Dilma: aliança com Cuba traz “enormes possibilidades de desenvolvimento”

Acordo deve gerar mais de 150 mil empregos e dar oportunidade para que empresas brasileiras exportem seus produtos.

:: Da redação29 de janeiro de 2014 15:18

Dilma: aliança com Cuba traz “enormes possibilidades de desenvolvimento”

:: Da redação29 de janeiro de 2014

Dilma-Cuba-II

Dilma com Raul Castro: “São enormes as
possibilidades de desenvolvimento na cooperação
entre nossos países”

Sedimentando uma aliança estratégica com Cuba, a presidenta Dilma Rousseff participou, nesta segunda-feira (27), da cerimônia de inauguração da primeira etapa do Porto de Muriel, localizado a 45 km da capital cubana, Havana. Pelo menos 70% (ou US$ 682 milhões) da primeira etapa foi financiada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com contrapartidas para 400 empresas brasileiras. Até o momento as obras custaram US$ 957 milhões. Ao discursar no evento, Dilma destacou as enormes possibilidades entre uma parceria Brasil-Cuba.

“O Brasil quer ser um parceiro econômico de primeira ordem para Cuba. Acreditamos que uma maneira de estimular essa aliança é aumentar os fluxos bilaterais de comércio. São enormes as possibilidades de desenvolvimento industrial, como na área de medicamentos de saúde e vacinas, pois a tecnologia de primeira linha na área é dominada por Cuba”, afirmou a presidenta. “A identidade cultural que nos une e esse porto que hoje inauguramos permanecerá como símbolo dessa amizade duradoura.”

Dilma também anunciou o investimento de mais US$ 290 milhões na segunda etapa de construção do Porto de Mariel. A participação do Brasil na construção do porto foi negociada ainda na gestão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Mais de 150 mil empregos no Brasil
Para efetivar a parceria na construção do porto, o BNDES acordou com o governo cubano que do montante total da obra pelo menos US$ 802 milhões deveriam ser gastos no Brasil, com a compra de produtos brasileiros. Segundo o Palácio do Planalto, o acordo deu a empresas brasileiras a oportunidade de exportar bens e serviços fabricados no Brasil.

Em um balanço apresentado ao Palácio do Planalto, o diretor-superintendente da empreiteira Odebrecht em Cuba, Mauro Hueb – responsável pela obra –, observa que o Porto de Mariel gerou mais de 150 mil empregos no Brasil e que US$ 800 milhões gastos integralmente na exportação de bens e serviços.

“É importante ressaltar que US$ 800 milhões foram gastos integralmente no Brasil para financiar exportação de bens e serviços brasileiros para construção do porto e, como consequência disso, gerando algo em torno de 156 mil empregos diretos, indiretos e induzidos, quando se analisa que a partir de cada US$ 100 milhões de bens e serviços exportados do Brasil, por empresas brasileiras, geram-se algo em torno de 19,2 mil empregos diretos, indiretos e induzidos”, explicou Hueb.

Porto de Mariel: principal porta de entrada e saída
A obra, de 450 quilômetrosquadrados, vai contar com toda a infraestrutura necessária para receber empresas de alta tecnologia e de tecnologia limpa e permitirá a movimentação de até um milhão de contêineres. Quando concluído, ele será o principal porto do Caribe. Apesar do bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos há 50 anos, depois da Revolução Cubana, a ilha possui o terceiro maior volume de comércio do Caribe, como ressaltou Dilma.

O presidente de Cuba, Raúl Castro, afirmou que o financiamento do Brasil para a construção do porto foi “importante” e que ofereceu “condições vantajosas” para empresários brasileiros. “Ele foi fundamental para a construção não só do terminal, mas de outras obras de infraestrutura, como estradas e ferrovias”, disse. Ele agradeceu Dilma pelo apoio para construção “de um projeto transcendental para a economia nacional”.

“Terminou a primeira fase, mas devemos seguir trabalhando arduamente para iniciar as operações ainda no primeiro semestre, com o objetivo de reduzir impostos sobre a importação e aumentar a eficiência”, continuou Raúl Castro. “Ele será a principal porta de entrada e saída do comércio exterior cubano. A geografia dos fluxos das transações marítimas do nosso continente possibilitará que ele se constitua como uma plataforma logística de primeira ordem.”

Companhias italianas, espanholas e francesas também manifestaram interesse de se instalar no porto, que terá 265 quilômetros quadrados reservados para uma Zona de Desenvolvimento Especial. Aos moldes da China, essa zona oferecerá incentivos e regimes de tratamento especial aos concessionários, que incluem questões aduaneiras, tributárias, monetárias, bancárias e trabalhistas. “Haverá um elemento muito importante, industrial, e esse componente industrial terá um elemento transformador muito importante em relação a Cuba”, afirmou o subsecretário-geral da América do Sul do Ministério das Relações Exteriores, embaixador Antonio José Ferreira Simões, também ao Planalto.

Mais Médicos
Durante o evento, Dilma agradeceu os cubanos por aceitarem enviar médicos para o Programa Mais Médicos. “A participação deles é amplamente aprovada pelo povo brasileiro e é prova do espírito de solidariedade e cooperação que existe entre nossos países”, disse. “O ano de 2013 foi muito especial para aliança Brasil-Cuba, com a implantação de um voo semanal entre São Paulo e Havana, pela Cubana Aviación, que irá incentivar turismo e os negócios entre nossos povos.”

A presidenta desembarcou em Havana nesse domingo (26). Na terça-feira (28), ela irá participar da abertura da II Cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), também em Cuba. 

Com Palácio do Planalto e Rede Brasil Atual

Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

 

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