Criminalização política

Gleisi pede liberdade para trabalhadores rurais presos

"Nenhum deles tem antecedente criminal. São trabalhadores, lutadores pelo direito à terra", denunciou a senadora
:: Fernando Rosa1 de março de 2017 17:01

Gleisi pede liberdade para trabalhadores rurais presos

:: Fernando Rosa1 de março de 2017

Nesta sexta-feira, em Quedas do Iguaçu, no Paraná, será lançada campanha pela liberdade dos sete trabalhadores rurais do MST presos em Laranjeiras e Cascavel. “Nenhum deles tem antecedente criminal. São trabalhadores e trabalhadoras, lutadores pelo direito à terra”, denunciou a senadora Gleisi Hoffman, que visitou os presos nas duas cidades.

O dirigente estadual do MST, Diego Moreira, saudou a visita da senadora “como muita positiva por reforçar a luta dos trabalhadores pelo direito à terra e em defesa dos direitos humanos”. Para Gleisi, “foi uma prisão política, uma forte tentativa de criminalizar os movimentos sociais”. “Estamos na luta pela liberdade de Fabiana e dos outros seis companheiros”, reafirmou ela.

A jovem Fabiana Braga, de apenas 22 anos, presa em Laranjeiras do Sul, no centro-oeste do estado, desde novembro, foi a primeira a receber a solidariedade da líder da bancada do PT no Senado Federal. Em Cascavel, a senadora também visitou os presos Claudir Braga, Antonio Clovis Ferreira, Tiago Cleiton Ferreira, Valdemir Xalico de Camargo, Daniel Ferreira de Almeida e o vereador Claudelei Torrente de Lima, do município de Quedas do Iguaçu.

“Foi uma prisão política, uma forte tentativa de criminalizar os movimentos sociais”

Senadora Gleisi Hoffmann

Um total de 18 trabalhadores, entre presos e indiciados, sofrem a acusação de formação de “organização criminosa”, que vem sendo utilizada contra os movimentos sociais. Fabiana Braga foi presa por haver participado de uma manifestação contra a empresa Araupel, organizada pelas mulheres da Via Campesina no último dia 8 de março. Ela é militante do MST acampada no Acampamento Dom Tomás Balduíno, em Rio Bonito do Iguaçu.

Segundo Moreira, as autoridades acusam o movimento por situações específicas ocorridas na região, onde a “máfia da madeira” age com desenvoltura e liberdade. Para ele, os grandes interesses econômicos aproveitam-se de ocorrências específicas e sobre elas “colocam o carimbo do movimento” para criminalizar o MST e seus dirigentes. O objetivo, de acordo com ele, é paralisar a luta dos trabalhadores rurais pelo acesso á terra.

Os conflitos na região tiveram início em 2016, com ação repressiva das Policiais Militares, agentes de grupos especiais da PM e seguranças privados da empresa Araupel aos trabalhadores. O massacre resultou em dois trabalhadores mortos com tiros pelas costas e outros sete feridos. Na época, segundo o MST, apenas os próprios atiradores tiveram acesso à cena do crime durante cerca de duas horas após o ocorrido.

Por conta disso, a entidade Terra de Direitos denunciou o massacre à Organização das Nações Unidas – ONU, pedindo a investigação do massacre ocorrido contra certa de 30 integrantes, no dia 7 de abril. O governo golpista, no entanto, insiste em criminalizar o movimento e seus principais dirigentes no Estado, com objetivo de paralisar a luta dos trabalhadores pelo acesso à terra.

Reprodução autorizada mediante citação do site PT no Senado

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