Dilma pede união contra protecionismo disfarçado das nações ricas

:: Da redação2 de outubro de 2012 19:41

Dilma pede união contra protecionismo disfarçado das nações ricas

:: Da redação2 de outubro de 2012

Em discurso realizado no Peru, a presidenta Dilma Rousseff voltou a pediu a união dos países árabes e sul-americanos contra medidas de protecionismo adotados pelos países ricos.
 

A presidenta Dilma Rousseff pediu, nesta terça-feira (02/10), em Lima, no Peru, durante a 3ª Cúpula América do Sul – Países Árabes (ASPA), que as nações árabes e sul-americanas reforcem a coordenação econômica para combater o que chamou de protecionismo disfarçado dos países ricos – a exemplo do que fez na última semana durante discurso realizado na Assembleia Geral da ONU.

Segundo a presidenta, os países desenvolvidos, ao desvalorizar suas moedas, tornam-se artificialmente mais competitivos e têm acesso facilitado aos mercados dos países em desenvolvimento. “As nações sul-americanas e as nações árabes precisam assegurar que as turbulências da economia internacional não criem obstáculos adicionais ao nosso desenvolvimento. O acesso aos nossos mercados é extremamente facilitado por essas políticas de desvalorização das moedas. E um protecionismo disfarçado se impõe ao se reduzir as exportações dos nossos países em desenvolvimento. Por isso, precisamos, sem sombra de dúvidas, reforçar a nossa coordenação econômica e desenvolver a nossa cooperação em bases cada vez mais equânimes e solidárias”, disse.

O fenômeno, chamado anteriormente pela própria presidenta de tsunami monetário, vem sendo perpetrado em especial pelos EUA e pela União Europeia, que, de um lado, dificulta as exportações do Brasil e de outros países e, por outro, facilita, de forma desleal, as exportações provenientes dessas duas potências econômicas. É nova forma de protecionismo, o monetário, que não tem condenação prevista nas regras da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Protecionismo
Há duas semanas, o setor de comércio exterior do Executivo norte-americano havia chamado de “protecionista” a decisão do governo brasileiro de elevar tarifas de importação de bens industrializados, o que poderia gerar perdas para os exportadores americanos.

Dados da Global Trade Alert (Alerta Comércio Global), uma organização não-governamental do Reino Unido, publicados pelo site da Liderança do PT no Senado, no entanto, derrubam as críticas à elevação de impostos. No artigo, o consultor da Liderança do PT no Senado, Marcelo Zero, diz que o estudo, feito com base na avaliação de medidas supostamente protecionistas adotadas por diferentes países após novembro de 2008, ano em que a crise instalou na economia mundial, o Brasil aparece em posição confortável, bem atrás de outras nações importantes para o comércio internacional. (Confira o artigo abaixo).

Além disso, dados da Câmara de Comércio Exterior (Camex) mostram que, apesar do aumento das alíquotas de importação subir para duzentos produtos, o Governo brasileiro aprovou a concessão de 350 itens ex-tarifários, sendo 150 pedidos de renovação e 200 novos – ou seja, redução das alíquotas de importação. Só neste ano foram concedidas 2.134 resoluções de ex-tarifários. Em 2011, por exemplo, foram 2.487 reduções de alíquotas do Imposto de Importação.

Justiça social
Dilma ainda tratou das transformações políticas no mundo árabe e disse que o governo brasileiro deseja contribuir para a reconstrução e desenvolvimento econômico e social dos países que passaram por conflitos nos últimos meses. A presidenta voltou a condenar a violência na Síria e a pedir o reconhecimento do estado Palestino.

“Importantes manifestações populares exprimem anseios universais por participação política, desenvolvimento econômico e justiça social em diversos países. Nós, na América do Sul, vivemos, em um passado recente, processos semelhantes de luta pela democracia política e pela inclusão social. Algumas das situações no mundo árabe nos causam muita preocupação. A violência generalizada na Síria, por exemplo, é fonte de profunda tristeza para o Brasil, que abriga milhões de descendentes árabes”, disse.

A cúpula
De acordo com o Itamaraty, a cúpula representa “importante foro de coordenação da contribuição das duas regiões em prol do fortalecimento do multilateralismo”. Desde sua criação, foram firmadas cooperações nas áreas cultural, educacional, ambiental, científico-tecnológica e econômico-financeira.

Ao final do encontro, os países devem divulgar um documento conjunto, no qual devem condenar a onda de violência na Síria após as manifestações populares. A onda de violência na Síria completa 19 meses com o registro de mais de 25 mil mortos. Os líderes devem condenar ainda a violência em razão da reação a um filme contra Maomé – anti-Islã -, produzido nos Estados Unidos, que provocou ataques às representações diplomáticas norte-americanas por grupos muçulmanos, além da defesa do direito dos palestinos a um Estado autônomo e independente.

Segundo dados do Itamaraty, América do Sul e Países Árabes apresentam PIB de US$ 5,4 trilhões e população total estimada em 750 milhões de habitantes. A balança comercial entre as duas regiões mais que dobrou de 2005 a 2011, passando de US$ 13,6 bilhões para US$ 27,4 bilhões.

A Aspa é formada por 12 países sul-americanos – Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela – mais 22 árabes – Arábia Saudita, Argélia, Bareine, Catar, Comores, Djibuti, Egito, Emirados Árabes Unidos, Iêmen, Iraque, Jordânia, Kuaite, Líbano, Líbia, Marrocos, Mauritânia, Omã, Palestina, Síria, Somália, Sudão e Tunísia. Paraguai e Síria estão suspensos.

Com informações de agências de notícias

 

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