“Dilma é sinônimo do Estado de Direito que conquistamos”, afirma Gleisi

:: Marcello Antunes14 de março de 2016 21:58

“Dilma é sinônimo do Estado de Direito que conquistamos”, afirma Gleisi

:: Marcello Antunes14 de março de 2016

A manifestação no último domingo, nas grandes capitais, mostrou que o exercício da democracia é um bem e um direito conquistado pela luta de muitas pessoas de esquerda, que resistiram à repressão e lutou pela democracia. Essa luta traduz a liberdade de expressão garantida a todos, a quem é contra ou a favor do governo. “Teve gente que deu a vida para garantir o direito de todos se expressarem e se manifestarem, gente como a presidenta Dilma, que hoje querem tirar do poder. Foi presa, torturada, mas não cedeu, defendeu a democracia e colocou-se contra a ditadura”, resumiu a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), na tarde desta segunda-feira (14), ao comentar a total liberdade verificada. 

Gleisi observou que na manifestação não houve agressão ou qualquer atitude que pudesse enfraquecer o ambiente democrático como muitos apostavam e o governo Dilma desempenhou seu papel com grandiosidade, garantindo a segurança de todos. “As manifestações foram expressivas, sim, mas mantiveram a mesma base social das manifestações anteriores. Ampliaram no quantitativo, mas não no qualitativo. Não conseguiram ampliar a base social que tiveram no passado. Continuou a ser uma manifestação da classe média tradicional brasileira: branca, com maior escolaridade e capacidade econômica”, afirmou. 

O que a senadora registrou e muitos segmentos notaram é que não havia uma única bandeira econômica proposta na manifestação. Ninguém falou da inflação, do desemprego mas pediam, simplesmente, a saída da presidenta. “Não vi nenhuma bandeira sobre o desemprego, nenhuma manifestação sobre aumento salarial, nenhuma manifestação sobre garantia de emprego e renda e não vi nenhum pedido de redução de juros ou pedido para o aumento dos investimentos. Não vi nenhum pedido para ampliar as políticas de saúde e educação”, destacou. 

Para Gleisi, o povão não participou do evento deste domingo, porque procura entender a que interesse a manifestação atende. “O povão prefere aguardar para saber ao certo qual será o resultado prático na sua vida. Não houve na manifestação nenhuma proposta concreta de que a vida vai melhorar para o mais pobre e ele sabe que em trouxe a esperança e direitos, foi Lula, foi o governo da presidenta Dilma”, disse ela. 

Gleisi acrescentou que as vozes do golpe que apostam suas fichas num impeachment sem crime escondem que a economia começa a dar sinais de recuperação, que os juros não subiram mais, que a agricultura melhora seu desempenho e agora vai começar a cair o preço da energia. Mas isso não interessa para quem abraçou o golpe, porque as manifestações financiadas por grupos de interesse apostaram na despolitização e, até, na ignorância das pessoas. “Isso é algo perigoso a que nós já assistimos neste País. Foi uma canalização de ódio e criminalização ao PT, ao Lula e à Dilma. Isso foi construído dia após dia nos telejornais, nos jornais e na mídia deste País. A impressão que passa é que o Brasil não precisa de política, de políticos, de partidos. A imprensa e o judiciário, aliás um juiz, darão conta dos problemas que acometem nosso País”, alertou. 

O retrato da manifestação para Gleisi e vários senadores do PT e da base aliada é que tirar Dilma da presidência, prender Lula e acabar com o PT soluciona todos os problemas, segurando, inclusive, o ímpeto da Lava Jato. “Uma necessidade para que alguns políticos se salvem e, com discrição, cumpram o papel que a imprensa e a elite cobram deles”, disse. 

Marcello Antunes

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