Dilma: Respeito aos direitos humanos é condição para o desenvolvimento

:: Da redação9 de dezembro de 2011 19:28

Dilma: Respeito aos direitos humanos é condição para o desenvolvimento

:: Da redação9 de dezembro de 2011

Segundo a presidenta, as sequelas deixadas pela escravidão resultou na exclusão de milhões de brasileiros do desenvolvimento.

 

O respeito aos direitos humanos é condição para o desenvolvimento do Brasil, afirmou hoje (08/12) a presidenta Dilma Rousseff. Na cerimônia de entrega do Prêmio Direitos Humanos 2011, ela começou seu discurso citando as sequelas deixadas pela escravidão no país. A principal delas, segundo a presidenta, é a exclusão de milhões de brasileiros do desenvolvimento.

“A escravidão no Brasil tem uma contribuição muito maléfica. Permitiu que, ao longo da nossa história, a inclusão social e a distribuição de renda fossem tratadas como uma questão menor do desenvolvimento. Hoje nós temos a clareza que não é possível um país de 190 milhões de habitantes crescer apenas para alguns.”

Além da escravidão, os regimes de arbítrio também provocam “efeitos distorcidos” sobre a sociedade, avaliou Dilma Rousseff. Para ela, a conquista dos princípios democráticos mudou o país que viveu sob um regime sob o qual “opinar podia levar ao cárcere e à morte”.

“O Brasil devorou, digeriu esses artifícios autoritários e conseguiu construir uma democracia. Somos um país em que divergir não é mais sinônimo de exceção. Prefiro o barulho às vezes ensurdecedor da imprensa livre que o silêncio das ditaduras”, disse.

Segundo a presidenta Dilma, o Prêmio Direitos Humanos é um reconhecimento do Estado brasileiro aos que não só consideraram importante a luta em defesa da Declaração dos Direitos Humanos, mas transformaram a letra em realidade.

“Quero reconhecer o quanto o Brasil precisa da atuação de vocês, cidadãos corajosos, obstinados, protagonistas da luta contra a violência, a injustiça e a desigualdade. A militância é decisiva para fortalecer a cada dia o projeto de desenvolvimento.”

Premiados – Reconhecida pela firme atuação contra grupos de extermínios, a juíza Patrícia Acioli, da comarca de São Gonçalo (RJ), foi assassinada em 11 de agosto deste ano com 21 tiros. Na defesa da vida, Patrícia ofereceu a própria vida, disse o defensor público José Augusto Garcia de Souza, amigo da juíza. Quatro meses depois, a juíza foi condecorada pelo governo brasileiro com o Prêmio Direitos Humanos 2011 na categoria Enfrentamento à Violência. Sua irmã, Simome Acioli, veio à Brasília com a sobrinha Ana Clara para receber a homenagem que, definiu, “acalenta a alma”.

O Prêmio Direitos Humanos é a mais alta condecoração do governo brasileiro a pessoas e entidades que se destacaram na defesa e na promoção e também no enfrentamento e no combate à violações dos direitos humanos no país. Os 21 contemplados em 2011 receberam um certificado assinado pela presidenta Dilma Rousseff e um trófeu em vidro recortado, desenhado pelo artista plástico João Paulo Sirimarco Batista a partir de personagens que representam as categorias do Prêmio.

Pela luta em defesa da Igualdade Racial, Creuza Maria Oliveira também foi agraciada com o Prêmio Direitos Humanos 2011. Do sertão da Bahia, de onde saiu aos dez anos de idade, Creuza ingressou, em 1984, na luta pelos direitos da trabalhadoras domésticas. Hoje, preside a Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas e integra o Conselho Nacional da Promoção da Igualdade.

Ex-morador de rua, Anderson Lopes Miranda foi contemplado na recém-criada categoria Garantia dos Direitos da População em Situação de Rua. Após o assassinato de sete pessoas que dormiam na Praça da Sé, em São Paulo, articulou a criação do Movimento Nacional dos Moradores de Rua.

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