Pedidos de empréstimos

Desempenho de consultas ao BNDES retrocedem a 2002

Média de consultas retorna ao período dos governos tucanos, sem comparação ao recorde de 60.498 consultas em setembro de 2010, no segundo governo de Lula
:: Marcello Antunes22 de março de 2017 14:26

Desempenho de consultas ao BNDES retrocedem a 2002

:: Marcello Antunes22 de março de 2017

As consultas de pedidos de empréstimo ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a primeira fase de uma operação de crédito, caíram 21% entre janeiro e fevereiro deste ano na comparação com o mesmo período de 2016. Foram feitas 9.689 consultas, no valor equivalente a R$ 107,8 milhões.

Esse desempenho, pífio, corresponde à performance do banco no período anterior a 2002, quando a média mensal de consultas variava de 2.500 a 4 mil, segundo a economista Esther Dweck. O número de consultas entre janeiro e fevereiro corresponde a pouco mais de 10% do recorde obtido somente em setembro de 2010, quando registrou 60.498 consultas. Isso aconteceu no segundo mandato de Lula e a economia estava no seu auge.

Nesta semana, o BNDES divulgou os dados do primeiro bimestre deste ano e todas as fases de uma operação de crédito tiveram desempenho ruins. Os enquadramentos caíram 28% em relação ao primeiro bimestre de 2016; as aprovações cederam 23% e os desembolsos, quando efetivamente o dinheiro é liberado, recuaram 16%.

Como se vê na imprensa, a presidenta do BNDES Maria Silvia Bastos escolheu à dedo os jornalistas para falar do “novo momento” do banco, na realidade agora mais elitista e seletivo, como nos tempos do governo neoliberal de Fernando Henrique Cardoso. O céu de brigadeiro cantado em verso e prosa só existe nas folhas dos jornais. Na prática, esmiuçando os números do banco, a verdade é outra.

“Isso é reflexo da destruição das políticas de conteúdo nacional ampliada de forma mais agressiva e evidente no setor de petróleo e gás, mas cuja ameaça causa efeitos em diversos outros segmentos”

Esther Dweck, economista

Os desembolsos para as indústrias caíram 47% no bimestre e 18% em doze meses. Para infraestrutura, a queda dos desembolsos foi de 10% no bimestre e 51% em doze meses. A aprovação de empréstimo para esta área caiu 39% para R$ 2,7 bilhões entre janeiro e fevereiro deste ano em relação a igual período do ano passado e a queda em doze meses ficou em 50%.

Os desembolsos para as regiões em doze meses mostram a seletividade desse “novo momento” do BNDES. A queda dos desembolsos para a região Norte foi de 60%; para a Nordeste, 47%; para o Sul, 25% e para o Centro-Oeste, 15%. Até a região Sudeste, mais rica do País, teve queda: 25%.

A presidência do banco vangloriou-se ao destacar, por sua vez, o crescimento de 11% dos desembolsos para a agropecuária, único setor que conseguiu ficar no azul. Também comemorou o crescimento do Programa de Apoio ao Fortalecimento da Capacidade de Geração de Emprego e Renda (BNDES Progeren), cuja liberação somou R$ 1,25 bilhão no primeiro bimestre, com alta de 276% em relação ao primeiro bimestre de 2016.

No entanto, uma lupa deve ser colocada sobre essa linha de crédito, a Progeren, até porque houve o aumento do índice de desemprego nos dois meses do ano. Logo, essa linha poderia estar em uso pelas empresas para financiar suas demissões, não o contrário, para gerar empregos.

A economista Esther Dweck elencou alguns pontos relevantes sobre a inversão de rota do BNDES sob administração do governo ilegítimo. São eles: o Brasil enfrenta a maior crise econômica de sua história, com queda de 7,2% do PIB, cerca de 20% no PIB da indústria de Transformação e mais de 12,6 milhões de desempregados.

Neste momento de crise, ao invés de incentivar a recuperação, o governo promove um ataque sem precedentes aos principais instrumentos de promoção da indústria nacional. Ao mesmo tempo, desconstrói o Programa de Sustentação do Investimento (PSI). Os dados do BNDES mostram que os desembolsos somaram apenas R$ 76 milhões entre janeiro e fevereiro, uma queda de 96% em relação ao mesmo período de 2016 e queda de 90% em doze meses.

“Isso é reflexo da destruição das políticas de conteúdo nacional ampliada de forma mais agressiva e evidente no setor de petróleo e gás, mas cuja ameaça causa efeitos em diversos outros segmentos”, apontou a economista.

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