoamento da
produção

Os desafios na área de transporte e logística que o Brasil precisa vencer para garantir a competitividade de sua produção foram objeto da análise do senador Delcídio do Amaral (PT-MS), em pronunciamento ao plenário na última quinta-feira (18), ele enfatizou a urgência da articulação dos diversos modais de transporte, arranjo no qual as ferrovias jogam um papel fundamental. “O acesso é absolutamente fundamental para garantir competitividade, o escoamento de nossas cargas”, lembrou o senador, que destacou a necessidade de atrelamento das ferrovias com os portos marítimos e com as hidrovias, como é o caso do Rio Paraguai.

Delcídio mostrou-se otimistas com os projetos da Empresa de Planejamento e Logística (EPL), criada pelo Governo Federal para estruturar o planejamento do setor para o Mato Grosso do Sul. São projetos essenciais para desatar o nó logístico enfrentado pelo estado no escoamento de sua produção agrícola e mineral.

Um desses projetos diz respeito à antiga ferrovia Noroeste do Brasil, atualmente concedida à América Latina Logística (ALL). O senador relatou que essa ferrovia está em “condições absolutamente precárias” de funcionamento, com 90% de ociosidade e graves problemas de manutenção nos dormentes e trilhos, por exemplo. A situação da ferrovia já foi objeto de Termo de Ajustamento de Conduta, que obrigaria a concessionária a resolver os problemas, mas até o momento as providências não avançaram. “Se existe uma privatização malfeita, que já começou errada desde o início, foi o arrendamento da malha viária da antiga Noroeste do Brasil”, protestou o senador. 

“Não é possível que uma ferrovia tão importante, com um desenho fundamental para escoamento da nossa produção, para barateamento dos nossos fretes, fique nessa situação”, afirmou Delcídio. A antiga Estrada de Ferro Noroeste do Brasil foi construída no início do século passado, com cerca de 1.600 quilômetros de extensão, ligando Bauru (SP) a Corumbá (MS), na fronteira com a Bolívia.

Os desafios de logística vividos pelo Mato Grosso do Sul, porém, vão além da necessidade de revitalização da histórica ferrovia, lembra Delcídio. Ele cita o impacto do congestionamento dos ramais ferroviários em torno da cidade de São Paulo sobre o transporte das cargas que vão do Centro Oeste para o Porto de Santos, um dos principais pontos de escoamento da produção agrícola da região. Para o senador, a conclusão do

Ferroanel Metropolitano de São Paulo é um projeto que deve ser tratado com prioridade.

“Muitas composições que vêm do Centro-Oeste, da área que potencialmente representa a grande produção agrícola do nosso País, chegam a São Paulo e precisam disputar os espaços dessa via férrea com o transporte de passageiros. Portanto, muitas composições precisam esperar

trem_do_pantanal

  O trem do Pantanal parte da ferrovia Noroeste,
  segundo Delcídio, está em condições precárias

para descer ao Porto de Santos”, explicou Delcídio. “Esse é um desafio importante, como também é o desafio do  livre acesso de composições de terceiros à malha ferroviária, normalmente administrada por concessões, cuja responsabilidade não é só da ALL, mas também de outras companhias brasileiras como a Vale do Rio Doce, por exemplo”.

Para assegurar a integração entre os modais de transporte, o senador destacou a necessidade de correções no leito do rio Paraguai, garantindo a navegabilidade da hidrovia durante todo o ano. Atualmente, nos períodos de seca, bancos de areia travam a navegação no rio, prejudicando o escoamento da produção de minério e aumentando o custo de produção em Corumbá. A extração de ferro, manganês e calcário exerce um papel importante na economia do município, terra natal do senador.

Projetos estratégicos
Além de destacar esses pontos que precisam de intervenção urgente, Delcídio fez questão de demonstrar seu otimismo em relação aos projetos debatidos com a Empresa de Planejamento e Logística que terão impacto decisivo sobre o desenvolvimento de mato Grosso do Sul. Ele citou a construção do ramal da Ferrovia Norte/Sul que chegará a Dourados, além da possibilidade de extensão dos trilhos até Três Lagoas e Porto Murtinho, onde seria feito o transbordo das barcaças vindas de Corumbá, facilitando o escoamento do minério para outros portos brasileiros.

“Essa ferrovia é fundamental, porque não escoa só minério, mas também soja e o milho, além do etanol”. Mato Grosso do Sul, que já é o quarto produtor de etanol no Brasil deverá ser o segundo, em cinco anos, lembrou Delcídio. “A riqueza proporcionada pelo etanol é importante não só sob o ponto de vista da produção de combustível, mas também sob o ponto de vista da utilização do bagaço de cana para a geração de energia”.

Delcídio também destacou o projeto de uma ferrovia entre o Paraná e o Mato Grosso do Sul, correndo próxima á fronteira com o Paraguai, passando pelo município de Mundo Novo, e os leilões previstos para a concessão de trechos da rodovia BR-163, que corta o estado de norte a sul, interligando-o com Mato Grosso e o chegando até o Pará. “A partir do momento em que a BR-163 vier a ser duplicada, nós vamos ter outro quadro, outro cenário rodoviário também no nosso Estado”. O senador também citou o projeto de melhoramento da rodovia BR-262, que liga Corumbá a São Paulo.

“Temos uma expectativa muito grande de garantir esses investimentos para o nosso estado”, afirmou Delcídio. “É a logística que vai consolidar Mato Grosso do Sul como um Estado de integração com as unidades federativas mais importantes do Brasil, como também com os países vizinhos, proporcionando acesso ao Oceano Pacífico, economizando distâncias, reduzindo fretes”. Com essa logística, garantiu o senador, o estado ajudará a produzir comida mais barata para os brasileiros e para as brasileiras.

Ele lembrou que no enfrentamento desses desafios “o Governo Federal tem sido um grande parceiro de Mato Grosso do Sul. O governo do presidente Lula, o governo da presidenta Dilma, governos republicanos, independentemente das disputas e dos partidos, sempre foram generosos e olharam o Mato Grosso do Sul com extrema atenção, com extremo cuidado, reconhecendo a importância do nosso Estado no concerto da Federação brasileira”.

Cyntia Campos

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