Delcídio lembra 34 anos do Mato Grosso do Sul

:: Da redação11 de outubro de 2011 12:40

Delcídio lembra 34 anos do Mato Grosso do Sul

:: Da redação11 de outubro de 2011

O SR. DELCÍDIO DO AMARAL (Bloco/PT – MS. Pela Liderança. Sem revisão do orador.) – Srª Presidenta, Srªs e Srs. Senadores, eu estou vindo aqui, para falar sobre Mato Grosso do Sul.
Mato Grosso do Sul amanhã faz 34 anos de idade, fruto da divisão do antigo Mato Grosso em Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. E, sem dúvida nenhuma, Srª Presidenta, essa divisão fez muito bem ao meu Estado!
O meu Mato Grosso do Sul é um Estado jovem, um Estado que faz fronteira com dois países da América do Sul, países importantes nesta integração que todos nós buscamos, que é o Paraguai, que é a Bolívia.
Mato Grosso do Sul é um Estado mesopotâmico, porque tem o rio Paraguai de um lado e o rio Paraná do outro.
É um Estado rico, Presidenta Senadora Ana Amélia, com terras ricas, terras de muito boa qualidade. É um Estado com uma topografia atraente, é um Estado que é bastante plano, portanto cria as condições especialmente para a agricultura mecanizada. Tem montanhas também, tem o complexo de Urucum, que é um complexo mineral, com minério de ferro, manganês, ali na divisa com a Bolívia. Tem serras ao norte do Estado, na região de Coxim, na região lá de São Gabriel do Oeste.
E, coincidentemente, eu estou falando hoje sobre o Mato Grosso do Sul, e V. Exª preside a sessão do Senado. Quero registrar que nós tivemos uma colaboração muito grande dos gaúchos. Os gaúchos têm papel preponderante na economia do nosso Estado. Nós temos cidades novas, cuja cultura é absolutamente do Rio Grande do Sul, como Chapadão do Sul, como a própria São Gabriel e outros municípios também.
Então, os gaúchos, os sulistas, os catarinenses, de certa maneira também os paranaenses, são povos que nos ajudaram muito nessa caminhada. Muito, muito. E nós temos uma honra muito grande e uma alegria muito grande de tê-los vivendo ali e ali criando os seus filhos.
Mato Grosso do Sul, como eu vinha dizendo, Srª Presidenta, Srªs e Srs. Senadores, é um Estado primeiro com uma terra muito boa; plano em alguns locais, em outros locais com serras fantásticas, uma topografia extremamente atraente e que se coaduna bem, se encaixa muito bem com o desenvolvimento econômico e social do Estado.
É importante registrar que a minha região é a região do pantanal, um dos biomas mais fantásticos existentes na Terra. E ali nós temos um exemplo claro de produção com sustentabilidade, que é a pecuária.
O meu Estado, onde eu nasci, onde tive a honra de nascer, é um Estado que começou com agricultura e pecuária. E hoje, em função de uma série de ações de governadores que passaram por lá, com apoio das suas bancadas, com o apoio da Assembleia Legislativa, da sociedade organizada, começou a diversificar a sua economia, trazendo outros investimentos, tornando-se menos vulnerável a este binômio soja e pecuária.
Junto com a soja e o milho, que V. Exª conhece muito bem, nós entramos agora intensamente na produção de açúcar e de etanol – há muitas usinas se instalando. Nós entramos também intensamente na questão de florestas plantadas, que é um segmento de extrema relevância para a economia brasileira. Atrelado a isso, temos a produção não só de móveis, mas também a produção de papel, de celulose.
Há projetos siderúrgicos não só na região do bolsão, mas na minha região, lá no pantanal, aproveitando o minério de ferro riquíssimo lá de Urucum.
São investimentos que efetivamente diversificam a nossa economia.
É a geração de energia a partir da biomassa; são pequenas centrais hidrelétricas; o gás natural. Eu me lembro de quando eu era diretor da Petrobras e diziam: “O Mato Grosso do Sul é só um corredor, é só uma passagem, única e exclusivamente, do gasoduto”. Hoje, o gasoduto representa cerca de 24% a 25% do ICMS do nosso Estado – cobrado em Corumbá, a minha cidade. Hoje, o gasoduto viabilizou a geração de usinas a gás natural em Campo Grande, no centro de carga do Estado; em Três Lagoas, agora com um ciclo combinado, para aumentar ainda mais a eficiência do ciclo térmico, garantindo energia para o nosso Estado.
O nosso Estado, Senadora Ana Amélia, era um Estado simplesmente com linhas de transmissão de 138 kV, vindas da Cesp, e, chegando em Campo Grande, essa energia era distribuída. Agora, estão chegando os linhões de 230 kV. Ou seja, trazendo confiabilidade, trazendo qualidade ao suprimento de energia e tornando a energia do nosso Estado, que era uma das mais caras do Brasil, Senador Flexa, uma energia competitiva.
Portanto, esse é um Estado que vai se construindo ao longo do tempo. Um Estado com um potencial turístico simplesmente extraordinário. Lá temos Bonito, com as suas águas calcárias. Um passeio simplesmente inesquecível e um dos melhores – eu que, graças a Deus, tive oportunidade de trabalhar em diversos lugares no mundo. Bonito é uma coisa absolutamente extraordinária.
Agora, existe um trabalho intenso para consolidar, cada vez mais, o nosso pantanal, a minha Corumbá como um dos municípios mais importantes sob o ponto de vista turístico.
Aquela pesca predatória acabou, Senadora Ana Amélia. Agora, vamos investir não só no “pesque e solte”, mas, acima de tudo, também vamos investir no turismo contemplativo, pela fauna e pela flora absolutamente extraordinárias que têm o meu Estado, Mato Grosso do Sul, o meu pantanal e a minha Corumbá.
E é claro que, para que se desenvolva esse Estado e se diversifique essa economia, temos de ter infraestrutura. Estão sendo feitos esforços intensos na infraestrutura do Estado, nas rodovias – na 262, na 163, na 359, na 178, na 267 –, recuperando-se a nossa malha viária, fundamental para o escoamento da nossa produção.
As hidrovias vão ganhar uma importância cada vez maior. A hidrovia do Paraguai, Senadora Ana Amélia, desce e vai até a Argentina. Na minha cidade, Corumbá, o número da agência do Banco do Brasil é 14 – para V. Exª compreender a importância de Corumbá, que era um entreposto comercial fundamental para a região oeste do Brasil.
Além das hidrovias, Srª Presidenta, as ferrovias, agora, são importantíssimas. As ferrovias não só incluem a recuperação da nossa antiga Noroeste, cuja história se confunde com a história do nosso Estado, mas agora a ALL está com um programa vigoroso de recuperação, de revitalização da antiga Noroeste. O ramal da Norte-Sul atravessando o nosso Estado, em bitola larga, é fundamental para a integração com vários portos brasileiros: no futuro, no Sul, o porto de Rio Grande; agora, no Sudeste e, inclusive, lá no Maranhão, ao norte. A ferrovia que vai nascer no Paraná sobe por Maringá, entra por Mundo Novo e chega até Maracaju, uma cidade polo sob o ponto de vista de produção agrícola.
Ou seja, o Estado começa, efetivamente, a se consolidar com uma infraestrutura absolutamente compatível com a sua diversidade econômica. Um Estado competitivo, com rodovia, com ferrovia, com hidrovia, com energia, absolutamente fundamentais para garantir o crescimento do Mato Grosso do Sul, que, é importante registrar, Srª Presidenta, cresce a taxas muito maiores do que o restante do Brasil. Nós crescemos a 7,5%, 8%, e vamos continuar nessa toada durante muito tempo.
Agora, está se instalando a Universidade Federal da Grande Dourados, uma universidade referência na região Centro-Oeste. Também haverá centros técnicos, para formar técnicos de nível médio, porque nós vamos gerar empregos, mas trata-se de gerar emprego para as pessoas que lá vivem. Então, é qualificação de mão de obra.
Há programas de inclusão social, fundamentais. Andando pelas ruas do meu Estado, já se veem os reflexos dos programas de inclusão social.
Citem-se também os programas de habitação, o esforço enorme na questão do saneamento, da água, do abastecimento de água, água à disposição da população.
Cidadania. O orgulho que nós temos, Presidenta, de ter a segunda maior população indígena do Brasil, etnias indígenas que nos ajudaram na Guerra do Paraguai, combateram conosco durante a Guerra do Paraguai, irmãos, patrícios, etnias várias, etnias que honraram nosso Estado e cuja história é a história do nosso Estado também.
As políticas para os negros, os assentamentos, com grandes desafios pela frente. Nós temos o maior assentamento do Brasil, o Itamarati, que tem problemas, que tem dificuldades, sim. Mas há um esforço muito grande para que os assentamentos se tornem viáveis, tenham infraestrutura e garantam uma vida melhor para aquela gente que ali vive e trabalha, comercializando produtos de uma terra que eles estão acostumados a trabalhar.
Então, é um Estado belíssimo e o Estado da integração, principalmente do Mercosul, porque por ali vão passar as principais vias para que cheguemos ao Pacífico. Um Estado que exige um PAC para fronteiras, porque existem vários Programas de Aceleração do Crescimento, mas não viram ainda a questão de fronteiras. É um Estado que precisa disso, precisa do apoio do Governo Federal, que não nos tem faltado. Hoje, praticamente, meu caro Senador Inácio Arruda, boa parte dos investimentos do meu Estado são do Governo Federal, dos programas do Governo Federal.
O programa de habitação é absolutamente agressivo, e, evidentemente, decorre do trabalho de todos: da bancada, da Assembleia, dos governadores que se seguiram e que ajudaram na construção desse Estado que busca, acima de tudo, cidadania, mas um Estado que tem fragilidades e, entre elas, especialmente, a região de fronteiras.
Sou fronteiriço, cara Presidenta Senadora Ana Amélia. Nasci em Corumbá, fronteira com a Bolívia; por 15 quilômetros, eu seria boliviano. E sei que o grande desafio de Mato Grosso do Sul são as fronteiras. O Governo precisa…
Conversando com o Ministro da Integração, Fernando Bezerra, alguns meses atrás, ele me dizia que precisamos criar um programa de aceleração do crescimento para a região de fronteira. Não adianta só colocar Força Nacional. Eu fui um dos que trabalharam para colocar a Força Nacional na fronteira lá em Ponta Porã. Polícia Federal, Departamento de Operação de Fronteira, que é ligado à Polícia Militar, tudo isso é importante. Mas nós estamos indo na consequência; não estamos atacando a origem. E a origem são programas de desenvolvimento para aquela região, para que as pessoas, os jovens não venham a ser capturados por falta de perspectiva. As drogas, esse pesadelo que enfrentamos e que os grandes centros brasileiros também enfrentam…
Somos um Estado belíssimo, com potencial fantástico, mas um Estado que precisa ainda muito do Governo Federal para que nós conquistemos o espaço que todos nós, sul-mato-grossenses, esperamos conquistar.
Srª Presidenta, é com esse otimismo com relação ao futuro do meu Estado, mas também entendendo as dificuldades que temos ainda e que não são pequenas que vamos comemorar amanhã os 34 anos de criação da nossa terra.
O Mato Grosso do Sul é um Estado hospitaleiro, de pessoas maravilhosas, pessoas que têm honra pelo Estado em que nasceram ou pelo Estado que escolheram para viver, criar seus filhos; um Estado que, acima de tudo, tem fraternidade entre as pessoas, tem solidariedade entre as pessoas; um Estado que busca incansavelmente cidadania. Por isso eu não poderia deixar de registrar aqui os 34 anos que o meu Estado faz amanhã. Assim como Mato Grosso trilha um caminho de progresso e de grande futuro, espero que o mesmo se dê com Mato Grosso do Sul. Temos tudo para dar certo, não só pela posição geopolítica que ocupamos na América do Sul, mas também no que se refere aos países vizinhos, ao Mercosul, ao Pacífico.
Lá em Corumbá, fizemos um anel viário que é a integração da BR-262 com a famosa Carreteira, que vai a Santa Cruz de La Sierra e chega até os portos do Chile.
Mato Grosso do Sul é importante porque faz divisa com os principais Estados, alguns dos principais Estados brasileiros, como Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Paraná.
Portanto, é um Estado que, por sua posição geográfica, é privilegiado e tem um povo absolutamente diferenciado pela nossa história, pela nossa cultura, pela nossa formação, um povo trabalhador e que, sem dúvida nenhuma, vai estar todo unido para garantir esse compromisso de um Estado à altura do que todos os brasileiros esperam.
Mato Grosso do Sul é um Estado que nasceu para ocupar uma posição absolutamente de destaque no cenário ou no concerto das nações. Está em nossas mãos fazer esse trabalho aqui no Congresso, fazer esse trabalho com o Governo Federal, trabalhar intensamente, independentemente das demandas políticas, do enfrentamento político. Tem compromisso com as pessoas, com o cidadão, com a cidadã. A política é feita para os cidadãos e não para atender projetos próprios, individuais, sejam eles de qualquer partido. O compromisso nosso é com as pessoas que votaram em nós. O compromisso nosso é com as pessoas que vivem em nosso Estado, e esse é o grande desafio no sentido de consolidar o Mato Grosso do Sul como um grande Estado.
Eu queria registrar isso e agradecer-lhe muito, Senadora Ana Amélia, pela oportunidade que V. Exª me dá.
Aproveitando a presença de V. Exª, quero dizer que são muito bem-vindos todos aqueles que escolheram Mato Grosso do Sul para lá viver, lá trabalhar e lá construir uma vida feliz.
Muito obrigado.
Parabéns, Mato Grosso do Sul, pelos seus 34 anos celebrados amanhã!

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