Gilberto Carvalho: “Superamos muitas barreiras, mas a sociedade quer mais”

:: Da redação18 de junho de 2013 14:44

Gilberto Carvalho: “Superamos muitas barreiras, mas a sociedade quer mais”

:: Da redação18 de junho de 2013

Segundo, o ministro o desejo de mudanças tem relação direta com o fato de que os governos petistas já conseguiram dar novo rosto ao País

“Precisamos interpretar o
que isso significa para o País”

Em tese, a visita do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, à Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA) do Senado, seria para atender a uma convocação do tucano Aloysio Nunes (SP) que queria explicações sobre uma suposta “investigação paralela” à sindicância aberta pela Casa Civil relacionado a suposto tráfico de influência envolvendo a ex-chefe do escritório da Presidência da República em São Paulo, Rosemary Noronha. Na prática, o tema foi outro: as manifestações que se espalharam pelo País nessa segunda-feira (17).

O tema foi levantado pelo próprio Aloysio. Carvalho não fugiu do debate, que acabou gerando questionamentos também dos senadores governistas. Ao contrário, disse que a participação da sociedade revela a disposição de jovens de saírem do mundo virtual em que vivem e participar dos destinos do País.  “Foi uma surpresa para todos nós e, se de um lado, saudamos a novidade, ao mesmo tempo precisamos interpretar o que isso significa para o País”, disse, em entrevista logo após a audiência.

Ele disse que o desejo de mudanças tem relação direta com o fato de que os governos petistas já conseguiram dar novo rosto ao País. “Nós já superamos muitas barreiras, mas a sociedade quer mais. Há problemas graves com o transporte urbano em várias cidades”, disse. O ministro observou que essa não foi a única reivindicação do movimento e que seria uma pretensão muito grande tentar compreender em apenas um dia a lógica de uma mobilização que não tem uma única bandeira, nem uma liderança definida e muito menos se organiza nos moldes utilizados nas antigas passeatas contra a ditadura.

“É uma participação muito diferenciada, porque, se nem nos nossos bons tempos conseguimos colocar tanta gente nas ruas por tanto tempo, também precisamos compreender que precisamos abrir um diálogo mais amplo com a sociedade para entender todo esse processo”.

Diálogo
Gilberto Carvalho disse que ainda no sábado (15), quando as manifestações em Brasília dificultavam o acesso ao estádio onde se realizava o jogo de abertura da Copa das Confederações, em vez de ir ao jogo, preferiu conversar com os manifestantes. “Fiquei uma meia hora com eles e eles reclamavam que enquanto havia gastos com a construção do estádio Mané Garrincha, os hospitais do Distrito Federal enfrentam sérios problemas”, contou.

Ele se mostrou surpreso com a nova forma de mobilização, que partiu das redes sociais e os manifestantes responderam “Vocês tratam a gente como vocês, mas nós temos um novo repertório”, contou o ministro, lembrando que ele é de uma geração que se acostumou com outras formas de protesto. “Agora, não há um comando único e o processo de compreensão da multiplicidade de reivindicações, bandeiras e lideranças é muito complexo”, disse, assegurando que a presidenta Dilma Rousseff está atenta e passou o dia de ontem muito ocupada em fazer essa análise e cuidar de resolvê-la, disse.

“Precisamos estar atentos para o tamanho dessas mobilizações e se elas tiveram todo esse tamanho é porque há base material para essas reivindicações”, observou. E acrescentou que a posição da presidenta é a de fazer uma análise cuidadosa do que está ocorrendo.

Partidarização
Carvalho disse ainda que ficou muito claro, especialmente em São Paulo, que o movimento é totalmente apolítico. “Nós vimos que quem tentou partidarizar a questão não se deu muito bem”, afirmou, referindo-se às bandeiras do PSTU, vistas no meio das passeatas – especialmente em São Paulo -, que foram rechaçadas com o bordão “sem partido, sem partido”.

Ele observou que embora o movimento aparentemente seja “pós-político”, não pode significar a rejeição da política. “Mas não podemos ter a pretensão de querer definir o movimento tão precocemente”, insistiu.

Giselle Chassot

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