Estratégia

Dodge “afaga” Lava Jato de olho na recondução ao cargo

A procuradora-geral da República convocou a seu gabinete os procuradores flagrados em conluio nos vazamentos do Telegram
:: Cyntia Campos16 de julho de 2019 15:44

Dodge “afaga” Lava Jato de olho na recondução ao cargo

:: Cyntia Campos16 de julho de 2019

Em campanha para ser indicada a mais um mandato à frente da Procuradoria-Geral da República (PGR), a titular do cargo, Raquel Dodge, convocou a seu gabinete em Brasília o procurador Deltan Dallagnol e demais integrantes da força-tarefa da Operação Lava Jato.

Na reunião, marcada para esta terça (16), deve discutir o vazamento de conversas atribuídas ao grupo de investigadores e ao ministro da Justiça, Sergio Moro, quando era juiz da 13ª Vara em Curitiba. É esperada uma manifestação de apoio de Dodge aos procuradores.

“O afago de Dodge aos investigadores vem num momento em que ela tenta ser reconduzida ao cargo pelo presidente Jair Bolsonaro e também de forte desgaste para os membros da força-tarefa, cujas condutas vêm sendo postas sob questionamento com a divulgação de seus diálogos”, informou a edição desta terça-feira do jornal Folha de S. Paulo.

Alerta da PFDC
A reunião de Dodge com os procuradores da Lava Jato ocorreu um dia após a Procuradoria Federal dos Direitos dos Cidadãos (PFDC) da PGR manifestar-se publicamente, por meio de nota, afirmando que “É inadmissível que o Estado, para reprimir um crime, por mais grave que seja, se transforme, ele mesmo, em um agente violador de direitos fundamentais”.

A nota, assinada pela Deborah Duprat procuradora federal dos Direitos do Cidadão Deborah Duprat e por seus adjuntos, os procuradores Domingos Sávio Dresch da Silveira, Marlon Weichert e Eugênia Augusta Gonzaga, também lembra que “é vedado ao magistrado participar da definição de estratégias da acusação, aconselhar o acusador ou interferir para dificultar ou criar animosidade com a defesa.”

Conluio
Dallagnol e seus parceiros de Lava Jato foram flagrados em conluio com o julgador dos processos decorrentes da operação, o ex-juiz Sergio Moro. Em diálogos travados por meio do aplicativo de mensagens Telegram fica claro que houve combinações entre as a acusação (os procuradores) e o juiz, configurando uma prática ilegal.

Os diálogos dos procuradores com Moro vêm sendo divulgados desde o dia 9 de junho, inicialmente pelo site noticioso The Intercept Brasil e agora também por veículos como a Folha, jornal de maior circulação no País, e a Veja, a mais lida revista semanal.

“Vamos lucrar”
As últimas revelações “mostraram que Deltan, coordenador da força-tarefa, montou um plano de negócios de eventos e palestras para lucrar com a fama e contatos obtidos durante as investigações do caso de corrupção”, lembrou a Folha de S. Paulo.

“Vamos organizar congressos e eventos e lucrar, ok? É um bom jeito de aproveitar nosso networking e visibilidade”, escreveu Dallagnol em mensagem divulgada pela Folha.

A saída encontrada até agora pelos flagrados no conluio da Lava Jato tem sido atribuir o vazamento dos diálogos a um suposto “hacker”, negar-se a confirmar ou desmentir a autenticidade das conversas vazadas e simular “amnésia”—como o editor de The Intercept, Glenn Greenwald descreve a conduta de Sergio Moro.

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