Em carta, Suplicy comenta decisão de Cuba de liberar viagens ao exterior

:: Da redação16 de janeiro de 2013 01:52

Em carta, Suplicy comenta decisão de Cuba de liberar viagens ao exterior

:: Da redação16 de janeiro de 2013

 

O senador Eduardo Suplicy (PT-SP), divulgou, nesta terça-feira (15/01), carta que enviou a diversas personalidades e autoridades, entre elas a presidenta da República, Dilma Rousseff, e o ex-presidente, Luiz Inácio Lula da Silva:

Querida Presidenta Dilma Rousseff,

Queridos
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva
Frei Betto
Fernando Morais
João Pedro Stedile
Ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota
Embaixador de Cuba no Brasil, Carlos Rafael Zamorra Rodríguez
Embaixador dos EUA no Brasil, Thomas Alfred Shanon Jr.,

Felizmente as autoridades cubanas deram um passo muito significativo ao efetivamente darem maior liberdade aos cubanos de visitarem outros países, conforme a nova legislação que entrou em vigência ontem, 14 de janeiro. Certamente este passo abrirá perspectivas alvissareiras para que o Presidente Barack Obama e o Congresso Norte-Americano venham a efetivar o fim do Embargo ou Bloqueio Econômico, Comercial e Cultural em relação à Cuba, assim como considerar seriamente o fechamento da prisão de Guantánamo e a anistia dos cinco prisioneiros cubanos, condenados nos EUA, mas que são considerados heróis em Cuba. Eles haviam se infiltrado em ações de sabotagem contra o regime cubano entre aqueles que realizaram ações tais como as de prejudicar e colocar em risco a estada de turistas estrangeiros que visitavam as praias daquele país, conforme relatado no último livro de Fernando Morais, “Os Últimos Soldados da Guerra Fria” , editora Companhia das Letras (2011).

Gostaria de sugerir à Presidenta Dilma Rousseff, que concedeu visto para que a blogueira Yoani Sanchéz possa visitar o Brasil, e que tão firmemente tem defendido a liberdade de livre expressão e de imprensa, possa transmitir ao Presidente Barack Obama, por ocasião de sua presença na posse do próximo dia 21 de janeiro, em Washington D.C., diante da possibilidade transmitida à própria Yoani, de que nas próximas duas semanas ela poderá ter o seu passaporte regularizado para viajar ao exterior, inclusive para o Brasil, que possam os EUA atender um grande anseio:  acelerar os passos para restabelecer a normalidade das relações com Cuba, após mais de 50 anos de embargo/bloqueio econômico, comercial e financeiro iniciado em 7 de fevereiro de 1962. Este embargo, segundo expressão dos EUA, ou bloqueio, como é chamado em Cuba, foi convertido em lei nos EUA em 1992 e em 1995, e ainda ampliado pelo Presidente Bill Clinton em 1999. É um dos mais duradouros embargos da história moderna.

Avalio que este apelo também poderá ser feito por Frei Betto por ocasião do merecido Prêmio José Martí de Direitos Humanos que irá receber da UNESCO no próximo dia 30 de janeiro, em Havana.
Cabe salientar que os países da América Latina e do Caribe e de outras partes do planeta têm feito apelos renovados, na OEA e na ONU, para que os EUA terminem esta ação que não se coaduna com os anseios de maior liberdade para todos os povos. Após cinco décadas do desenvolvimento da União Europeia que hoje permite a livre circulação de seus cidadãos por todos os países europeus, devemos nós das três Américas vislumbrar o dia, em breve, em que todos poderemos escolher aonde estudar, trabalhar e viver desde o Alasca à Patagônia, sem que haja mais a existência de muros e de tantas barreiras para visitar nossos países vizinhos. Claro que para isso teremos que avançar bastante em provermos direitos iguais para todos, como por exemplo, de todos participarem da riqueza de cada país, a exemplo do que já ocorre no Alasca há trinta anos e que fez daquele Estado o mais igualitário dos EUA da América.

Estou ciente de que a Embaixada de Cuba ficou preocupada nos dois anos passados por eu ter solicitado às autoridades que permitissem a visita de Yoani ao Brasil, para o lançamento de seu livro “De Cuba, Com Carinho”, em São Paulo, em 2010, e do documentário de Dado Galvão sobre a liberdade de expressão em Honduras e Cuba, em 2011, em Jequié. O Embaixador de Cuba visitou inúmeros senadores se perguntando se não era uma iniciativa para prejudicar as relações com aquele país. Chegou a perguntar ao Senador Roberto Requião (PMDB-PR) se eu não era da CIA. Ao que o Senador respondeu que se eu era da CIA, ele também o era. Convidou o Embaixador de Cuba para um dia jantar comigo em sua residência para conhecer-me melhor, o que de pronto aceitei, mas até agora o Embaixador não quis marcar. Quem sabe agora dê certo. Até porque tenho vontade de visitar Cuba novamente, pois já fiz lá diversas visitas onde muito aprendi, fiz palestras no Encontro de Economistas de Cuba e do Caribe, participei de trabalhos voluntários, visitei a Escola de Medicina e aproveitei a linda praia de Varadero.

 

Aproveito esta oportunidade para também fazer um apelo à Yoani Sanchéz. Que possa responder com serenidade as observações críticas que por vezes têm sido escritas por pessoas como Salim Lamrani em seu Blog e que contribuíram para que pessoas solidárias ao propósito do povo cubano de construir o socialismo de acordo com as características próprias de seu país colocassem em dúvida o teor de seus escritos e de seus propósitos. Por exemplo,  The Contradictions of Cuban Bloguer Yoani Sanchéz ; mais recentemente, “La Dolce Vita” de Yoani Sànchez em Cuba, em Ópera Mundi 28 de dezembro de 2012; e, ainda, Pérsio Menzes, em peudlogg, 10/1/2013, “Quem está por trás de Salim Lamrani?”. Eis porque, nessa carta aberta, cujo cópia encaminho para ela, faço um apelo para que possa responder com relativa rapidez algumas daquelas considerações críticas. De minha parte, pelo que li de seu livro e dos artigos publicados em seu blog, assim como de seus artigos publicados recentemente no O Estado de S. Paulo e em O Globo, as suas crônicas do quotidiano em Cuba são matérias úteis para que as autoridades e o povo reflitam a respeito. Muitas vezes suas críticas são bem menos ferinas do que as contidas nos pronunciamentos diários de senadores da oposição no Senado Federal no Brasil. Obviamente, se ela é bem remunerada por seus artigos publicados em diversos jornais do mundo, isto não constitui desonestidade.

Cumprimento com entusiasmo a nova Lei de Cuba sobre a possibilidade de seus cidadãos viajarem para e voltarem do exterior. Passos maiores agora se tornarão possíveis.

O abraço amigo,
Senador Eduardo Matarazzo Suplicy

 

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