Fogo de palha

Ex-deputado tenta emplacar delação citando Lula

Segundo advogado do ex-presidente, Pedro Corrêa mostrou fotos com a presença de Lula em reuniões do Conselho Político. Mas encontros eram públicos, com agenda certa e acompanhados pela imprensa
:: Da redação5 de junho de 2017 15:45

Ex-deputado tenta emplacar delação citando Lula

:: Da redação5 de junho de 2017

O ex-deputado Pedro Corrêa, cassado por quebra de decoro parlamentar em 2006, deixou claro ter refeito o seu depoimento à força tarefa da Lava Jato com o objetivo de apenas completar informações a respeito de Luiz Inácio Lula da Silva.  Até hoje, a delação de Corrêa não foi homologada por falta de provas.

“Diante da manifesta fragilidade de sua versão sobre encontros com Lula, Corrêa mostrou fotos – com a presença de Lula – de reuniões do Conselho Político, que participou como presidente do PP. Perguntado pela defesa, ele não teve como deixar de admitir que essas reuniões eram públicas, com agenda certa e acompanhadas pela imprensa”, explicou em nota o advogado do ex-presidente Lula, Cristiano Zanin.

Ainda de acordo com Zanin, o ex-presidente sequer participava desses encontros, fazendo apenas aparições ao final para o cumprimento aos presentes. “Como Corrêa abriu a audiência mostrando essas fotos, ele se colocou não com a isenção de uma testemunha, mas como pessoa com interesse na causa, buscando a qualquer custo destravar sua delação”.

Confira a nota na íntegra:

O ex-deputado Pedro Corrêa, cassado por quebra de decoro parlamentar em 2006, deixou hoje claro ao Juízo da 13ª Vara Criminal Federal de Curitiba ter refeito anexos de seu depoimento à Força Tarefa do Ministério Público Federal, visando fechar sua delação premiada, com o objetivo de apenas completar informações a respeito do ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Corrêa depôs ao MPF em 1/9/2016 e foi nesse momento informado de que estavam faltando elementos para embasar denuncia contra Lula, ocasião em que disse querer colaborar. A denuncia foi ofertada em 14/9/2016. Até hoje a delação de Corrêa não foi homologada, depois de ter sido barrada pelo ministro Teori Zavascki em 2016 por falta de provas das alegações apresentadas.

Diante da manifesta fragilidade de sua versão sobre encontros com Lula, Corrêa mostrou fotos – com a presença de Lula – de reuniões do Conselho Político, que participou como presidente do PP. Perguntado pela defesa, ele não teve como deixar de admitir que essas reuniões eram públicas, com agenda certa e acompanhadas pela imprensa. O ex-presidente sequer participava desses encontros, fazendo apenas aparições ao final para o cumprimento aos presentes. Como Corrêa abriu a audiência mostrando essas fotos, ele se colocou não com a isenção de uma testemunha, mas como pessoa com interesse na causa, buscando a qualquer custo destravar sua delação.

A defesa de Lula pediu, no início da sessão, em atenção ao contraditório, à ampla defesa e à paridade de armas – como determina a Súmula 14 do STF – que o depoimento de Corrêa fosse remarcado e viu negado seu pedido. Foi relembrado que MPF havia assumido, na audiência de 08.05, o compromisso de informar previamente o “status” dos processos de delação envolvendo pessoas chamadas a depor. E no caso de Corrêa não foi apresentada qualquer informação, embora o MPF tenha reconhecido a existência de negociações e de diligências documentadas.

Ao final da audiência, o Juízo deu ciência às partes de que o MPF havia juntado ao processo documentos relativos a processos de delação de executivos do grupo Odebrecht. Com a adesão de outras partes, pedimos então a redesignação da audiência prevista para a parte da tarde – a partir das 14 horas -, considerando não haver tempo hábil para conhecer os novos elementos, situação que ofende o contraditório, a ampla defesa e a paridade de armas. O juízo decidiu manter os depoimentos “por economia processual”, embora tenha constatado o prejuízo à defesa, tanto é que facultou futuro pedido de nova oitiva.

Cristiano Zanin Martins

 

MULTIMÍDIA

Sumido desde os áudios de Temer e Aécio, o juiz Sérgio Moro reaparece em vídeo impedindo perguntas favoráveis a Lula:

SUMIDO DESDE OS ÁUDIOS DE TEMER E AÉCIO, SÉRGIO MORO REAPARECE EM VÍDEO IMPEDINDO PERGUNTAS FAVORÁVEIS A LULA. Curiosamente, o desaparecimento de Sérgio Moro da mídia se deu quando surgiram os áudios comprovando que as perguntas que ele vetou, feitas por Eduardo Cunha a Temer, apontavam a verdade: que Temer era um corrupto incorrigível. Agora, novamente, Sérgio Moro volta impedindo perguntas. Só que, dessa vez, eram perguntas que beneficiariam a defesa de Lula. COMPARTILHE. Visite e curta a MÁQUINA CRÍTICA: https://www.facebook.com/MaquinaCritica/

Publicado por MaquinaCritica em Segunda, 5 de junho de 2017

Leia também