Deputada que protestava contra o golpe é agredida por ministro usurpador

:: Da redação24 de maio de 2016 16:13

Deputada que protestava contra o golpe é agredida por ministro usurpador

:: Da redação24 de maio de 2016

Moema Gramacho, que carregava um cartaz com os dizeres “Delcídio = Jucá. Prisão e Conselho de Ética Já” foi empurrada e ameaçada por Geddel Vieira LimaNa linha de frente do protesto contra a presença do presidente provisório Michel Temer no Senado, na última segunda-feira (23), a deputada federal Moema Gramacho (PT-BA) foi vítima da truculência do secretário interino de Governo, Geddel Vieira Lima (PMDB), e da polícia legislativa da Casa. Moema carregava um pequeno cartaz com os dizeres “Delcídio = Jucá. Prisão e Conselho de Ética Já”—referência ao breve ministro do Planejamento, Romero Jucá (PMDB), flagrado por um grampo combinando o impeachment da presidenta Dilma Rousseff como forma de deter a Operação Lava Jato.

Jucá era um dos integrantes da entourage de Temer, que veio ao Senado apresentar ao presidente do Congresso, Renan Calheiros (PMDB-AL), a nova proposta de meta fiscal do governo golpista, que está sendo votada nesta terça-feira (24). Além de ser empurrada e ameaçada por Geddel, Moema foi ameaçada de prisão pela Polícia do Senado. Um segurança arrancou o cartaz das mãos da deputada e o rasgou. “Rasgou meu cartaz? Não tem problema, eu tenho outro”, ironizou ela, desdobrando outra folha de papel com dizeres semelhantes.

Michel Temer (PMDB) foi recebido no Senado aos gritos de “golpista, golpista, golpista”. Ele estava acompanhado de vários integrantes de sua junta provisória — além de Geddel e Jucá, Eliseu Padilha (interino da Casa Civil) e Henrique Meirelles (interino da Fazenda). Romero Jucá chegou ministro do Planejamento e foi embora como “licenciado”, afastado do cargo que ocupou por 11 dias após a revelação de que o golpe contra Dilma, do qual foi um dos grandes articuladores, foi uma manobra para acabar com as investigações de corrupção.

Moema Gramacho lembrou que os crimes de Romero Jucá e Delcídio do Amaral são rigorosamente iguais. O ex-senador Delcídio foi preso e cassado ao ser flagrado por um grampo combinando uma tentativa de obstrução da Lava Jato. “É claro que Jucá tem que ter o direito de defesa, mas tem que ter o mesmo tratamento. Aliás, o que apareceu na gravação de Romero Jucá é bem mais grave do que estava na gravação de Delcídio. Portanto está na hora do Jucá ser preso também, e ser julgado pelo Senado pelas declarações que fez”, defendeu a parlamentar.  

 

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