Gleisi lamenta governo ilegítimo, sem participação das minorias

:: Da redação16 de maio de 2016 16:28

Gleisi lamenta governo ilegítimo, sem participação das minorias

:: Da redação16 de maio de 2016

Gleisi: o que nos preocupa também é o crescimento do discurso fascistaA senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), em sua coluna desta segunda-feira (16), publicada no Blog do Esmael, lamenta a ausência de mulheres, negros, pobres, enfim, a falta de diversidade no governo interino de Michel Temer. “Para aqueles que achavam que o Brasil iria melhorar com a saída de Dilma, preparem-se”, adverte. Para Gleisi, “esse governo Temer é uma volta ao passado, e contra a corrente mundial de buscar por mais representatividade, diversidade”.

Leia a íntegra:

 

Não há o que esperar a não ser retrocessos – Gleisi Hoffmann

Para aqueles que achavam que o Brasil iria melhorar com a saída de Dilma, preparem-se. Além do agravamento da crise econômica, enfrentaremos uma grave recessão social e política. Sem mulheres, sem negros, sem pobres, sem diversidade, esse governo Temer é uma volta ao passado, e contra a corrente mundial de buscar por mais representatividade, diversidade.

Enquanto lutamos por ações afirmativas para participação feminina nos parlamentos, Temer vai na contramão compondo um ministério só de homens, como se não houvessem mulheres competentes na política brasileira. Os defensores do golpe até tentam justificar dizendo que não há problema, pois o que vale é a competência e o mérito.

Mas não é só o discurso discriminatório contra as mulheres que nos preocupa. Quanto a isso, a maioria da população reconhece a importância da participação feminina em todas as esferas, principalmente no poder público. Isso é essencial para a democracia plena, afinal de contas somos metade da população e é importante que a forma como pensamos e agimos seja incorporada na condução dos governos.

O que nos preocupa também é o crescimento do discurso fascista. O Brasil vive sob uma jovem democracia que permitiu ao povo, a partir de 1985, conquistar o direito ao voto e ao primeiro operário e a primeira mulher chegarem à Presidência da República. Porém, ultimamente, observamos o crescimento da intolerância, com líderes de direita incitando a violência contra negros, homossexuais, pobres. Essa agressão é o resultado da campanha de ódio veiculada pela mídia conservadora e pelos grupos fascistas, com apoio dos partidos da oposição ao governo de Dilma.

Essa elite aristocrática e retrógrada, que se incomoda com o protagonismo das mulheres, é aquela que aprendeu nos últimos anos a expor seu ódio e sua ignorância contra os pobres, os despossuídos, que se incomodou ao ver um negro na universidade quando o governo democrático popular ofereceu acesso por meio das cotas. É a mesma elite que não suporta ver uma família pobre tendo acesso a bens de consumo por meio de várias políticas sociais implantadas nos últimos anos.

Nosso papel agora é lutar contra qualquer tipo de retrocesso. A repercussão internacional do afastamento da presidenta e as primeiras medidas de Temer continuam péssimas para o Brasil. Toda a imprensa internacional denuncia o golpe de Estado contra Dilma. Diversos veículos se pronunciaram a respeito do cenário político no Brasil. Para eles, o impeachment é uma “declaração de falência”, um golpe claro, fazendo o país recuar no tempo. Só alguns brasileiros ainda não perceberam quantos direitos perderão.

Não há o que esperar a não ser retrocessos. Continuaremos resistindo e lutando pelo legado construído nesses últimos anos da nossa jovem democracia.

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