Empoderar o fisiologismo não pode ser solução para o Brasil, diz Viana

:: Da redação31 de maio de 2016 20:41

Empoderar o fisiologismo não pode ser solução para o Brasil, diz Viana

:: Da redação31 de maio de 2016

Viana: desse jeito, no confronto, nos golpes, nos impeachments falseados, sinceramente, estamos andando para trásPara o senador Jorge Viana (PT-AC), primeiro vice-presidente do Senado, o Brasil tem urgência de uma reforma política que garanta que a tese vencedora nas eleições presidenciais possa ser implementada. Isso porque, segundo ele, o que se tem hoje são governos que mais parecem uma “colcha de retalho”, divididos por alguns partidos que “não passam de negócios, espécies de empresas sem produto”. 

“Empoderar o fisiologismo não pode ser solução para o Brasil”, disse o parlamentar, em discurso nesta terça-feira (31). Viana acredita que a democracia no País só será consolidada com uma mudança que atinja a todos os parlamentares, sem exceção, enxugando os atuais 35 partidos existentes no País e consolidando um número menor de representações partidárias. 

“Acho que, com as trapalhadas desse governo de 20 dias, talvez ganhe consciência neste plenário – e eu espero que isso aconteça – a visão, a posição de fazer um reencontro do Brasil com a democracia”, opinou. “E, se for necessário, para pacificar o Brasil, chamarmos eleições, para que só faça e só conduza os destinos do povo brasileiro aqueles que passaram pelas urnas”, emendou. 

Viana acredita que é preciso colocar os interesses do País em primeiro plano. “Mas, desse jeito, no confronto, nos golpes, nos impeachments falseados, sinceramente, estamos andando para trás, porque qual é o país que vai ser respeitado, se não tem uma democracia sólida, se não respeita a soberania do voto e que, numa intolerância inexplicável, vai enfrentando o próprio eleitor?”, questionou. 

O senador destacou que os brasileiros têm reagido às inúmeras provocações causadas pelas medidas do governo provisório e ilegítimo. Entre elas, a a extinção do Ministério da Cultura (MinC) – que acabou sendo recriado após grande pressão popular e da classe artística – e da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCT). “Fazia muito tempo que eu não via tantas manifestações espontâneas no Brasil”, lembrou. 

Retrocesso na área científica 

Durante o discurso, Viana lamentou a decisão do interino de não voltar atrás na junção das pastas de ciência e tecnologia com a de comunicações. Ele propôs aos colegas do Senado uma audiência com o ministro de Ciência e Tecnologia e Comunicações, Gilberto Kassab, para debater uma solução. 

“É o Brasil querendo caminhar para trás, para o século XX e não seguir no século XXI”, disse. 

O MCT foi criado em 1985 pelo então presidente José Sarney, sendo Renato Archer, à época do PMDB, o primeiro ministro da Pasta. “Vem agora o governo interino do PMDB e acaba com o Ministério da Ciência e Tecnologia. Eu não consigo entender qual é a lógica. Em vez de valorizar aquilo que historicamente o MDB ou o PMDB fez, pisa em cima, tripudia e expõe a um desafio toda a comunidade científica brasileira”, criticou. 

O senador questionou como o Brasil poderá avançar desprezando a área científica. “É um País que produz alimentos e que deve – se seguirmos trabalhando por este Brasil – passar a União Europeia do ponto de vista da produção de alimentos e ter como último alvo os Estados Unidos.

E como se produzem alimentos? Com tecnologia”. 

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