Alessandro Dantas

A capacidade de resiliência da economia brasileira é inegável. Não à toa, em um ‘mar de turbulências’ temos mantido indicadores econômicos “surpreendentemente” positivos, para a frustração da extrema direita, incluindo setores do mercado.
Porém, não obstante o seu vigor estrutural, a economia não tem poder de regeneração próprio de uma salamandra, principalmente no contexto de um mercado em grande parte hostil, dificuldades fiscais herdadas do governo Bolsonaro, política monetária restritiva, violência tarifária e efeitos das guerras de Trump, afora sistemáticas sabotagens políticas internas. Sacy Pererê é mais crível que mercado autorregulável.
O bom desempenho da economia brasileira nesse ambiente vem se mantendo porque tem um governo sob liderança diferenciada que faz política focado exclusivamente para os interesses do Brasil e do seu povo.
Um governo que neste ‘exato’ momento direcionou mais 17 bilhões em socorro tempestivo aos setores afetados pelo tarifaço, e outros bilhões mais para auxiliar os agricultores brasileiros, inclusive os mega produtores que em maioria são hostis ao governo por razoes que até hoje não consegui compreender; rebeldes sem causa.
No entanto, o que mais me orgulha neste governo tem sido o monumental esforço para acolher e melhorar a vida dos nossos milhões de crianças, homens e mulheres vítimas das desigualdades históricas no nosso país.
Políticas sociais nos limites dos espaços fiscais, e os efeitos do desempenho da economia no emprego e na renda das brasileiras e brasileiros, fizeram despencar a proporção de pessoas abaixo da linha de pobreza no Brasil em curtíssimo período; de 12.6% em 2022, para 8.2% em 2025, segundo o IPEA.
Nesse cenário, de novo, em um governo do PT, o Brasil saiu do inconcebível ‘mapa da fome’ divulgado pela ONU por meio da FAO, a sua agência para agricultura e alimentação.
Com efeito, as Nações Unidas divulgaram há poucos dias o SOFI 2026, que é o seu relatório anual sobre fome e nutrição em todo o mundo. Segundo o relatório, o Brasil não apenas se manteve longe do mapa como apresenta melhora em vários indicadores de segurança alimentar.
No triênio 2023-2025, a subnutrição no Brasil ficou abaixo de 2,5% e a insegurança alimentar severa caiu para 0,6%, menor nível da série histórica da FAO. Significa que durante este terceiro governo Lula, 16.7 milhões de pessoas deixaram a condição de insegurança alimentar severa.
O custo de uma dieta saudável no Brasil, em dólar foi de US$ PPC 4,89 (paridade do poder de compra) por pessoa ao dia, abaixo das médias da América do Sul e da América Latina e Caribe.
É legítimo comemorarmos essa conquista, mas relativizando-a pelo muito que ainda precisamos avançar internamente, e pela continuidade, em grande escala, dessa tragédia para a humanidade. De acordo com o relatório da FAO cerca de 8% da população mundial passam fome atualmente. Além disso, 25,8% da população mundial – 2,1 bilhões de pessoas – enfrentam insegurança alimentar moderada ou grave. Nesses termos, as instituições multilaterais julgam como já frustrada a meta globalmente pactuada de zerar a fome no mundo até 2030.
De todo modo, a FAO estima que nos próximos cinco anos o número de pessoas subnutridas seja reduzido em 20%. Muito triste que 56% desse contingente dos humanos famintos estarão na África.
Portanto, ficando no caso do Brasil, temos que comemorar as conquistas nesse tema nevrálgico para a garantia da cidadania e da dignidade do nosso povo. Mas convém estarmos vigilantes e disposto à luta para que forças externas e internas da extrema direita, em ações combinadas ou autônomas nos remetam uma vez mais para o atraso e a fome.



