Reconhecimento cultural

Forró está mais próximo de se tornar patrimônio imaterial

Fátima Bezerra propõe destinação de emendas parlamentares para garantir os estudos necessários para esse reconhecimento
:: Carlos Mota23 de maio de 2018 14:03

Forró está mais próximo de se tornar patrimônio imaterial

:: Carlos Mota23 de maio de 2018

As pesquisas para o reconhecimento do forró como patrimônio imaterial brasileiro podem ser garantidas por meio de emendas parlamentares. A proposta foi feita nesta quarta-feira (23) pela senadora Fátima Bezerra (PT-RN), durante audiência na Comissão de Desenvolvimento Regional (CDR) do Senado sobre o tema.

O reconhecimento de patrimônio imaterial – proteção às expressões culturais e tradições passadas de geração em geração – é feito pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Porém, o custo de R$ 1,6 milhão para pesquisas é inviável para o órgão.

“Por isso, destinei uma emenda parlamentar de R$ 100 mil para o Iphan realizar as pesquisas necessárias para esse reconhecimento. E já há o compromisso de vários deputados(as) e senadores(as) para que o instituto possa concluir esse trabalho, que não é simples”, explicou a senadora Fátima.

O instituto usará a verba para analisar o valor nacional do forró, demonstrando a importância desse bem para as comunidades brasileiras. Uma das necessidades é descobrir o quê exatamente o poder público deverá proteger como patrimônio nacional.

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Foto: Alessandro Dantas

“O forró é uma expressão da cultura brasileira que não precisa de nenhum tipo de comprovação para dizer que é um patrimônio do Brasil. O problema é que agente trabalha com política pública e política pública tem procedimentos”, explicou o coordenador geral de Identificação e Registro do Iphan, Deyvesson Israel Alves.

A mobilização para transformar o ritmo em patrimônio imaterial veio dos músicos, compositores, intérpretes e dançarinos de forró. A iniciativa busca proteger a cultura e valorizar as danças e festas regionais. O pedido de registro foi encaminhado ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional pela Associação Balaio do Nordeste, da Paraíba.

Segundo Joana Alves, presidente da Balaio do Nordeste, o principal objetivo é garantir respeito aos profissionais que trabalham com o ritmo musical, especialmente no aspecto financeiro. Alves afirma que os governos estaduais contratam artistas famosos para as festas de São João por valores astronômicos e não garantem um reconhecimento mínimo aos artistas locais.

“Queremos qualificar e dar oportunidade para a nossa música. Não é que a gente não possa fazer intercâmbio durante as festas de São João, mas nós temos forrozeiros que não são contratados pelo próprio Estado, trazendo apenas gente ‘de fora’”, lamentou.

Parlamentares apoiam causa

Durante a audiência na CDR, parlamentares do Partido dos Trabalhadores manifestaram apoio à causa. Confira:

“O forró deu uma grande contribuição ao Brasil. É um erro achar que é um ritmo meramente regional. Luiz Gonzaga transformou em ritmo universal. É um erro imaginar que o forró é algo do São João, só. Tem atividade econômica o tempo inteiro” – Humberto Costa (PT-PE).

“É preciso de incentivo também para os músicos e sanfoneiros” – Regina Sousa (PT-PI), sobre o apoio às pesquisas para tornar o forró como patrimônio imaterial.

“Essa luta para reconhecer o forró pode abrir portas para valorizar o artista” – líder do PT no Senado, Lindbergh Farias.

“É preciso que secretarias dos Estados passem a atender o forró com o valor que tem. A maioria dos forrozeiros são trabalhadores que aos finais de semana estão nisso. É preciso profissionalizá-los” – deputado distrital Chico Vigilante.

A audiência pública promovida pela CDR sobre o tema também será promovida nas cidades do Rio de Janeiro (RJ) e Natal (RN).