Emprego na indústria cai 0,6%, mas salário real cresce 2,4% no ano

Uma das justificativas é a melhora do perfil de qualificação e a aquisição de novas máquinas e equipamentos para as plantas industriais.

:: Da redação10 de outubro de 2013 14:11

Emprego na indústria cai 0,6%, mas salário real cresce 2,4% no ano

:: Da redação10 de outubro de 2013

Dados da Pesquisa de Trabalho e Emprego
apontam que é crescente a idade e o nível
de qualificação das pessoas que ingressam
no mercado de trabalho (Crédito: Portal
Amazônia)

O indicador de emprego na indústria recuou 0,6% em agosto em relação a julho, sendo a quarta queda consecutiva, conforme pesquisa divulgada, nesta quinta-feira (10), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Mas o que chama a atenção e tem confundido os analistas diz respeito ao valor da folha de pagamento real desse setor: enquanto há queda no emprego na indústria houve expansão de 2,4% no valor real dos salários. No primeiro semestre, por exemplo, o crescimento foi de 2,7%.

A pesquisa do IBGE aponta que as taxas foram positivas em dez dos 14 locais pesquisados: São Paulo (2,3%), seguido pelas regiões Norte e Centro-Oeste (4,6%), Rio de Janeiro (4,1%), Rio Grande do Sul (3,2%), Minas Gerais (2,4%), Santa Catarina (3,2%) e Paraná (2,6%). Tiveram impacto negativo Pernambuco (-3,5%), Bahia (-1,7%) e Espírito Santo (-0,5%) e a região Nordeste (-0,8%).

O valor da folha de pagamento real cresceu em 13 das 18 atividades, com destaque para o setor de alimentos e bebidas (4,7%), indústrias extrativas (6,2%), produtos químicos (4,9%), máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (4,6%), borracha e plástico (4,6%), meios de transportes (1,4%) e máquinas e equipamentos (1,7%).

Segundo o IBGE, a queda do emprego industrial em agosto, quando comparado com o mesmo mês do ano passado, foi de 1,3%, atingindo trabalhadores de 13 das 14 localidades pesquisadas, com destaque para os setores alimentos e bebidas (-5,8%), calçados e couro (-8,0%), minerais não-metálicos (-7,4%), vestuário (-4,0%), refino de petróleo e produção de álcool (-12,8%), justamente setores onde o valor da folha de pagamento real teve crescimento.

Vale notar que a dúvida entre os economistas e analistas para o comportamento do nível de emprego na indústria versus pagamento real dos salários está justamente nos indicadores. Basta tomar como exemplo o que ocorre no setor de alimentos e bebidas: o salário real cresceu 4,7% embora tenha ocorrido redução de 5,8% no nível de emprego. Uma das justificativas para esse movimento pode estar relacionada à melhora do perfil de qualificação dos trabalhadores e aquisição de novas máquinas e equipamentos para as plantas industriais.

Dados da Pesquisa de Trabalho e Emprego apontam que é crescente a idade e o nível de qualificação das pessoas que ingressam no mercado de trabalho. Além disso, para evitar a troca de quadros funcionais, o conjunto das indústrias tem optado desde o ano passado evitar as demissões, que trazem impactos negativos do lado administrativo financeiro. A substituição pura e simples é outro complicador para as indústrias porque alguns setores a mão de obra com pouca qualificação cai de maneira exponencial, seja porque os trabalhadores seguem para outros ramos de atividade, seja porque estão buscando melhorar sua capacitação profissional por meio de programas como o Pronatec.

Outra justificativa para a dicotomia queda do nível de emprego na indústria e aumento da folha de pagamento real tem a ver com o empreendedorismo das pessoas, que saem da indústria para atuar em uma atividade própria, o que pode ter relação com o crescente número de formalização no sistema Simples Nacional.

Confira a pesquisa do IBGE

 

Marcello Antunes

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