Fiel ao seu hábito, Fiesp plagia obra de holandês – que ameaça com processo

:: Da redação31 de março de 2016 16:22

Fiel ao seu hábito, Fiesp plagia obra de holandês – que ameaça com processo

:: Da redação31 de março de 2016

Florentijn Hofman e o pato original: transformaram minha obra em “paródia”Desta vez, o hábito dos sócios da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) de plagiar um produto no exterior, para depois reproduzir sua cópia no Brasil com material de segunda, não deu certo. A campanha pelo golpe contra a presidenta Dilma Rousseff que a indústria paulista vem financiando pesadamente vai perder um dos raros integrantes de suas fileiras sem acusação por corrupção: o Rubber Dick (pato de plástico).

O verdadeiro autor do anatídeo amarelo que a Fiesp vem usando para difundir o golpe, o artista plástico holandês Florentijn Hofman, acusou nesta quarta-feira (30) a Fiesp de copiar sua obra.

A imprensa brasileira abafou o caso, como sempre acontece quando algum fato contraria seus interesses, mas a BBC Brasil, filial nacional da tradicional rede britânica, acionou sua reportagem e descobriu que a empresa que produziu o pato da Fiesp é a mesma que, em 2008, produziu a obra do artista holandês para uma exposição em São Paulo. A plagiadora se chama Big Format Infláveis e funciona em Guarulhos. Descoberto pela reportagem, seu dono, Denilson Sousa, desculpou-se veio com a mais clássica das desculpas esfarrapadas dos plagiadores pegos em flagrante. Para ele, o plágio deriva de iniciativa da própria Fiesp, que lhe mandou uma “foto de referência”. Diante da revelação de que se tratava de mera cópia, disse ainda que nem sabia mais onde estavam os originais do artista holandês.

Hofman está furioso. Da Holanda, disse-se surpreendo em ver sua obra apoiando a campanha pelo golpe e acusa a Fiesp de transformar seu projeto foi transformado em “paródia política” e que o uso de seu desenho original é “ilegal” por “infringir direitos autorais”.

Diante da ameaça de processo internacional – e da perda de clientes que não querem ver suas peças copiadas e transfiguradas para outro uso – o dono da fábrica de infláveis acabou confessando à BBC que não foi ele quem teve a ideia, insinuando que “algum marqueteiro da Fiesp meteu a mão” não apenas na ideia, mas nos moldes do holandês.

Não surpreende.

 

 

Alceu Nader