Dilma: “hoje é um dia de encontro do Brasil com a sua história”

:: Da redação14 de novembro de 2013 18:09

Dilma: “hoje é um dia de encontro do Brasil com a sua história”

:: Da redação14 de novembro de 2013

Passados 37 anos de sua morte, o corpo do ex-presidente João Goulart retornou a Brasília pela Base Aérea, mesmo lugar de onde Jango partiu para o Exílio, em 1964

Dilma: “hoje é um dia de encontro do Brasil com
a sua história”

Em 1964, João Belchior Marques Goulart deixou Brasília como presidente deposto pelo golpe que instituiria a ditadura militar que governaria o País por 21 anos. Saiu da capital em direção ao exílio no Uruguai pela Base Aérea de Brasília, o mesmo lugar em que, hoje, os restos mortais do ex-presidente foram recebidos com honras de chefe de Estado. A urna com o corpo de Jango chegou à capital por volta das 11h45. Desceu do avião com a tarja fúnebre atribuída a chefes de Estado. Foi saudada com uma salva de 21 tiros e teve o Hino Nacional entoado em sua homenagem. Passados 37 anos de sua morte, João Goulart recebeu as honrarias a que, como ex-presidente da República, tinha direito.

“Este é um gesto do Estado brasileiro para homenagear o ex-presidente João Goulart e sua memória”, afirmou a presidenta Dilma Rousseff, em seu perfil no Twitter, pouco antes da solenidade. “Essa cerimônia que o Estado brasileiro promove hoje com a memória de João Goulart é uma afirmação da nossa democracia. Uma democracia que se consolida com este gesto histórico”, disse Dilma, que ressaltou o fato de Jango ser o único presidente brasileiro a morrer no exílio, “em circunstâncias ainda a serem esclarecidas por exames periciais”.

Ao lado da viúva de Jango, a ex-primeira-dama Maria Thereza Goulart, a presidenta depositou uma coroa de flores brancas no caixão de João Goulart. Para Dilma, as honras militares dispensadas ao ex-presidente marcaram “um dia de encontro do Brasil com a sua história”.

Os despojos de Jango foram encaminhados para o Instituto Nacional de Criminalística da Polícia Federal, onde ocorrerá a análise pericial que determinará a causa da morte do ex-presidente, colocando fim à dúvida sobre a possibilidade de Jango ter sido envenenado em seu exílio. A exumação do corpo foi realizada na quarta-feira (13), no Cemitério Jardim da Paz, na cidade de São Borja (RS) em um processo que durou pouco mais de 18 horas de trabalho, envolvendo12 profissionais do Brasil, Argentina, Cuba e Uruguai. O médico João Marcelo Goulart, neto do ex-presidente, teve participação efetiva em todo o procedimento.

Etapas

jango

Exilado pela ditadura militar na década de 60,
Jango morou no Uruguai e depois na Argentina,
onde veio a falecer em 6 de dezembro de 1976

O trabalho de exumação consistiu na inspeção ocular do mausoléu, coleta de amostras de gases no interior da sepultura objeto da pesquisa e na exumação dos restos mortais para sua posterior análise forense nos laboratórios da Polícia Federal, em Brasília, que será responsável pela coleta das amostras para todos os exames.

As atividades começaram às 7h15 da quarta-feira (13), com a preparação pericial da área delimitada. Às 9h45, foi iniciada a primeira etapa, com o intuito da coleta de 12 amostras de gases em pontos distintos do jazigo. A coleta de gases no interior da sepultura foi iniciada às 17 horas e finalizada às 18h20. Dez minutos depois começou o procedimento de abertura da sepultura. Às 1h45 foi finalizada a exumação dos restos mortais e acondicionamento para transporte para Brasília, seguindo a cadeia de custódia dos elementos extraídos.

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